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Julie Dorrico

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

21 grupos de artistas indígenas na 23ª edição do Sonora Brasil

"Povos Originários" vai apresentar a estética musical dos povos indígenas - Divulgação
"Povos Originários" vai apresentar a estética musical dos povos indígenas Imagem: Divulgação
Julie Dorrico

Julie Dorrico é doutora em teoria da literatura na PUC-RS. Autora da obra "Eu sou macuxi e outras histórias" (Caos e Letras, 2019) que venceu o 1º Lugar no Concurso Tamoios de Novos Escritores Indígenas, promovido pelo Instituto UK'A e Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ, 2019). Descendente do povo macuxi (Roraima). Organizadora da Coleção Memórias Ancestrais, obras de autoria indígena, pela Editora Tekoha (2021). Este é um espaço-terreno para reflorestar simbolicamente a educação brasileira. Buscando fortalecer o uso da lei 11.645/2008 que tornou obrigatório o ensino das culturas e histórias afro e indígenas em todo currículo escolar, esta coluna busca compartilhar iniciativas, projetos e temas indígenas que possam fortalecer a educação étnico-racial no país.

13/10/2021 06h00

O Sonora Brasil é um projeto da Rede Sesc de Música que tem por objetivo apresentar ao público brasileiro as mais diversas manifestações culturais do país. Este ano, para a escolha dos artistas e grupos, foram consideradas questões sociais, ligadas à diversidade de ritmos, de territórios e de artistas.

Em sua 23ª edição, que será realizada no período de 19 de outubro a 12 de novembro, o público poderá conhecer um repertório com mais de 100 compositoras e 21 grupos indígenas representantes de diversos povos. O horário de transmissão será, respectivamente, às 20h (Líricas Femininas) e às 18h30 (Povos Originários).

O Sonora Brasil contempla também oficinas, rodas de conversas e exibição de filmes, que serão promovidas em ambiente online por unidades do Sesc de todas as regiões do país. Os catálogos de todas as edições estão disponíveis para consulta no site do evento, que você pode acessar aqui.

Conforme a comunicação do Sesc, em função da pandemia de covid-19, o circuito não ocorreu em 2020 e, este ano, serão transmitidos pelos canais de Youtube do Sesc em cada estado. Ao longo da sua trajetória, o Sonora Brasil já alcançou mais de 750 mil pessoas e realizou mais de seis mil concertos em todo o Brasil.

As abordagens apresentadas terão como temas as "Líricas Femininas - A presença da mulher na música brasileira" e "A Música dos Povos Originários do Brasil". A temática de 2021 acompanhará a da última edição, realizada em 2019, já que os temas centrais do Sonora Brasil são definidos por biênios. Todos os vídeos terão tradução para linguagem de libras, incluindo os espetáculos dos povos indígenas.

A diversidade de artistas indígenas que integram essa edição mostra a pluralidade de povos que a partir da música se mobilizam para cantar suas culturas, memórias e existências. Destaco o grupo musical Kruviana, do estado de Roraima, que canta a cultura Macuxi e a luta indígena nacional.

Conheça a seguir os temas, os artistas e grupos que integram a 23º edição do Sonora:

"Povos Originários" apresentará a estética musical dos povos indígenas com apresentações de grupos de Norte a Sul do Brasil (alguns montados especialmente para o projeto), e que traduzem ritos e festejos. Banda Kaymuan: Povo Tupinikim (ES); Bari Bay: Caminho do Sol (AC); Coral Guarani Aldeia Araponga (RJ); Coral Guarani ? Aldeia Mata Verde Bonita: Tekoa Ka' Aguy Ovy Porã (RJ); Grupo Dzubucuá: Povo Kariri-Xocó (AL); Grupo Increr: Povo Krahô (TO); Grupo Kruviana (RR); Grupo Memória Fulni-ô (PE); Grupo Nóg gã do Povo Kaingang (RS); Grupo Pintados do Tamariná: Povo Xokó (SE); Grupo Tàràpuir'ete: Grupo Teko Guarani do Povo Guarani Mbyá (RS); Grupo Wagôh Pakob: Povo Paiter Surui (RO); Maxakalis (MG); Oz Guarani e Coral TI Jaraguá: Povo Guarani (SP); Povo Pataxó (BA); Povo Sateré Maué: A miscigenação do Gambá de Maués (AM); Povo Tremembé de Almofala (CE); Povos Potiguara (PB); A música do povo "Waurá" (MT).

"Líricas Femininas" pretende dar visibilidade à produção musical das mulheres - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

"Líricas Femininas" tem como objetivo trazer visibilidade à produção musical das mulheres. Ao todo, cerca de 100 artistas, que participam pela primeira vez do Sonora Brasil, visitarão um repertório de mais de 100 compositoras brasileiras. Entre as apresentações voltadas à música de tradição regional estão Zenaide Parteira (AC); Mestra Ana da Rabeca (CE); Vó Mera (PB); Márcia Siqueira (AM); e Vera-Zuleika (MT). Afro-brasilidades com Nilze Carvalho (RJ); Célia Sampaio (MA); e Júlia Tizumba (MG). Música Indígena e ativismo: Márcia Kambeba (AM) e Narubia Werreria (TO). Rappers: MC Cida Aripória e Cléia Alves (AM). Cultura Pop: Isabela Huk (PR). Música Contemporânea: Clarissa Ferreira (RS). Nova MPB: Josyara (BA), Lívia Mattos (SP) e Sthe Araujo (SP) e Irma Ferreira (BA). Instrumentistas: Samara Líbano (RJ) e Nina Fola (RS).

Sonora Brasil

Período: 19/10 e 12/11
Horários das apresentações: 18h30 (Povos Originários) | 20h (Líricas Femininas
Local: canais no Youtube do Sesc nos estados
Calendário das transmissões: www.sesc.com.br/sonorabrasil

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL