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Como será o novo normal em aulas presenciais

Débora Garofalo

Com foco em educação criativa, traz dicas e insights sobre como driblar obstáculos de falta de estrutura, tempo e material para encantar alunos e alunas na sala de aula

10/06/2020 04h00

Novo normal é o termo usado para a retomada das atividades presenciais pós-pandemia, com as medidas necessárias de distanciamento social. E muito tem se perguntado: e na educação, como será o retorno presencial aqui no Brasil?

Neste momento, os Estados brasileiros têm realizado diversos estudos e também ouvindo equipes técnicas de saúde sobre o retorno presencial das aulas, fazendo um detalhamento e levantamento das exigências necessárias para que isso ocorra, a fim de minimizar os impactos do cenário educacional emergencial que vivemos.

O que conhecemos de concreto e que contribui para a tomada de decisão são as medidas ocorridas em países que iniciaram a flexibilização e a volta às aulas, como França, China, Japão Alemanha, entre outros, que aplicaram o retorno em formato de rodízio. No entanto, mesmo com os cuidados necessários, muitos pais não têm enviado os filhos à escola, com receio de um novo surto.

A França, após uma semana com aulas presenciais, mapeou novos casos e teve que recuar fechando 70 escolas.

Lições e cuidados necessários para a volta às aulas

Olhar para os países que estão iniciando o retorno é importante para que possamos seguir alguns cuidados e aprendermos com algumas lições, considerando a realidade e estrutura que possuímos aqui no Brasil.

Saúde Mental/ Habilidades Socioemocionais

No início da quarentena pensávamos que a suspensão das aulas se daria por duas ou três semanas e que a situação estaria controlada e poderíamos retornar da maneira que conhecíamos. Hoje, vivenciando a pandemia, sabemos que não será assim e que devemos ter uma atenção maior para crianças e jovens que estão há meses em isolamento social, aguardando o retorno físico para reencontrar os colegas. Será preciso manter o distanciamento social, além do uso de máscaras, utilização de sabonetes e álcool em gel.

Desta maneira, o trabalho com as competências socioemocionais precisam ser iniciados agora, visando e alternando momentos para que os estudantes possam falar sobre esse tema, prevendo situações e trabalhando com expectativas para o retorno presencial.

Ensino híbrido

Para Lilian Bacich, professora e doutora em psicologia escolar, o ensino híbrido propõe soluções para o período pós-pandemia, já que está inserido dentro das metodologias ativas, possibilitando compreender, diferentemente do ensino emergencial, dificuldades e facilidades para personalização do ensino e contribuir com o período, organizando as tecnologias digitais para reflexão sobre os conteúdos, procedimentos e valores.

O ensino híbrido permite mesclar o ensino online e offline e ainda trabalhar com estações por rotações e laboratórios rotacionais, visando o protagonismo e autoria dos estudantes, podendo facilitar a interação entre as pessoas e o trabalho (com um número reduzido de pessoas) e ainda a continuidade de aulas mediadas por tecnologia, já que o retorno deverá ocorrer de maneira gradual e com rodízio de estudantes em sala de aula.

Recuperação

O retorno também deverá ser marcado com uma retomada sobre os conteúdos ministrados no período emergencial, com oportunidade para que todos os estudantes revisitem e tirem suas dúvidas. É preciso equiparar o ensino e reduzir desigualdades.

Diante do cenário brasileiro, ainda é preciso considerar as dificuldades de cada região e também a adequação da infraestrutura mínima necessária para esse retorno, além de cuidar para que não haja evasão escolar, prevendo essas ações em replanejamento e analisando possíveis cenários para que possamos avançar na educação.

Um abraço carinhoso e até a próxima semana.

Debora Garofalo