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Dicas de como cuidar da saúde mental na educação

Débora Garofalo

Com foco em educação criativa, traz dicas e insights sobre como driblar obstáculos de falta de estrutura, tempo e material para encantar alunos e alunas na sala de aula

08/04/2020 04h00

Com a pandemia da COVID-19 estamos vivenciando uma situação incomum: o isolamento social. De uma hora para outra, vimos nossa vida mudar completamente, as escolas suspenderam as aulas e estamos nos acostumando a uma nova rotina, a de fazer quarentena.

A saúde mental na educação já era um tema bastante discutido devido a uma série de fatores e, nesse momento, ela se tornou um ponto de atenção a todos.

Antes da pandemia, a educação já enfrentava diversos desafios e se viu obrigada a se reinventar, sem tempo adequado para o planejamento. Em grande parte do país, temos aulas ministradas por meio de tecnologia ou com produções de guias e orientações para que os alunos realizem atividades em casa.

O resultado é que muitos professores relatam que estão passando horas em frente ao computador para ministrar aulas em um trabalho incansável. Já os estudantes relatam as dificuldades para adaptação, ocasionadas também por horas na frente do computador, que em muitos casos tem ultrapassado o total de horas de um período escolar. Isso, no entanto, não tem ocorrido pelo volume de atividades, mas pela falta de adaptação ao processo.

Nesse momento, é importante ressaltar o cuidado com nossas emoções e sentimentos que podem ficar em último plano. É preciso cuidar da nossa saúde mental e repassarmos isso aos nossos estudantes.

Para nós, professores, é necessário criarmos rotinas de trabalho, uma estratégia eficaz para lidar com o momento e manter a mente ativa. Filtrar as notícias também é importante, procurando fontes confiáveis para não cair em fake news.

Estreitar os laços sociais, mesmo que a distância. É necessário organização para darmos atenção aos familiares que estão conosco e para aqueles que não estão. Criar momentos. Realizar um telefonema a um parente para que possamos estar próximos, compartilhando experiências e também mantendo o contato social.

Praticar o autocuidado reservando um tempo para realizar atividades prazerosas como ouvir músicas, ler um livro, assistir uma série, ver um filme, preparar uma comida... Ação simples que fazem a diferença e também nos lembram que é preciso respeitar os limites.

Muitas dos pontos acima servem também aos nossos estudantes. Convidamos a professora, neurobióloga e psicopedagoga Marta Relvas para recomendar e reforçar outros cuidados com os estudantes:

O fundamental é criar uma rotina saudável, já que o cérebro e a mente necessitam realizar o equilíbrio com o ambiente externo por meio da homeostase. Importante que os estudantes e os educadores mantenham suas atividades cotidianas e permaneçam com os hábitos estabelecidos, o cérebro precisa de organização para ficar ativo.

Os estudantes devem reorganizar suas rotinas durante a quarentena, mantendo a saúde do corpo físico. Lavar bem as mãos, beber água e evitar o consumo de alimentos industrializados, processados ou a base de açúcares. Tente fazer exercícios físicos de alongamentos, se for possível, deixem que o sol adentre a sua casa, e fiquem por um tempo exposto a ele, isso ajuda a produção da vitamina D. E ainda, reaprendam a respirar, inspirando e expirando calmamente para oxigenar o cérebro e acalmar a mente.

É preciso também cuidar da mente, evitando que informações tóxicas provoquem gatilhos emocionais que possam desencadear pensamentos ruins. Ao se sentirem tristes, busquem ajuda para que possam expressar seus sentimentos e as emoções.

Para Marta, é importante "nos olhar e nos escutar, sem nos tocar, seguindo as orientações e normas do distanciamento, que a princípio é social". Vamos exercitar a afetividade, a empatia e o amor. Por enquanto é tempo de aguardar. O melhor é viver um dia a cada vez, para refazer o caminho, tentando refletir e aprender com todas essas as mudanças.

Sem prazo para o fim do isolamento, é importante mais do que nunca cuidarmos da saúde mental e fortalecermos as redes de apoio para que possamos superar as dificuldades enfrentadas.

Um abraço.

Debora Garofalo