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Tortellini sem carne de porco esquenta debate político na Itália

Divulgação
Imagem: Divulgação

02/10/2019 13h35

Um prato de tortellini sem carne de porco virou motivo de polêmica e protagonizou o noticiário político e religioso na Itália nos últimos dias.

Além da massa, os ingredientes da controvérsia incluem o orgulho que os italianos têm de suas tradições gastronômicas e o acalorado debate sobre os fenômenos migratórios no país.

A polêmica começou no início da semana, quando a Igreja Católica de Bolonha anunciou que modificaria uma das receitas mais tradicionais da Emília-Romana, os tortellini recheados com lombo, presunto cru, mortadela e parmesão, para permitir seu consumo por muçulmanos, que não comem carne de porco.

Na variação proposta para a Festa de São Petrônio, que acontece na próxima sexta-feira (4), o porco dará lugar ao frango, em uma receita batizada de "tortellino do acolhimento". A mudança atingirá apenas uma pequena fração dos pratos de massa que serão distribuídos, mas já foi o suficiente para desencadear a ira da direita ultranacionalista.

"Leio que alguns estão pedindo tortellini sem carne. É como sugerir vinho sem uva... É brincadeira... O problema são alguns italianos que esquecem suas raízes, negam sua história", disse no Facebook o ex-ministro do Interior Matteo Salvini, líder do partido Liga.

"Descaracterizam até os tortellini, apenas para agradar ao Islã, que vergonha. Para muitos isso é integração, mas para mim é uma ofensa às nossas tradições", reforçou a senadora Lucia Borgonzoni (Liga), aliada próxima de Salvini.

"O respeito passa pela aceitação por parte de quem chega das pequenas tradições locais. Quem cede hoje nas pequenas coisas cederá amanhã nas maiores", atacou o deputado Galeazzo Bignami, do partido de extrema-direita Irmãos da Itália (FDI).

As críticas ao "tortellino do acolhimento" geraram reações na esquerda e na Igreja. O ex-primeiro-ministro Romano Prodi afirmou que as tradições da Itália são "de liberdade". "O importante é que a variação não seja obrigatória", disse.

Já o arcebispo de Bolonha, Matteo Zuppi, afirmou que as polêmicas sobre o prato "são inaceitáveis até mesmo em campanhas eleitorais" - a Emília-Romana terá eleições regionais em janeiro. "É surpreendente que uma regra normal em relação a convidados seja interpretada como ofensa às tradições", acrescentou.

O presidente da União das Comunidades Islâmicas da Itália, Yassine Lafram, disse entender que a região está em campanha, mas chamou a polêmica de "ridícula". "É uma iniciativa louvável porque põe um lugar na mesa para quem vem de fora", salientou.

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