Um ano do adeus

'Nova Ford' ainda tenta se recolocar após fechar fábricas, encolher revendas e até abrigar rivais no 'quintal'

Alessandro Reis, José Antonio Leme e Paula Gama Do UOL, em São Paulo (SP) e Salvador (BA) Eduardo Knapp/Folhapress

A Ford foi a primeira montadora a se instalar no Brasil, fabricando carros no País por mais de um século. Se nos últimos anos a liderança do mercado estava longe, ainda assim permanecia entre as cinco marcas com o maior volume de vendas, com veículos consolidados entre os mais vendidos.

Tudo mudou em janeiro de 2021. Uma canetada da matriz encerrou as operações fabris no Brasil, mandou milhares de trabalhadores para a rua e surpreendeu a todos - de funcionários a clientes.

Um ano depois da abrupta mudança, a situação da marca por aqui mudou radicalmente. De fábricas abandonadas ao encolhimento da rede de concessionárias, passando até por instalações sendo utilizadas por marcas rivais, a Ford ainda tenta se reestabelecer em sua nova fase - com números e novos produtos que indicam uma realidade muito diferente.

Nesta reportagem especial, o UOL Carros mostra qual é a situação atual da montadora do oval azul no País, as perspectivas para o futuro na visão de especialistas e quais são os carros que a marca trará para cá nos próximos anos.

Eduardo Knapp/Folhapress
Avener Prado/UOL

Fábricas fantasmas

Um ano atrás, mais de 6 mil empregados da Ford do Brasil e outros milhares de trabalhadores indiretos ficaram sem chão. Do dia para a noite. O fechamento inesperado das fábricas de Camaçari (BA) - que produzia os modelos Ecosport e Ka - e de Taubaté (SP) - responsável por motores e transmissões - deixou milhares desempregados do dia para a noite.

Exatos 12 meses depois do anúncio, onde antes havia a frenética rotina de linhas de montagem agora virou o cenário bem diferente. Fábricas fantasmas, que vivem processo de desmonte e seguem esperando possíveis interessados - que ainda não apareceram.

Criada em 1974, a planta de Taubaté foi a primeira a fechar as portas. No Plano de Demissão Incentivada (PDI), acordo firmado entre a marca e os trabalhadores, o encerramento das atividades foi marcado para julho de 2021.

Até abril, mês em que foi aprovado o acordo de indenização pelo fim da produção, com valores que chegavam a R$ 300 mil, a negociação foi marcada por muitos protestos e tentativas de evitar o fechamento. Depois, começaram as demissões. Dos 830 funcionários, apenas 60 ficaram até o fim do primeiro semestre do ano passado, atuando no descomissionamento da planta, termo utilizado para desligamento e desmontagem da fábrica.

Além das verbas rescisórias, o PDI estabeleceu uma indenização de dois salários adicionais por ano trabalhado para os funcionários horistas. Para os funcionários mensalistas, o valor foi de um salário adicional por ano trabalhado. O piso indenizatório foi de R$ 130 mil por funcionário.

Na avaliação do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região (Sindmetau), a decisão da montadora de deixar o Brasil foi tomada de arbitrária e unilateral, segundo eles, desrespeitando inclusive um acordo de estabilidade no emprego que estava em vigor na fábrica de Taubaté.

"A saída da Ford provocou um dano social para as famílias dos trabalhadores e um dano para a economia da cidade. A montadora contava com cerca de 800 trabalhadores diretos na fábrica de Taubaté. Esses trabalhadores injetavam R$ 93,7 milhões por ano na economia da cidade, entre salários, PLR e abono, segundo cálculos do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômico). A decisão da Ford também reflete a atual falta de uma política industrial no país, por parte dos governos Estadual e Federal", pontua a instituição.

Apesar de o PDI negociado pelo sindicato ter incluído a aplicação de um programa de qualificação, com o objetivo de auxiliar os trabalhadores na reinserção no mercado, ainda não há números sobre a recolocação desses profissionais. De acordo com o Sindmetau, é possível observar que há trabalhadores que conseguiram novas colocações no setor industrial (mesmo que em outras cidades), outros decidiram empreender e abriram negócios próprios e um terceiro grupo segue em busca de recolocação.

Bahia: 4 mil demitidos e indenização bilionária

Assim como em Taubaté, as negociações na Bahia foram marcadas por protestos, ações judiciais e liminares do Ministério Público do Trabalho. Mesmo assim, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari, em maio, foi firmado um acordo para a indenização dos cerca de 4 mil trabalhadores demitidos. Além das verbas rescisórias, os trabalhadores receberam dois salários extras por ano trabalhado, mais uma quantia adicional com base no tempo de serviço, com indenização mínima de R$ 130 mil.

A maior parte dos trabalhadores deixaram o complexo no primeiro semestre do ano, mas alguns seguiram produzindo peças para reposição e trabalhando no desmonte da planta até dezembro de 2021.

Respeitando pedido de anonimato, conversamos com um engenheiro do Centro de Desenvolvimento de Produtos, que permanece na Bahia. Ele afirmou que cerca de 1.200 funcionários seguem trabalhando no projeto de novos veículos e na redução de custo de produtos, ambos para o mercado americano.

"A Ford não se desfez da área de inteligência. Até o fim do ano, as atividades na fábrica se encerraram e o nosso setor está trabalhando em home office com dois pontos de apoio: um escritório em Salvador e um espaço para análise e estudo de veículos na sede do Senai/Cimatec, onde ficava a planta da JAC Motors, em Camaçari", informa. O engenheiro revelou ainda que a Ford chegou a contratar cerca de 100 analistas para trabalhar na execução de novos projetos para os Estados Unidos.

Neste imbróglio, a Ford chegou a pagar uma indenização de R$ 2,15 bilhões ao Governo do Estado da Bahia. O valor se refere a um termo aditivo de contrato firmado em 2014, quando a montadora se comprometeu a realizar investimentos no complexo industrial de Camaçari em contrapartida a incentivos fiscais e financiamento a capital de giro.

Outro problema gerado pelo encerramento das atividades da Ford na Bahia foi o fechamento de empresas satélite, que forneciam peças e prestavam serviço para a fábrica e seus funcionários. Estes trabalhadores foram demitidos sem indenizações por quebra de contrato. Com isso, o Dieese estima que o número de desempregados seja 20 vezes maior do que o de funcionários demitidos da fábrica.

Rogério Marques/Futura Press/Estadão Conteúdo

Quem quer comprar?

Desde o anúncio do encerramento das atividades nas fábricas brasileiras, diversas notícias de venda foram anunciadas. Ainda em janeiro do ano passado, especulava-se que quatro marcas chinesas (Changan, GAC, Geely e Great Wall) estavam negociando a compra das plantas com a Ford, assim como a brasileira Caoa.

De acordo com um funcionário da Ford em Camaçari que preferiu não revelar seu nome, uma comitiva de chineses da Great Wall chegou a visitar a fábrica, mas logo depois foi anunciado que a marca optou pela planta da Mercedes-Benz, em Iracemápolis (SP).

Desde então, nenhuma negociação tomou corpo. Questionamos a Ford sobre a situação atual das linhas de produção, mas a marca disse apenas que "as fábricas continuam no processo de venda e não temos nada para anunciar nesse momento".

No início de dezembro, o governador da Bahia, Rui Costa, deu a entender que há negociações em andamento em Camaçari, dizendo que o estado está muito perto de anunciar a solução da questão da Ford.

"Mas esse é o tipo de coisa que só dá para anunciar quando tiver, como diz o ditado, papel passado, assinatura feita. Nós estamos trabalhando, está muito breve para gente apresentar uma solução", afirmou.

Arquivo pessoal
Romário Sena dos Santos (primeiro à esquerda) com seu colegas na planta de Camaçari

"Peço a Deus para não entrar em depressão como meus amigos"

A frase triste é de Romário Sena dos Santos, ex-operador de produção do polo da Ford em Camaçari. Atualmente desempregado, o profissional trabalhou na fábrica por 17 anos: "Cheguei apenas três anos depois da inauguração", lembra.

Segundo Romário, antes de anunciar o fim da produção, o clima era de economia, mas jamais de despedida. "Redução de produção e queda nas vendas nós sentíamos, mas estávamos de acordo com a economia do país. Não esperávamos o anúncio da saída de forma alguma. A fábrica deixou de rodar em três turnos, mas não havia nenhum indício do que estava por vir", lamenta.

O ex-funcionário da Ford afirma que o que mais o abalou foi a forma como a notícia chegou até ele: entre as lágrimas do seu filho de 8 anos. "Eu estava de folga e havia saído. Quando cheguei em casa, minha esposa e meu filho já sabiam, ele me recebeu na porta, aos prantos, dizendo 'pai, você vai ficar desempregado'. Só me restou chorar também."

Depois do baque, Romário afirma que colocou a cabeça no lugar e, junto com outros milhares de trabalhadores, passou a lutar por uma boa negociação por meio do sindicato.

"Graças a Deus, veio uma boa indenização para os trabalhadores. O melhor mesmo era a Ford continuar aqui, mas o acordo foi muito bom. Juntando a indenização com verbas rescisórias e FGTS, teve gente que recebeu R$ 500 mil, pena que em um momento tão difícil para o país, em que é tão difícil abrir um negócio e ter retorno."

O ex-operador conta que o dinheiro recebido não foi o suficiente para muitos colegas resistirem à depressão. "O comércio de Camaçari caiu muito, há uma tendência de piora. Muitos entraram em depressão por não saber o que fazer. Foi uma vida dedicada a algo que não existe mais. Apenas 10% se recolocou no mercado, 90% está na espera de que uma nova montadora ocupe o lugar da Ford. Essa é a nossa torcida", finaliza.

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Rivais no quintal de casa

Além das fábricas de Camaçari (BA) e Taubaté (SP), a Ford possuía mais três grandes estruturas no Brasil: a planta de São Bernardo do Campo (SP) (que teve as atividades encerradas em 2019, antes do anúncio), a fábrica da Troller em Horizonte (CE) e o Campo de Provas em Tatuí (SP), que a oval azul prometeu manter em pleno funcionamento.

O Campo de Provas foi inaugurado em 1978 e é, atualmente, a maior pista de testes da marca na América Latina. Trata-se, realmente, de uma estrutura gigantesca, instalada em um terreno de 4,66 milhões de metros quadrados. São 50 km de pista de testes, com trechos de asfalto e terra, incluindo rampas, lombadas e piscinas de lama. Também há laboratórios e oficinas para testes de produtos.

O quadro de funcionários do Campo de Provas foi reduzido em 2019 e apenas 150 trabalhadores permaneceram empregados (há 15 anos, a Ford empregava cerca de 800 pessoas no local).

Em agosto do ano passado, UOL Carros noticiou que para amenizar a ociosidade e cobrir os custos de operação, a Ford estava alugando as instalações para rivais e seus fornecedores desenvolverem novos produtos.

Conforme uma fonte familiarizada com o tema, que conversou com a reportagem sob condição de anonimato, desde 2020, a antiga FCA, agora Stellantis, vinha utilizando o campo de provas para avaliar protótipos e componentes do Fiat Pulse e do Jeep Commander.

"Já está acontecendo a transição para um novo modelo de negócios. Além da Stellantis, a Ford busca mais companhias que pretendam se instalar dentro do campo de provas. Foi elaborado, inclusive, um portfólio com o resumo de todos os equipamentos e laboratórios disponíveis, a ser entregue a potenciais interessados", relatou a fonte à época.

Além disso, a Ford continua utilizando a estrutura própria para testar seus produtos, porém em menor escala. "Lançamentos recentes como o chinês Territory e o mexicano Bronco Sport passaram por Tatuí para necessária tropicalização, que inclui ajustes de suspensão, motor e câmbio para a realidade das vias brasileiras".

Em 2021, por exemplo, foi a vez do utilitário Transit passar pelas pistas testes. O campo também é usado, destaca a montadora, para testar veículos da Ford destinados a outros mercados.

André Paixão/Primeira Marcha

São Bernardo do Campo já indicava o fim

Apesar do anúncio do fim da produção de veículos no Brasil ter ocorrido há um ano, foi em outubro de 2019 que a montadora começou, de fato, a deixar o país. Foi quando a Ford decidiu que não fabricaria mais caminhões por aqui e fechou a unidade industrial de São Bernardo do Campo (SP). A planta já foi comprada e o terreno abrigará um complexo logístico de alto nível, que está em construção.

De acordo com a Prefeitura de São Bernardo do Campo, em parceria com a FRAM Capital, a construtora São José adquiriu o complexo por R$ 550 milhões, as empresas envolvidas, no entanto, negaram a cifra.

Em março de 2021, a estrutura começou a ser demolida para dar lugar ao complexo de logística que deve abrigar empresas de tecnologia, eletrônicos e congelados.

Assim que o anúncio de fechamento da fábrica foi feito, a Caoa Chery chegou revelar publicamente seu interesse na planta, mas o negócio não saiu do lugar. A unidade tinha cerca de 2.350 funcionários em 2019, e havia sido inaugurada 52 anos antes.

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Troller também disse adeus

No cronograma da Ford, a unidade fabril da Troller, no Ceará, seria a última a fechar as portas, no último trimestre de 2021. Conforme o prometido, o último jipe foi fabricado em setembro e, até novembro, o complexo ficou responsável apenas pelas peças de reposição. Toda a produção se encerrou no fim do ano.

Inicialmente, a informação era que a marca Troller poderia continuar, desde que um investidor interessado fechasse acordo de compra dos direitos de produção, utilização do nome e design.

No entanto, em agosto, o governo do Ceará confirmou a despedida: o interesse da Ford era vender apenas o complexo e o maquinário para a produção de outros produtos, não a marca Troller. Confirmando o fim dos simpáticos jipes brasileiros.

A Troller foi fundada em 1995 e adquirida pela Ford em 2007. A última unidade produzida foi a versão TX4, anunciada por R$ 299.900 em outubro do ano passado.

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Concessionárias cobraram indenização bilionária

Logo após a Ford anunciar o fim da produção de veículos no Brasil, teve início uma tumultuada negociação com sua rede de distribuidores autorizados, que necessariamente teve de ser readequada à nova fase, com venda de veículos exclusivamente importados em nosso mercado.

Em janeiro do ano passado, quando veio a público a decisão de fechar as fábricas da companhia no País, havia 283 concessionárias em atividade. Hoje, segundo a Ford, são apenas 110 unidades ou 38,9% do volume original.

A montadora acrescenta que as tratativas ainda não foram totalmente concluídas, contudo pontua que estão "praticamente finalizadas". A oval azul se nega a informar os valores pagos até o momento a título de indenização aos revendedores que deixaram a marca, seja por iniciativa própria ou por decisão da própria Ford - que selecionou os parceiros com os quais desejava prosseguir.

Procurada por nossa reportagem, a Abradif (Associação Brasileira dos Distribuidores Ford) preferiu não se manifestar.

Contudo, no ano passado UOL Carros teve acesso a documentos e membros da associação, que falaram sob condição de anonimato e deram detalhes sobre as tensas negociações.

Ainda em janeiro de 2021, a Abradif rejeitou a proposta inicial de indenizações feita pela fabricante e demandou o rompimento imediato de todos os contratos ativos, para posterior contratação dos distribuidores que efetivamente permaneceriam com a marca. A demanda por ressarcimento superava R$ 1,5 bilhão - valor de toda a rede, estimado pela associação na época.

Por meio de correspondências endereçadas à alta cúpula da Ford, a Abradif alegava temor de a companhia deixar definitivamente o País dentro de poucos anos e dizia que o respectivo faturamento despencaria cerca de 80% com a descontinuação dos modelos nacionais.

A entidade também cobrava o desbloqueio de R$ 200 milhões provenientes do FAV (Programa de Aquisição de Veículos), fundo controlado pela montadora e custeado pelos seus distribuidores para facilitar a compra de veículos Ford para revenda aos consumidores, sem incidência de juros e com subsídio parcial do IOF.

Tentamos, sem sucesso, entrevistar dois proprietários de concessionárias - um que permaneceu com a Ford e outro que adaptou as respectivas lojas para trabalhar com outras montadoras.

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Carros "para poucos" é a nova realidade

Os dias da Ford como uma das marcas com o maior volume de vendas de carros no Brasil acabaram. O foco passou a ser veículos de maior valor agregado, voltados para um público muito menor do que nos tempos de Ka e Ecosport. Menos clientes, mas uma saúde financeira melhor.

Com a saída do mercado dos seus três carros de maior volume, a queda no posicionamento da marca dentro do setor de automóveis e comerciais leves era inevitável.

Em 2021, a Ford vendeu 17,2% do que emplacou no Brasil dois anos atrás. Neste ano, a marca fechou com 37.778 unidades enquanto em 2019, último ano antes da pandemia, emplacou 218.526 exemplares.

Se comparado a 2020, que teve 139.225 emplacamentos, a marca vendeu em 2021 apenas 27,1% do que comercializou no ano anterior. Os dados são da Fenabrave.

No que diz respeito à participação de mercado, a Ford fechou 2021 na 11ª colocação com 1,91% do mercado. Em 2019 e 2020, ela foi a quinta colocada em market share, com 8,22% e 7,14%, respectivamente. Apenas General Motors, Volkswagen e Fiat, além de Renault (2019) e Hyundai (2020), ficaram à frente no período.

Com o fim da produção nacional da Ford, apenas Peugeot e Citroën não conseguiram supera-la em vendas em 2021, ficando em 12º e 13° lugar, respectivamente, no ranking. As demais montadoras atrás da companhia norte-americana são as marcas premium ou de luxo, que trabalham com um tíquete médio mais elevado.

Flavio Padovan, sócio da consultoria MRD Consulting e ex-executivo da Ford, projeta que, ao longo deste ano, a Ford deverá ver sua participação de mercado ficar ainda menor, descendo para 1% ou percentual ainda mais baixo.

"Vai ficar abaixo das francesas Peugeot e Citroën. O grande desafio da Ford será equilibrar as contas em um mercado de baixo volume. Nessa nova fase apenas como importadora, a empresa fica muito sujeita a fatores externos, como flutuação do câmbio e indisponibilidade de peças e veículos", analisa o especialista.

Segundo Padovan, está claro que o Brasil e a América do Sul há muito tempo deixaram de ser mercados prioritários para a empresa e isso de alguma forma "engessa" a operação local da montadora.

"Para atender o Brasil, a Ford fica atrás na fila. O ciclo do planejamento até a entrega do veículo, passando pela produção, fica muito mais longo na comparação com a época em que havia produção nacional.

Já Cassio Pagliarini, outro ex-executivo da Ford, destaca que a decisão da empresa de concentrar os investimentos na eletrificação a deixa ainda menos competitiva no Brasil.

"O alto custo desse tipo de veículo, cujo volume de vendas é baixíssimo em nosso País, reduz ainda mais o leque de opções viáveis economicamente para o mercado brasileiro", pondera o sócio da consultoria Bright Consulting.

Por fim, Ricardo Bacellar, sócio fundador da Bacellar Advisory Boards e conselheiro da SAE Brasil, salienta a dificuldade proveniente da estratégia de disputar clientes em uma faixa de preço muito mais elevada.

"A Ford decidiu concorrer com marcas premium consagradas, enquanto sua reputação aqui foi consolidada como uma fabricante generalista, com atuação forte no segmento de entrada e em outras categorias que não são consideradas premium".

Como a atual linha de produtos tem se saído

  • Ford Ranger

    Picape média hoje responde pela maior parcela das vendas com 20.499 unidades emplacadas em 2021. De todos os produtos da marca é o mais bem posicionado dentro da própria categoria. Apesar de a diferença ser grande, ela é a terceira colocada do segmento, atrás da Chevrolet S10, com 35.045 unidades, e da Toyota Hilux, com 45.893 e sua liderança inabalável há anos.

    Imagem: Divulgação
  • Ford Bronco Sport

    Foram 1.053 unidades emplacadas, lembrando que não teve um ano cheio de vendas por comercialização iniciada em maio de 2021. O carro que a marca diz ser seu principal concorrente, o Land Rover Discovery Sport, emplacou no ano 2.200 unidades. Excluindo os meses que o Bronco Sport ainda não tinha chegado, são 1.312 unidades, ou 259 a mais para o SUV da marca inglesa.

    Imagem: Marcos Camargo/UOL
  • Ford Territory

    SUV médio abaixo do Bronco Sport, teve 2.231 unidades emplacadas, dando a ele a 34ª posição na categoria. Deveria concorrer com Jeep Compass, VW Taos e Toyota Corolla Cross, mas preço mais caro devido importação prejudica na disputa. Mais barato, Compass emplacou 70.906 unidades, sendo o 2º SUV mais vendido do ano. Também da Jeep, lançado este ano e com preço equivalente, o Commander emplacou 3.715 exemplares em quatro meses.

    Imagem: Divulgação

O ano de 2021 foi de lançamento de uma série de produtos importantes, como a Ranger Black, o Bronco Sport e o Mustang Mach 1, e também entramos no segmento de veículos comerciais com a Transit. Estes produtos estão tendo uma receptividade muito positiva e para 2022 já iniciamos o lançamento da Maverick, uma picape inovadora que vai surpreender os consumidores."

Ford, sobre as vendas em primeiro ano sem fábricas no Brasil

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Lançamentos: o que vem por aí em 2022

Para este ano, a empresa já confirmou a chegada da picape intermediária, a Ford Maverick. O modelo também é produzido no México, como o Bronco Sport, e usa a mesma base do SUV.

Por isso, sob o capô, a picape traz o motor 2.0 turbo a gasolina, que no SUV entrega cerca de 240 cv, com câmbio automático de oito marchas e tração integral com função de bloqueio de diferencial e reduzida.

A picape deve entrar em venda até março deste ano também em versão única, como o SUV. Ela virá na versão Lariat com kit FX4, que geralmente é um kit com pegada mais off-road para as picapes da marca. No caso da Maverick adiciona pneus todo terreno, ganchos de reboque na dianteira e cinco modos de condução.

Transit furgão

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Depois de lançar a nova geração da Transit no Brasil em 2021 com a versão de passageiros, a Ford vai iniciar em 2022, a venda da versão para cargas, que inclusive é esperado que se venda mais do que a opção para pessoas.

O trem mecânico é o mesmo: motor 2.0 turbodiesel, importado da Europa, com 170 cv e 41,3 mkgf e câmbio manual de seis marchas e tração traseira. Conta ainda com três modos de condução (eco, normal e escorregadio), start-stop, frenagem autônoma de emergência, controle de velocidade adaptativo e central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay.

F-150

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A picape grande, rival dos modelos da Ram, chega em 2021 também. A grandalhona faz parte do projeto da 'Nova Ford' que trabalha agora com carros de maior valor agregado.

Sob o capô, a expectativa é que ela venha com o mesmo motor do Mustang, o 5.0 V8 a gasolina calibrado para 400 cv e 55,2 mkgf, câmbio automático de 10 marchas e tração 4x4, mesma opção escolhida para venda na Argentina.

Mustang Mach-E

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O SUV elétrico que tem nome de esportivo também deve chegar e aumentar o fluxo de carros "100% verdes" em solo nacional, que a marca já havia dito que estava em estudo para a vinda.

Como um carro de imagem, o Mach-E deve vir na versão mais completa, a GT Performance que tem um conjunto elétrico que rende 487 cv de potência e quase 90 mkgf de torque com tração integral e autonomia declarada de 418 km com uma carga.

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