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Nissan vai demitir brasileiro Carlos Ghosn, preso por fraude financeira

Chris Gallagher, Elaine Lies, Maki Shiraki, Kiyoshi Takenaka, Laurence Frost, Muralikumar Anantharaman

Em Tóquio (Japão) e Paris (França)

2018-11-19T09:48:11

19/11/2018 09h48

Executivo que tirou Nissan da falência está sendo investigado por fazer uso pessoal de dinheiro da fabricante

A Nissan anunciou nesta segunda-feira (19) que vai demitir Carlos Ghosn, presidente da empresa, depois de descobrir que ele usou dinheiro da companhia para uso pessoal e cometeu vários outros atos graves de má conduta. O executivo foi preso por autoridades japonesas no começo do dia, segundo informações.

A fabricante japonesa disse que, com base em um relatório de denunciantes, estava investigando possíveis práticas impróprias de Ghosn e do diretor-representante Greg Kelly por vários meses. A Nissan anunciou que está cooperando totalmente com os investigadores do Ministério Público do Japão.

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"A investigação mostrou que ao longo de muitos anos Ghosn e Kelly relataram valores de compensação no relatório de valores mobiliários da Tokyo Stock Exchange que eram menores do que a quantia real, a fim de reduzir a quantia divulgada da compensação de Carlos Ghosn", disse a Nissan em um comunicado.

Nascido no Brasil, descendente de libaneses e cidadão francês, iniciou sua carreira na Michelin na França, seguindo para a Renault. Ele se juntou à Nissan em 1999, depois que a Renault comprou uma participação controladora e se tornou CEO em 2001. Ghosn permaneceu nesse posto até o ano passado.

Em junho, os acionistas da Renault aprovaram a remuneração de Ghosn de 7,4 milhões de euros (US$ 8,45 milhões) para 2017. Além disso, ele recebeu 9,2 milhões de euros em seu último ano como executivo-chefe da Nissan.

Ghosn já teria sido preso

Segundo o jornal japonês Yomiuri, Ghosn teria sido preso pelos promotores de Tóquio sob suspeita de declarar um salário menor ao fisco. Mais cedo, vários estabelecimentos relataram que ele estava sendo interrogado.

A notícia chocou o Japão, onde Ghosn, um raro executivo de alto escalão estrangeiro, é altamente considerado por ter tirado a Nissan da falência. Ghosn também é presidente e executivo-chefe da Renault e estava sendo cotado para ser o presidente de uma possível nova empresa, a Renault-Nissan, que teria o mesmo nome da aliança, mas seria uma empresa única, focada em modelos mais eficientes, elétricos e compartilhados.

O jornal Asahi informou em seu site que os promotores começaram a revistar os escritórios da sede da Nissan e outros locais na noite de segunda-feira.

O Ministério Público do Distrito de Tóquio se recusou a comentar.

Conselho vai decidir

Segundo a empresa, o CEO Hiroto Saikawa irá propor ao conselho da Nissan para remover Ghosn e Kelly de seus cargos.

A Nissan informou que vai se pronunciar à imprensa novamente na noite desta segunda-feira. Porta-vozes da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi não retornaram as ligações e mensagens deixadas em busca de comentários sobre os relatórios de prisão.

A saída de Ghosn, de 64 anos, levanta questões sobre o futuro da aliança que ele pessoalmente moldou e se comprometeu a consolidar com um acordo mais profundo, antes de finalmente se afastar de sua liderança operacional.

As ações da Renault caíram 13% em Paris para estar entre as ações com pior desempenho na Europa. Os títulos da Nissan listados na bolsa alemã despencaram 12%.

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