PUBLICIDADE
Topo

VW Golf R: testamos a versão mais potente do hatch feito para acelerar

Divulgação
Imagem: Divulgação

Joaquim Oliveira

Colaboração para o UOL

30/12/2020 04h00

O Golf GTI é um hatch esportivo quase perfeito e um dos mais divertidos nessa classe, muito recomendado para motoristas que adoram dirigir rápido, mas que querem manter alguma racionalidade no seu carro do dia-a-dia. Para superá-lo, seria necessário a montadora alemã conseguir uma versão realmente especial, mas com o mesmo motor de 4 cilindros turbo apenas levemente melhorado não foi tarefa fácil.

Essa é a árdua tarefa encarada pelo Golf R, que o UOL Carros teve a oportunidade de testar. Com tração 4x4, a versão mais potente do Golf chega com motor 2 litros, de 4 cilindros, agora com turbo e injeção direta, o que permitiu elevar o rendimento máximo para 271 cv.

Visualmente as diferenças em relação às versões 'normais' são marcadas pelos para-choques específicos, com entradas de ar aumentadas e um lábio inferior inspirado no mundo das corridas, além da barra iluminada no meio da grade frontal que serve de luz diurna. As capas dos retrovisores são em cromo mate, as rodas de 18" de série têm desenho específico, tal como as opcionais de 19".

Por dentro tem também detalhes únicos, como os bancos revestidos em tecido preto e azul e encostos de cabeça integrados, o volante com aplicações e costuras decorativas em azul, o teto em preto ou os pedais e descanso para o pé em aço inoxidável.

Mas mesmo sendo os bancos dianteiros mais envolventes, a VW deveria oferecer, ao menos como opção, a possibilidade de regular o apoio lateral e de ter apoio de perna ajustável.

O motor de 2 litros rende, como vimos, 320 cv/420 Nm, que são apenas mais 20 cv/20 Nm do que o GTi ClubSport, a versão logo abaixo em termos de potência e que, por ser 90 kg mais leve, acaba por conseguir performances relativamente próximas, mas não evitando perder quase 1s no sprint de 0 a 100 km/h (4,7 s do R vs 5,6 do GTi CS).

Volkswagen Golf R interior - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Os engenheiros alemães tinham conseguido deixar a potência máxima nos 333 cv nesse motor EA888, mas a brigada antipoluição obrigou a adotar medidas de redução de emissões, como o filtro de partículas, e a potência desceu 13 cv.

A velocidade máxima pode ser esticada de 250 para 270 km/h se for escolhido o pacote de performance, que é um extra.

Nas retomas de velocidade - provavelmente mais importantes que a aceleração pura fora de um circuito de corrida - o R não tem tanta vantagem sobre o já excelente GTi CS, que é mais leve e que atinge o torque máximo a um regime mais baixo (2000 em vez de 2100 rpm), mas depois nas rotações mais altas se percebe que o R tem os cilindros "mais cheios de fôlego".

Tudo isto, é importante destacar, se passa em níveis de competência muito elevados, cujo mérito vai para a excelente resposta do motor e a sua muito boa ação conjunta com o rápido câmbio DSG de 7 marchas.

Como que a prová-lo, o Golf R é mais rápido (mesmo que por escassas uma a duas décimas de segundo) do que os principais rivais Mini JCW, BMW M135i, (ambos com 306 cv) e Audi S3 Sportback (310 cv), todos igualmente com tração nas quatro rodas, enquanto iguala a marca de 4,7 s de 0 a 100 km/h do Mercedes AMG A35 (também 306 cv e 4x4).

De série existem sempre quatro modos: Comfort, Sport, Race e Individual. Em Race, indicado para circuitos de velocidade, o controle de estabilidade torna-se mais tolerante, o diferencial autoblocante traseiro passa mais força para a roda exterior à curva Na suspensão dianteira o diferencial eletrônico XDS tem uma ação com efeitos semelhantes, para puxar o carro para dentro da curva e evitar alargamentos de trajetória quando dirigir se parece mais a pilotar.

A própria suspensão, com quatro rodas independentes, foi reajustada com molas que deixam o carro 5 mm mais perto da estrada do que na versão GTI, onde já eram 20 mm mais baixas do que as dos Golf menos potentes.

O resultado desse coquetel muito completo de tecnologia é francamente positivo. O rolamento oscila entre razoavelmente suave no modo Comfort e realmente duro no extremo oposto, quando se agradece a agilidade de reações do Golf R e a precisão da direção combinando bem com os reforçados travões. E com os vários modos disponíveis, o Golf R consegue realmente ter uma personalidade dinâmica bastante versátil, para um bom desempenho em diversos tipos de estrada, diferentes situações de trânsito e até variações de humor do motorista.

Volkswagen Golf R (2021) Teaser - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

No fim, se pode repetir a pergunta. O Golf R vale todo o dinheiro que custa a mais do que o Golf GTi? Bom, isso vai depender sempre do poder aquisitivo de cada um e de suas prioridades na vida. Em muitos casos ela será negativa, mas o cliente potencial que pode comprar um hatch "picante" assim valoriza muito cada segundo que consegue ganhar em circuito. Isso na Europa, já que essa versão não tem previsão para vir ao Brasil.