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Novo Peugeot 208 agrada por estilo e equipamentos, mas chega sem turbo

João Anacleto

Colaboração para o UOL

23/07/2020 10h00

Os tambores rufaram durante cinco meses. Desde o fim de janeiro, quando fomos conhecer o novo Peugeot 208 em missão de rodagem secreta pelas ruas e estradas da Argentina, as especulações sobre o carro não cessaram. Antes de mais nada: a nova versão do hatch não terá o motor 1.2 tricilíndrico turbo, capaz de gerar 130 cv, equipando suas versões mais requintadas - como toda a nação de adoradores da marca esperava.

Em compensação, o 208 chegará no Brasil com uma versão 100% elétrica, mas na variante esportiva. O 208 GT, antes equipado com o pujante motor 1.6 THP, turbo, de 165 cv, dá adeus ao novo cofre do motor. Rebatizada de 208 e-GT, ela é uma das benesses que a plataforma multi-modular CMP traz para a nova geração. Segundo a marca, faz de 0 a 100 km/h em 8,1s, com 26,5 kgfm de torque e 136 cavalos de potência.

Será lançada em conjunto com as opções "normais", que estrearão com um velho conhecido, o 1.6 16V flex, que gera 118 cv com etanol e 115 cv com gasolina, e 16,1 mkgf de torque com ambos os combustíveis. A única opção de transmissão é a automática, Aisin, de 6 marchas com conversor de torque.

Passada a decepção com a ausência de um propulsor turbo, capaz de encarar em eficiência energética concorrentes mais famosos como Volkswagen Polo (200TSI, Comfortline e Highline) e Chevrolet Onix Turbo (nas versões LT, LTZ e Premier), vale a pena olhá-lo com calma.

Mas antes, é bom explicar a ausência até do 1.2 aspirado para a versão básica do portfólio. Com a escalada de valores do dólar já durante o desenvolvimento, e como o conjunto é importado, ficaria difícil para manter uma equação razoável de custos no novo carro. E isso serve também para a opção turbo, disponível na Europa. Num exercício sem querer de futurologia, a Peugeot se esquivou de ter de bancar partes do carro com o dólar ainda mais galopante.

Fabricado na sede de El Palomar, Argentina, ele estará disponível em quatro versões, Like, Activ, Allure e Griffe - a planta de Porto Real, no RJ, se concentrará em fabricar novos modelos Citroen em 2021.

Na avaliação, testamos a Griffe, topo de linha, que vem com todos os equipamentos da lista e deve ter preço (ainda não confirmado oficialmente) na casa dos R$ 84 mil. A versão de entrada, Like, não deve sair por menos de R$ 65 mil, lembrando sempre que todas são equipadas com o mesmo motor 1.6.

Por fora, o impacto inicial é inevitável. No carro avaliado, o 208 surpreende pela sensação de qualidade e cuidados com o estilo. Mantendo o entre-eixos de 2,54 m, ele cresceu 9 cm no comprimento para contemplar o desenho ousado: passou de 3,97 m para 4,06 m de comprimento.

Na dianteira recebeu para-choques maior e, nesta versão, traz um conjunto de iluminação de LED com tecnologia inteligente, que entende quando há um carro vindo em direção contrário e abaixa o facho de luz para que não se ofusque a visão do outro motorista.

Há, ainda, uma grande fenda que abriga a luz de condução diurna e realça o estilo futurista do 208. A grade frontal, pintada na cor preta brilhante, recebeu pequenos pontos cromados e não esconde a genética advinda dos irmãos 3008 e 5008.

Na traseira, uma faixa acrílica emeda as duas lanternas, que também ganharam tecnologia de LED e tem o formato de três "arranhadas" de garras de leão. Na peça, há uma pequena abertura para o encaixe da mão e o acionamento elétrico da tampa do porta-malas.

Ali, no espaço para bagagens, mais uma frustração: a capacidade volumétrica passou de 285 litros, para 265 litros. Segundo a marca, o espaço perdido foi para que o interior fosse privilegiado, algo que não é constatado à plenitude quando você senta no banco traseiro. O revestimento dos assentos é feito com couro e alcântara, mas é um revestimento feito a zíper, não como uma costura feita sobre a espuma.

Nesta versão, aliás, equipada com teto solar panorâmico, pessoas com mais de 1,80 m terão de abaixar a sua cabeça para passear no assento traseiro. Apesar do ressalto interno feito justamente para dar mais ergonomia ao espaço, ainda está longe de ser uma mudança notável.

Peugeot - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Por ali também não há saídas de ar-condicionado, tampouco entradas USB para carregamento de celulares. Entrada e saída são dificultadas pelo pequeno ângulo de abertura das portas traseiras e por uma peça plástica que reveste a base lateral interna da carroceria.

A marca parece que preferiu privilegiar mesmo quem dirige. Ao volante, a posição de guiar permanece agradável para quem curte a criação i-Cockpit 3D, que estreou no 208 da geração anterior (que não será mais produzida, diga-se).

O volante pequeno e em uma posição mais baixa que o habitual recapitula a maneira de guiar do antecessor. E, apesar de um tanto desconfortável para quem é mais alto ou gosta de uma tocada mais esportiva, permite com que se aprecie melhor algumas outras novidades.

Uma delas é o painel digital em 3D, único na categoria. A visão tridimensional é fruto de um sistema simples, que contempla duas telas em conjunto, uma no lugar habitual, e outra na parte de cima do quadro de instrumentos, que gera imagens que são refletidas no painel propriamente dito. Contudo, nessa missão de rodagem, a influência do sol impossibilitou uma leitura clara em alguns momentos, especialmente se você estiver com a cortina do teto panorâmico aberta.

A central multimídia de 7" ganhou um novo posicionamento e ficou levemente voltada ao motorista. Por ali você pode parear seu celular com Android Auto e Apple CarPlay, comandar funções de áudio e do ar-condicionado digital, e usar duas entradas USB, para carregamento ou espelhamento do celular. Um pouco abaixo, ele repete o estilo teclas de piano, já vista nos irmãos 3008 e 5008, para funções do climatizador, pisca-alerta, travamento central e desembaçadores.

O câmbio fica em boa posição e tem a tela que informa sobre qual posição se está posicionada ao lado do porta-objetos, e não na grelha da alavanca. Na versão Griffe há também carregamento do celular por indução, outra novidade que estreia na linha, assim como a câmera de ré com visão 360 graus.

O 208 traz sistema de destravamento sem chave e partida por botão. Ao dirigir fica nítida a intenção de transformá-lo em um carro mais silencioso, fruto também da plataforma CMP, e também com menos interferências na cabine sobre o que se passa no asfalto. A percepção de desempenho também pode ser programada, já que há funções ECO, para economia de combustível, e Sport, onde um mapa mais "esperto" dá as cartas na atuação de motor e câmbio.

Ao lado dos botões de condução, você também pode acionar o monitoramento de permanência em faixa, que faz pequenas correções autônomas na direção, e também lhe avisa quando você insiste em transitar por elas sem acionar a seta.

Peugeot - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Na hora de dirigir pelas monótonas retas argentinas, a primeira percepção é de que falta um pouco de força ao conjunto. Mas, nas poucas curvas que tivemos pelo caminho, há a impressão nítida de que o conjunto sobra frente ao que há sob o capô.

A carroceria inclina pouco, o ESP não é dos mais intrusivos e a sensação de "carro na mão" é mais latente do que era na geração anterior, apesar de ele preservar o mesmo conjunto de McPherson no eixo dianteiro e eixo de torção na porção traseira.

Isso se dá, em suma, pela utilização dessa mesma base na versão elétrica, que fará as vezes de opção esportiva, oferecendo até 136 cv e ótimos 26,7 mkgf de torque. Deve desembarcar no Brasil para vendas até o fim de 2020, mas não espere pagar menos de R$ 125 mil por ela.