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Por que marcas criam "séries especiais" de um carro e quando valem a pena

Renault Captur Bose tem como únicos diferenciais o sistema de som da marca premium e uma cor exclusiva da carroceria - Divulgação/Renault
Renault Captur Bose tem como únicos diferenciais o sistema de som da marca premium e uma cor exclusiva da carroceria
Imagem: Divulgação/Renault

Thiago Lasco

Do UOL, em São Paulo

03/03/2020 04h00

A novidade reaparece de tempos em tempos. Ao lado das versões que compõem a gama de um modelo, as montadoras criam séries especiais, vendidas por tempo limitado. Há vários pretextos que podem servir de gancho: comemorações (1 milhão de unidades produzidas), torneios esportivos (Copa do Mundo, olimpíada) e até eventos como festivais de música.

Na maior parte dos casos, a série especial é baseada em uma versão intermediária, e recebe equipamentos que só seriam oferecidos no catálogo de topo, por um preço bem maior. Para o consumidor, esse é o chamariz: uma relação custo-benefício atrativa e, de quebra, uma sensação de exclusividade. Mas o que está por trás dessas edições?

Para os fabricantes, esse pode ser um artifício útil para chamar a atenção para modelos que, já na metade do seu ciclo de vida, já não estão mais tão em evidência. "A montadora faz o consumidor lembrar que aquele carro existe", diz o consultor Paulo Roberto Garbossa, da ADK Automotive. "E a ideia não é nova: modelos muito antigos como Renault Dauphine e Dodge Charger já tinham essas edições."

Existem outras razões estratégicas, invisíveis para o público. "Essas séries podem adequar o posicionamento do modelo frente aos concorrentes ou até ajudar a esvaziar o estoque específico de algum equipamento", explica o consultor Milad Kalume Neto, da Jato Dynamics.

No caso das séries ligadas a festivais musicais, caso de Chevrolet Onix Lollapalooza e VW Fox Rock in Rio, o que ocorre é uma jogada de marketing em que ambas as marcas - a do carro e a do evento - ganham com a exposição.

Série especial nem sempre vale a pena

Para Kalume Neto, nem todas as séries especiais são atraentes. "As realmente interessantes são as que trazem alguma inovação de fato em relação ao produto original, como alterações de performance. Mas muitas trazem apenas enfeites visuais, sem relevância técnica", ele lamenta.

Na maior parte dos casos, em que as mudanças incluem apenas adornos estéticos e um conteúdo mais incrementado, o consumidor do modelo zero-km acaba lucrando ao adquirir os itens extras por um preço menor. Nem sempre, porém, essa vantagem vai se repetir na hora de passar o carro adiante.

O mais comum é que o valor de revenda seja o da versão básica da qual a série especial derivou. "Mas, se forem comparados dois exemplares do modelo, um do catálogo original e outro da série especial, o último levará vantagem no desempate por ser mais equipado", conclui Kalume Neto.

Garbossa acrescenta que há algumas séries especiais que se tornam verdadeiros micos. "É o caso daquelas que trazem detalhes de difícil assimilação, que não caíram no gosto do consumidor. Pode ser uma cor mais extravagante, um aplique externo chamativo, ou um acabamento inusitado, como bancos com tecido com padrão pied-de-poule", por exemplo.