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Tabela Fipe: como funciona e o que você precisa saber para comprar um carro

Luiz Carlos Murauskas
Imagem: Luiz Carlos Murauskas

Daniel Leite

Colaboração para o UOL

18/01/2020 04h00

Com a boa expectativa de comercialização de veículos em 2020, em continuidade à melhora do mercado no ano passado, é importante saber como funciona a definição dos valores pela Tabela Fipe para negociar não só a aquisição ou venda, mas também na hora de contratar um seguro.

Quem quer saber quanto custa um veículo novo ou usado fatalmente procura a tabela da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que todo mês, desde janeiro de 2001, faz uma tomada de preços em todas as regiões do país para chegar a um valor médio ao consumidor final.

A relação traz dados de carros ou utilitários produzidos a partir de 1985. No caso de caminhões e micro-ônibus, são informações de veículos feitos a partir de 1981. Já para motos, triciclos e quadriciclos, é a partir de 1990.

No caso dos 0km, são avaliados os modelos básicos, intermediários e completos. Já os preços para as vendas chamadas de "especiais", como blindados, personalizados e para governos, por exemplo, não são utilizados como parâmetro na pesquisa. Também não entram marcas não consolidadas no mercado, veículos de teste ou de fabricação própria.

"Não é feita nenhuma análise, nenhum comparativo, nenhum estudo sobre esses preços coletados. É uma tabela de preços somente, com uma média do Brasil", disse Eduardo Lima, gerente de produtos da Fipe.

Para a cidade de São Paulo, os valores dos veículos costumam ser menores do que os da Fipe, entre 8% e 10%, lembra o CEO da Carflix, uma plataforma de compra e venda de carros usados que comercializa 150 unidades ao mês.

"Tem muita gente do sul que compra em São Paulo para vender, onde tem menos oferta e os preços são mais altos. Na verdade, o que nós mais olhamos é o preço de mercado, de venda. Ele é mais informal. A gente olha os preços de anúncios na internet, divulgados nos meios de comunicação", diz Fábio Pinto.

O administrador Luis Ferreira viu seu Palio 2010, modelo 2011, perder pouco preço de mercado ao consultar a tabela Fipe. De dezembro para janeiro, ficou R$ 87 mais barato. Na hora de negociar com a concessionária como entrada para um carro novo, também 1.0, viu que o seu desvalorizou muito. "Eu perderia uns R$ 4 mil no valor do Palio. Vou tentar mais uma negociação ou vender particular, que demora mais".

Apesar de não ser uma obrigação lojistas e consumidores seguirem a Fipe, em alguns casos ela passa a ser a referência definida por lei. A famosa tabela é utilizada pelas seguradoras em caso de perda total do veículo, por exemplo.

"Vira obrigação se estiver estabelecido na apólice. Com base naquilo que você contratou, a partir desse momento, na hipótese de uma indenização, a companhia seguradora tem que pagar com base na Fipe", explica André Soares, presidente da Comissão de Direito Securitário da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais. "Ajuda as pessoas, até para que não sejam enganadas", complementa.

Independentemente da referência, a conversa informal entre comprador e vendedor na tentativa de chegar a um valor do veículo uma hora precisa ser registrada para o consumidor não sair prejudicado. O lojista pode variar o preço de um dia para outro, por exemplo.

Mas, se for dada entrada na documentação, não é possível mais alterar o valor do veículo, segundo José Pablo Cortês, presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da OAB-SP. "Se iniciou uma negociação firme, houve proposta e aceitação da outra parte, o preço já não pode mais variar. O consumidor deve pedir para registrar a proposta. Cabe ao consumidor não ceder ao negócio se as premissas estabelecidas anteriormente não forem respeitadas.

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