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VW vendeu carros incompletos, que deveriam ser destruídos, a clientes

Torre de carros novos da Volkswagen próxima à fábrica de Wolfsburg, na Alemanha - Christian Charisius/Reuters
Torre de carros novos da Volkswagen próxima à fábrica de Wolfsburg, na Alemanha
Imagem: Christian Charisius/Reuters

Do UOL, em São Paulo (SP)

12/12/2018 13h18

Imprensa alemã aponta que 17 mil unidades "pré-série" podem ter ido parar em garagens de pessoas comuns. Justiça analisa

Mal resolveu o escândalo do "dieselgate" (a fraude tecnológica de motores, que poluíam mais na vida real do que em testes), a Volkswagen pode ter de lidar com implicações comerciais e judiciais de outro caso. Segundo a imprensa alemã, a marca vendeu 6.700 veículos de teste (conhecidos como "modelos pré-série"), como se fossem carros usados, a consumidores comuns da Europa e dos EUA.

Esse número de unidades "pré-série" teria sido confirmado por relato de um porta-voz da própria Volkswagem, segundo o diário alemão "Handelsblatt". No entanto, o total de carros nestas condições colocados à venda pode ser ainda maior, passando de 17 mil unidades. Este é o total apontado pela revista semanal "Der Spiegel", uma das publicações mais respeitadas do país.   

Esse "erro gigantesco", segundo o "Handelsblatt", seria do conhecimento do presidente-executivo do Grupo Volkswagen, Herbert Diess, desde 2016, mas só agora foi revelado. Dos 6.700 carros apontados pela VW e que foram recolhidos, 4 mil foram comercializados entre 2016 e 2018.

Segundo a empresa, a falha não afeta modelos de outras marcas do grupo (Audi, Seat, Skoda, Bugatti, Bentley, além de Porsche, entre outras), apenas da Volkswagen. Resta, porém, a dúvida sobre a existência ou não de outros 10 mil carros nestas condições.  

As autoridades alemãs estão agora decidindo como lidar com a questão, e se a montadora será processada e/ou multada: "Veículos de pré-produção foram feitos para 'testar e mostrar' os novos modelos antes da produção em série oficial, e eles deveriam ter sido descartados por não estarem oficialmente autorizados a estar na estrada". Autoridades americanas ainda não se pronunciaram sobre o caso.

"Pré-série": esse Nissan Note de teste deu origem ao Kicks. Você o compraria como "usado"? - Murilo Góes/UOL
"Pré-série": esse Nissan Note de teste deu origem ao Kicks. Você o compraria como "usado"?
Imagem: Murilo Góes/UOL

O que é "pré-série"

Um carro "pré-série" (ou de pré produção) é um veículo de teste, que serve para calibragem da linha de fabricação. É a partir da montagem destas unidades, com uma série de análises de erros e acertos, que uma fabricante alinha os detalhes produção de milhares de unidades em ritmo comercial.

Carros "pré-série" costumam ser aplicados, também, em testes de rodagem, tanto por engenheiros, quanto por funcionários das fábricas e também de empresas de auto-peças.

Não é raro, também, que modelos "pré-série" sejam testados por jornalistas especializados, para que tenham suas primeiras impressões sobre modelos que ainda levarão algum tempo para chegarem às lojas. UOL Carros, por exemplo, participou de testes deste tipo com modelos como Citroën C4 Cactus quatro meses antes do lançamento, bem como com o Volkswagen T-Cross europeu, meses antes da revelação.

Nestes casos, termos de conduta são assinados por ambas partes, uma vez que o modelo está inacabado: muito do que é visto ali não está totalmente apto ao uso rotineiro, às vezes com bancos e revestimentos incompletos, bem como com equipamentos periféricos faltando. Há, inclusive, diferenças grandes no visual externo, o que por vezes leva ao uso de camuflagem, mesmo que o veículo já tenha seu visual final revelado.

UOL Carros também já relatou o destino de unidades "pré-série", na reportagem especial "Como nasce um carro", premiada como melhor do país em 2018: são destruídas após o término do ciclo de testes, uma vez que configuram, em si, segredos industriais. 

Causa até estranheza que unidades nestas condições tenham sido comercializadas, mesmo com o rótulo de "carro usado". A própria Volkswagen alegou, segundo o relato da mídia alemã, que recolheu as 6.700 unidades por "preocupações de segurança", uma vez que as diferenças para um modelo de produção "tornar mais difícil mantê-los a longo prazo".

Como desculpa, a empresa teria afirmado que, supostamente, "não havia documentação clara sobre a variação de cada carro em particular da produção em série", o que teria provocado a confusão interna de estoques.

Este é um T-Cross alemão "pré-série"; unidade foi testada por UOL Carros em agosto - Divulgação
Este é um T-Cross alemão "pré-série"; unidade foi testada por UOL Carros em agosto
Imagem: Divulgação

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