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Indústria de carros quer renovação da frota para "salvar" 2016

Ideia é sucatear carro com mais de 15 anos e dar bônus para 0 km. Falta a verba - José Luís da Conceição/UOL
Ideia é sucatear carro com mais de 15 anos e dar bônus para 0 km. Falta a verba Imagem: José Luís da Conceição/UOL

Fernando Calmon

Colunista do UOL

15/01/2016 07h00

Previsões para o mercado interno de veículos (incluídos leves e pesados) em 2016 são desanimadoras. Todos os números, qualquer que seja a fonte, permanecem negativos. Fenabrave (associação de lojistas) espera menos 5,9%; Anfavea (que reúne as fabricantes), menos 7,5%;  e a média em uma pesquisa entre jornalistas do setor, menos 9,4%. Produção deve ficar estagnada, apesar de previstos 8% de aumento nas exportações.

Ainda assim, Fenabrave está otimista quanto ao anúncio em breve do plano de renovação de frota. O maior problema é encontrar sustentação financeira, pois o governo federal permanece exaurido no seu balanço fiscal.

Para caminhões com mais de 30 anos a ideia é trocar por outro menos usado. Quanto a automóveis e motos com mais de 15 anos, é partir para um zero-quilômetro. O carro seria reciclado ou sucateado e o interessado receberia um crédito.

Em planos semelhantes, na Europa e Estados Unidos, os governos sempre entraram com dinheiro para estimular o consumidor. Também no exterior há inspeção técnica veicular (emissões e de segurança) e toda uma cadeia de reciclagem. Essa infraestrutura, praticamente inexiste aqui. O ministro Armando Monteiro acenou que algo sairá da cartola. Tomara que não seja um coelho...

Barack Obama durante discurso a respeito da diminuição do consumo de combustíveis - AFP - AFP
Uma das primeiras medidas de Barack Obama na Casa Branca, ainda no primeiro mandato, foi liberar de US$ 1 bilhão (R$ 2 bilhões à época, R$ 4 bi atualmente) em bônus para troca de carros "beberrões" ("cash-for-guzzlers bill", em inglês). Apesar do incentivo, o público não mudou muito de hábito
Imagem: AFP

Preços vão subir

Contrariamente ao esperado, o aumento nominal das tabelas ficou abaixo do índice de inflação (IPCA), sem contar bônus e descontos, segundo a Anfavea. Vários importadores deixaram de repassar a desvalorização cambial, mas certamente o farão este ano.

Quebra de escala de produção também deverá ser repassada aos preços este ano e talvez ultrapasse a inflação pela primeira vez em mais de 10 anos.