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Mercedes-Benz: "C feito no Brasil será flex sem deixar de ser carro alemão"

Eugênio Augusto Brito

Do UOL, em Detroit (EUA)

17/01/2014 07h00

O Salão de Detroit serviu para que a alemã Mercedes-Benz apresentasse sua principal novidade dos últimos tempos, a nova geração do sedã Classe C (houve espaço ainda para o jipinho esportivo GLA 45 AMG), mas também gerou uma dúvida: qual o próximo passo? Pois temos a resposta, que na verdade são duas: agora é a vez do desenvolvimento local do Classe C, o que no Brasil quer dizer produção caseira e motor flex. E também a apresentação do quinto e último membro da família compacta, que será uma "quase-perua".

UOL Carros conversou com Carsten Oder, vice-presidente mundial para marketing de produtos da Mercedes e ex-presidente da marca para Portugal. Se desculpando por precisar "desenferrujar o português", o executivo nos contou em inglês qual a gama da primeira encarnação do novo Classe C para o Brasil, ainda como modelo importado (C180, 1.6 turbo a gasolina, 158 cavalos, 25,5 kgfm; C200, 2.0 turbo a gasolina, 186 cv e 30,6 kgfm; e, por fim, um C250 com pacote AMG). E também a informação sobre a futura configuração bicombustível, ao ser confrontado com os avanços da rival BMW com seu motor turboflex no 320i:

"Também estamos trabalhando em configurações necessárias para o mercado brasileiro e teremos o C180 como modelo flex em um ano", afirmou. Embora seja o menor motor da linha da Mercedes, torná-lo flexível é a escolha óbvia, do ponto de vista de operação. Afinal, além de equipar o Classe C, também é o propulsor básico da linha compacta, que terá um modelo sendo feito no Brasil, o GLA.       

A indicação de que o menor motor será flex não indica, porém, que esta será a única opção flex. Mas, certamente, causará algum furor neste primeiro momento: a BMW trabalha com um motor maior (2.0 de 184 cv), de cara, e brasileiro ainda escolhe carro pelo maior numeral. Oder afirma, porém, que a decisão é técnica e segue todos os padrões da matriz em Stuttgart (Alemanha), que seguirá sendo a principal responsável pela escolha e desenvolvimento dos modelos, mesmo que estes sejam fabricados no Brasil.

Segundo o executivo, este é o principal diferencial da marca: "Você não compra e não vai comprar nosso carro porque ele é ou será feito no Brasil. Você o compra porque ele é alemão, tem tecnologia feita por engenheiros alemães. Vamos manter isso".

  • Divulgação

    Carsten Oder (na foto, em evento em Portugal): "Compram nossos carros porque são alemães".

PREÇO É JOGO COLETIVO
Oder também rebateu críticas de bastidores apontando que a meta de vender cerca de 30 mil carros anuais, quando a fábrica brasileira estiver totalmente operacional, é ilusória, uma vez que o mercado nacional não tem capacidade de consumir sequer parte dessa quantidade de todas as marcas premium somadas. Para o alemão, a meta é plausível, pois o mercado estará "mais maduro" em dois ou três anos, justamente por conta dos novos concorrentes.

"Acreditamos na capacidade da nossa fábrica e dos nosso produtos e também acreditamos no mercado brasileiro", disse Oder. "Além disso, estamos falando de negócios: nossos investimentos geram outros investimentos, fazem o dinheiro girar, melhoram o desempenho da economia, aumentam a autoestima e mudam padrões".

Padrões novos incluiriam preços menores, esta é uma questão a ser dividida com toda a sociedade. "A questão dos preços não depende apenas da oferta, mas de uma competição saudável e, claro, de incentivos", dividiu o executivo, para depois isolar: "Além do mais, estamos falando de novos nichos de mercado, estamos criando novas categorias e, com isso, novas faixas de preço".

QUASE-PERUA
Qual será o próximo e último integrante da família compacta? "Tivemos o multifuncional Classe B; depois um hatch clássico com o novo Classe A; um sedã com perfil de cupê e tocada esportiva, herdeiro de formas do CLS, que é o CLA e, por fim, um modelo mais urbano, mas de porte, o GLA", enumerou Oder. "Fica fácil saber o que falta na equação: um veículo que ofereça mais espaço para a família, que tenha um bom porta-malas e que não perca essa característica jovem, esportiva", afirmou. Alguns tipos de veículos cabem nesta definição e você pode citar qualquer um... exceto perua.

"Eu não usaria o termo perua [station wagon]. Soa antiquado, um carro com porta-malas grande, mas que não oferece mais conforto para a família necessariamente, nem tem um aspecto jovial", renegou o executivo. "Os ingleses adoram o termo Shooting Brake e o usamos com o CLS".

Faz sentido, ainda que seja puro marketing: se o CLA é um mini-CLS, uma nova variação pode ser um mini-Shooting Brake. E para saber se o carro é ou não uma... (que ninguém da Mercedes nos ouça)... perua, basta ver as fotos.