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Brasil poderia seguir EUA e retomar pacto por economia de combustível

Na imagem, Obama discursa em reunião de definição de novas metas de consumo nos Estados Unidos sob olhares de executivos da Honda (John Mendel, primeiro à esquerda), Volvo (Doug Speck), Ford (Alan Mulally) e GM (Dan Akerson). País busca reduzir dependência de gasolina - REUTERS/Jason Reed
Na imagem, Obama discursa em reunião de definição de novas metas de consumo nos Estados Unidos sob olhares de executivos da Honda (John Mendel, primeiro à esquerda), Volvo (Doug Speck), Ford (Alan Mulally) e GM (Dan Akerson). País busca reduzir dependência de gasolina Imagem: REUTERS/Jason Reed

FERNANDO CALMON

Colunista de UOL Carros

09/08/2011 18h34

Há pouco mais de 25 anos, o Brasil teve um programa de economia de combustível muito interessante. A Secretaria de Tecnologia Industrial, vinculada ao então Ministério da Indústria e Comércio, propôs uma espécie de pacto para que todos os fabricantes aqui instalados, em meados dos anos 1980, melhorassem a eficiência dos motores e, por consequência, o consumo de etanol e de gasolina.

Batizado singelamente de Programa de Economia de Combustíveis (Peco), alcançou sucesso nos três anos em que vigorou. Os quatro fabricantes da época -- Fiat, Ford, GM e Volkswagen -- cumpriram as metas de redução de 5% do consumo. A cartilha Escolha Certo listava todos os modelos à venda e as metas, ano a ano. Numa época em que ainda não existia o Código de Defesa do Consumidor, criado em 11 de setembro de 1990, foi uma iniciativa importante em favor dos proprietários de automóveis.

O Peco se inspirou em programa semelhante iniciado nos EUA, em 1973, gerado pelo primeiro choque dos preços de petróleo. Lá se criou a CAFE, sigla em inglês para Média Corporativa de Consumo de Combustível, em tradução adaptada. Fabricantes deviam cumprir metas de redução de consumo para a média de todos os modelos à venda.

  • Divulgação

    Brasil já teve programa de eficiência para carros a álcool e a gasolina nos anos 1980, com participação de Fiat, Volks, Chevrolet e Ford

Os EUA sempre usaram combustíveis com incidência muito baixa de imposto, ao contrário da Europa, Japão e outros países dependentes de petróleo importado. Agora, querem diminuir drasticamente a sua vulnerabilidade. Além disso, o único modo de combater a emissão de gás carbônico (CO2), principal vilão do efeito estufa e de aquecimento do planeta, é diminuir o consumo de combustíveis fósseis (gasolina e diesel). Assim, ao mesmo tempo, atende as preocupações ambientais.

Uma estratégia seria aumentar o imposto sobre os combustíveis. Outra, a escolhida, impor metas de eficiência aos veículos. A CAFE atual já exige aumento da autonomia de 11,5 km/l para 15 km/l, até 2016. O governo acaba de aprovar uma meta bastante ousada. De 2017 até 2025, a média dos automóveis terá que melhorar para nada menos que 23 km/l. Trata-se de uma revolução nos padrões americanos: ganho de 5% ao ano. Por pressão das marcas de Detroit, picapes e utilitários foram aquinhoados com metas menores.

Outros fabricantes e importadores acabaram concordando. Volkswagen/Audi e Mercedes-Benz protestaram por aliviar os modelos mais pesados e gastadores, além de desestimular motores a diesel. Esqueceram que estes são caros e só se viabilizam com preços elevados de combustíveis, execrados pelos clientes. A BMW, ao contrário, apoiou a decisão.

O governo calcula que cada veículo acumulará, em média, US$ 8 mil (R$ 13 mil) de economia com combustível até 2025. Porém, reconhece que os automóveis podem encarecer mais do que esse valor e aceitou reavaliar. Em 2018, analisará os impactos nos custos de produção e nas vendas (os carros deverão ficar menores), além das dificuldades tecnológicas e até de segurança passiva.

É chegado o momento também de ressuscitar o Peco brasileiro, em benefício do consumidor. O programa, com metas menos radicais e compensações fiscais já previstas, poderia melhorar a eficiência dos motores e dos veículos em prazos negociados e passíveis de revisão.

Siga o colunista: www.twitter.com/fernandocalmon
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MERCADO
Ritmo
das vendas caiu em julho. No final do primeiro semestre, a expansão era de 10% em relação a 2010. Já nos primeiros sete meses, havia se reduzido para 8,6%. Resultado se alinha às previsões da Anfavea, de aumento de 5% sobre o resultado do ano passado. Estoques continuaram a subir: de 33 dias em junho, para 36 dias, em julho, 20% acima do ideal.

INCENTIVO
Governo
 Federal anunciou novo regime automobilístico para estimular produção nacional, eficiência e inovação. Na verdade, não definiu o que entende por inovação, deixando mais dúvidas do que certezas no ar. Valerá por um prazo de cinco anos e trará incentivos fiscais dentro da longa cadeia produtiva do setor. Objetivo: controlar custos e recuperar capacidade exportadora.

FWD
Ford
oferece, desde maio, o Fusion mexicano com tração apenas dianteira por R$ 94.360,00 ou R$ 9.000,00 abaixo da versão com tração integral. O médio-grande ficou mais leve e o motor V6/243 cv proporciona boa agilidade. Mas sem a emoção de um turbo moderno, como o Ecoboost de até 340 cv. Sistema de comunicação Sync é ponto alto. Falta memória de ajuste do banco elétrico do motorista.

FAMILIAR
Preço
convidativo,  R$ 58.800 (versão de cinco lugares) e R$ 1.000 a mais, sete lugares, deixa o JAC J6 muito bem posicionado dentro da limitada oferta de monovolumes médios. Estilo, espaço interno, visibilidade e acabamento razoável (acima da média para modelos chineses nessa faixa de preço) destacam-se. Deve um motor algo mais potente. Suspensão, um pouco ruidosa.

ALTO NÍVEL
Congresso
Fenabrave (23 a 25/11), em sua 21ª edição, recepcionará outro alto executivo para a palestra magna, em São Paulo. No ano passado, Sergio Marchionne, da Fiat-Chrysler e este ano, Philippe Varin, principal executivo mundial do Grupo PSA Peugeot Citroën.