PUBLICIDADE
Topo

Acessório ajuda a vender, mas não valoriza motocicleta seminova

Carlos Bazela

Da Infomoto

11/06/2014 18h45

Seja um bauleto para facilitar a vida de quem transporta volumes ou mesmo uma ponteira de escape para deixar a moto mais esportiva: realizar modificações na motocicleta pode ser um diferencial que ajude na hora da revenda. Mas quem pensa em cobrar mais por isso, é bom rever a tática. "Acessórios ajudam a vender, mas não incrementam o valor", afirma Humberto Cury, consultor de vendas da B.G. Motos, revenda multimarcas de São Paulo (SP).

Segundo Cury, a perda é de pelo menos 70% -- quando não de 100% -- do valor investido no acessório, especialmente para modelos de baixa cilindrada, o que é ainda mais cruel. "Em moto pequena não se coloca nada. Até bauleto, só mesmo motoboy tem interesse em comprar já com ele", comenta. Entretanto, o consultor também revela que o acessório condizente com a moto ajuda na hora de passá-la a frente. "Tem que ser original e no padrão da moto. No caso de uma BMW R 1200 GS, por exemplo, as malas têm que ser as rígidas, prateadas", enfatiza.

Marcos Monteiro, gerente comercial da Honda, que atualmente desenvolve uma linha de acessórios originais para a linha CB 500, concorda. "Os acessórios têm um papel importante na relação moto versus valor de revenda. No mercado das trail, eles são diferenciais e agregam valor, como por exemplo, malas e equipamentos para viagem", conclui o executivo, sem entrar em detalhes sobre a questão do comprador pagar a mais por eles ou não.

NEM HARLEY ESCAPA
Mesmo com modelos da Harley-Davidson, marca famosa por incentivar a personalização de suas motos (o que, inclusive, gerou à empresa receita global de US$ 169,3 milhões em 2013), o cenário é o mesmo. "Ter acessório na moto é tão bom quanto ruim" comenta Antonio Pimenta, da Phd Pimenta, loja da zona norte de São Paulo que trabalha com modelos da marca desde 1983.

Acessórios para motos - Divulgação - Divulgação
Use acessórios que possam ser retirados na revenda
Imagem: Divulgação
De acordo com Pimenta, além do proprietário não poder cobrar a mais por eles, os acessórios podem fazer com que a moto demore mais para achar comprador. "A gente coloca os acessórios de acordo com o nosso gosto, com a nossa cabeça. Então, precisa esperar aparecer alguém com a mesma mentalidade para querer comprar", explica. Já entre os equipamentos que podem ajudar na revenda, Pimenta indica que a prioridade são os utilitários, como protetor de motor e encosto para a garupa. "O sissy bar acaba sendo útil, afinal o público da Harley costuma ter mais de 35 anos e gosta de levar namorada ou esposa na garupa", comenta.

EQUIPAR OU NÃO?
Para o motociclista que pretende investir em modificações para deixar a moto com "sua cara", ambos os lojistas são unânimes."O ideal é comprar um acessório que o dono possa retirar e instalar em uma próxima moto", comenta Cury. Ele também enfatiza que, quando for substituir as peças, o ideal é sempre guardar os itens originais ou, pelo menos, oferecê-los junto com a moto na hora da revenda, para que ela fique o mais próximo do produto original.