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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

O adeus de Valentino Rossi, sem Marc Márquez

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Imagem: Divulgação
Roberto Agresti

Sobre o Autor - Roberto Agresti dirigiu durante mais de 30 anos revistas especializadas em motocicletas. Cobriu corridas da MotoGP, do Mundial de Motocross, de Enduro e um inesquecível Paris-Dakar na África. É comentarista da rádio CBN, onde desde 2014 tem o CBN Moto, onde fala sobre motociclismo em rede nacional.

Colunista do UOL

16/11/2021 17h42

Domingo passado aconteceu o adeus do maior ídolo que o esporte da motocicleta deu ao mundo, Valentino Rossi. Em sua última corrida ao guidão de uma MotoGP - salvo improvável marcha a ré na decisão -, não faltou festa, emoção e flashbacks.

Arquibancadas cheias e tingidas de amarelo, a cor favorita de Rossi, serviram de moldura para um décimo lugar, posição que tendo em vista o altíssimo nível da MotoGP atual, coalhada de jovens talentos na casa dos 20 anos de idade, diz muito sobre o desempenho ainda decente do tiozinho de quase 43.

Rossi participou do mundial de motovelocidade de 1996 até este finado 2021, 26 temporadas completas, e entre sua primeira vitória na categoria 125 e a última na MotoGP, se passaram praticamente 21 anos. Duas décadas no topo é uma marca que vai demorar para ser batida, se for.

A frieza dos números, a excepcional estatística que envolve a carreira de Valentino, faz dele o maior de todos os tempos na era moderna do motociclismo, mas neste panorama há um ano "engasgado", o de 2015, no qual Rossi diz que o título mundial lhe foi roubado por Marc Márquez.

Naquele ano o campeão acabou sendo o companheiro de time de Rossi, o espanhol Jorge Lorenzo, aliás um dos mais duros rivais do italiano. Mas a "bronca" é com Márquez, que sem meias palavras Rossi acusa de ter jogado sujo para favorecer o compatriota.

Segundo Rossi, o que aconteceu no GP da Malásia de 2015, penúltimo do ano, foi uma sujeira. Márquez já estava fora da briga pelo título, mas no começo do GP, apesar de mais rápido que Rossi, então 3º, fez questão de se plantar à frente do italiano enquanto Lorenzo ganhava terreno. Uma "espanholada" que Valentino nunca engoliu, dizendo que o código de honra das competições foi ferido por Márquez.

Quis o destino que o desafeto Marc Márquez fosse privado de participar da corrida "The End" da carreira de Rossi, pois mais um tombo em treinos colocou o espanhol no estaleiro. Ausência sentida pelos fãs do esporte, mas não tanto pelos fãs de Rossi, que mesmo sem vencer corridas desde 2017 (e título mundial desde 2009), é o piloto com maior número de seguidores, disparado.

Com o fim da carreira do ídolo, certamente o amarelo nas arquibancadas vai diminuir, a ausência do nº 46 nas pistas afastará seguidores da categoria, mas os feitos do piloto de Tavullia, filho de Graziano Rossi - também piloto de motovelocidade e 5º colocado no Mundial das 500cc em 1980 -, entraram para a história.

Abaixo, coloco alguns frios números que podem dar a dimensão (como se fosse necessário...) do brilho de Valentino Rossi no universo do esporte a motor. Todavia, o mais importante feito deste piloto foi ter sido o melhor garoto propaganda que o motociclismo jamais teve, e que Marc Márquez, pois mais vitorioso que seja, nunca será. Grazie Vale!

TÍTULOS - 9 (7 MotoGP/500cc, 1 250cc e 1 125cc)
VITÓRIAS - 115 (89 MotoGP/500cc, 14 250cc e 12 125cc)
2ºs LUGARES - 67 (61 MotoGP/500cc, 5 250cc, 1 125cc)
3ºs LUGARES - 53 (49 MotoGP/500cc, 2 250cc, 2 125cc)
PÓDIOS - 235 (199 MotoGP, 21 250cc e 15 125cc)
POLES - 65 (55 MotoGP, 5 250cc e 5 125cc)
VOLTAS MAIS RÁPIDAS - 96 (76 MotoGP/500cc, 11 250cc, 9 125cc)
GP DISPUTADOS - 432 ( 372 MotoGP/500cc, 30 250cc, 30 125cc)

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL