PUBLICIDADE
Topo

Motoesporte

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Marc Márquez: a carreira por um fio?

AFP PHOTO / Marco BERTORELLO
Imagem: AFP PHOTO / Marco BERTORELLO
Roberto Agresti

Sobre o Autor - Roberto Agresti dirigiu durante mais de 30 anos revistas especializadas em motocicletas. Cobriu corridas da MotoGP, do Mundial de Motocross, de Enduro e um inesquecível Paris-Dakar na África. É comentarista da rádio CBN, onde desde 2014 tem o CBN Moto, onde fala sobre motociclismo em rede nacional.

Colunista do UOL

11/11/2021 16h17

No final de semana que marca o final da temporada 2021 da MotoGP e o adeus às pistas de Valentino Rossi, seu arquirrival Marc Márquez não estará presente. Aliás, como já não esteve no final de semana passado, no GP do Algarve. Motivo? Um acidente em treinos, praticando motocross, que resultou em um trauma cuja consequência tem um nome técnico, diplopia, ou seja, visão dupla.

Dar uma cabeçada no chão e ver dobrado não é novidade na vida de Marc. Em 2011 aconteceu isso, também em um mês de outubro, só que em vez de estar fazendo motocross o piloto tomava parte dos treinos do GP da Malásia da categoria Moto2, na qual lutava pelo título com o alemão Stefan Bradl. Aquela chifrada no chão levou Márquez ao estaleiro por mais de quatro meses, e deixou o caminho livre para Bradl ser campeão.

  • O UOL Carros agora está no TikTok! Acompanhe vídeos divertidos, lançamentos e curiosidades sobre o universo automotivo.

A lesão atual é igual à de 2011 segundo comunicado do Dr. Sánchez Dalmau, oftalmologista que tratou Marc uma década atrás e faz o mesmo agora - "paralisia do quarto nervo ocular direito". Da primeira vez o piloto espanhol foi operado e voltou a pilotar em março de 2012, ano em que foi campeão da Moto2 com 14 pódios (nove vitórias!) em 17 corridas.

Agora, pelo que diz Dr. Dalmau, o tratamento será mais conservador. Nada de cirurgia por enquanto, apenas repouso e acompanhamento. E assim, depois de comprovar que o braço fraturado no começo da temporada de 2020 sarou bem (Marc venceu três corridas em 2021), um novo período de estaleiro se apresenta, justo em um momento no qual a Honda contava com ele para lançar as bases da RC 213V versão 2022.

Logo depois do GP deste fim de semana está agendado o primeiro teste oficial visando a preparação para temporada do ano que vem. São os notórios IRTA TEST (IRTA=International Racing Team Association) programados para Jerez de la Frontera dias 18 e 19 de novembro.

Sem Marc Márquez presente, a perspectiva para a equipe Honda não é nada boa. Em um ambiente no qual a disputa entre marcas se resolve na casa dos milésimos de segundo, não ter seu principal piloto para dar a largada no desenvolvimento de uma nova moto para a temporada seguinte representa um forte handicap.

Porém, pior do que não ter Márquez para dar início ao desenvolvimento da nova moto é a perspectiva de não tê-lo indefinidamente. O acidente de 2020 deixou sequelas, e como o próprio Márquez admite, seu braço direito ainda não está 100%. E agora tem mais essa, enxergar dobrado.

Nem Marc, nem a Honda e nem todo o ambiente ligado à MotoGP quer pensar na pior das hipóteses, a de que o hexacampeão da categoria seja obrigado a encerrar sua carreira por causa deste problema físico. Todavia, é necessário admitir que a recuperação deste problema é uma incógnita. Marc conseguiu superar o problema com 18 anos de idade, agora tem 28.

A temporada da MotoGP 2021 mal terminou e 2022 já começam com esta notícia ruim. Uma pena. Resta cruzar os dedos e torcer para que o trauma seja passageiro, e que voltemos a ter o excepcional talento de Marc Márquez intacto para animar os finais de semana da mais excitante categoria do esporte a motor do planeta.

Quer ler mais sobre o mundo automotivo e conversar com a gente a respeito? Participe do nosso grupo no Facebook! Um lugar para discussão, informação e troca de experiências entre os amantes de carros. Você também pode acompanhar a nossa cobertura no Instagram de UOL Carros.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL