PUBLICIDADE
Topo

Motoesporte

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

"El Diablo", o novo campeão da MotoGP, é um anjo

Divulgação
Imagem: Divulgação
Roberto Agresti

Sobre o Autor - Roberto Agresti dirigiu durante mais de 30 anos revistas especializadas em motocicletas. Cobriu corridas da MotoGP, do Mundial de Motocross, de Enduro e um inesquecível Paris-Dakar na África. É comentarista da rádio CBN, onde desde 2014 tem o CBN Moto, onde fala sobre motociclismo em rede nacional.

Colunista do UOL

26/10/2021 14h49

Domingo passado Marc Márquez ganhou a corrida da MotoGP e Fábio Quartararo, que chegou em 4º, o título mundial. O primeiro de um piloto francês na história da categoria máxima da motovelocidade.

Fábio Quartararo representa o novo, mesmo. Com 22 anos dá pinta que pode emendar outros títulos, exatamente como fez Márquez quando chegou à categoria aos 20 anos de idade, em 2013, e foi campeão logo na temporada de estreia, e depois mais outras cinco vezes. Estabeleceu a "era Márquez".

O acidente de Jerez em 2020 apagou a estrela do espanhol? Claro que não, como comprova a vitória de domingo, sua segunda no ano. Mas, agora existe Quartararo, que no ano passado era promessa, agora certeza.

Joan Mir, espanhol como Márquez, jovem como Fabio, foi campeão em 2020, uma temporada condicionada pela Covid-19 (e pela ausência de Marc Márquez). Sem desmerecer Mir, não o vejo potente e exuberante como Quartararo, que ganhou cinco Grande Prêmios este ano enquanto Mir, em 2020, um só.

Joan e Fabio pertencem a uma nova geração de "mocinhos", pela idade e pela atitude. Já Márquez sempre pertenceu a categoria dos "bandidos". Explico: desde sua estreia no mundial de motovelocidade Marc é polêmico. No paddock não fez amigos. A atitude agressiva em pista é sua marca, que o diga Valentino Rossi, que diz ter perdido o título de 2015 para Jorge Lorenzo por obra e (des)graça de Marc Márquez.

Motociclismo não é tênis ou golfe. A arte de pilotar motos - e vencer - exige vasto repertório de pequenas safadezas. "Trajetória defensiva" é nome bonito para fechada, joelhos e cotovelos servem tanto para arrastar no asfalto como para intimidar adversários. Mas há os que pilotam mais limpo, como Fabio Quartararo, que tem repertório técnico para ser campeão tantas vezes quantas quiser - e seus adversários deixarem.

Primeiro deles? Marc Márquez, que chamei de bandido linhas acima mais para fazer a gracinha de chamar Quartararo de mocinho. Marc é gênio, merece todos os títulos que têm. Já Quartararo (assim como Mir, Bagnaia e outros desta nova geração) precisam comer mais arroz-com-feijão para se equipararem a ele. Maldades além do razoável não cancelam o talento de Márquez.

Quartararo chega, Valentino Rossi dá adeus. Serão Quartararo, Mir e Bagnaia, jovens de carinha limpa, que qualquer pai gostaria que a filha namorasse, os antagonistas do recuperado Marc Márquez, fabuloso Dick Vigarista que sabe que o tempo passa, e que o novo sempre vem...

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL