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Mora nos Clássicos

REPORTAGEM

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Conheça 5 clássicos da Renault que inovaram com turbo bem antes do Captur

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Rodrigo Mora

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigomobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

Colunista do UOL

16/10/2021 04h00

(SÃO PAULO) - Embora experimentasse motores sobrealimentados em competições de rali e enduro desde o início daquela década, foi em 10 de maio de 1977 que a Renault demarcou uma nova era ao apresentar o RS 01, o primeiro Fórmula 1 impulsionado por um motor turbo.

Pouco mais de dois anos depois, em 1º de julho de 1979, a marca estabeleceu novo divisor de águas tanto em sua trajetória quanto na da categoria máxima do automobilismo: durante o GP da França, no circuito de Dijon-Prenois, um F-1 turbinado - o mais confiável e desenvolvido RS 10, guiado pelo francês Jean-Pierre Jabouille - chegava ao topo do pódio pela primeira vez.

Daí a transferir a tecnologia das pistas para sua gama de produtos foi um movimento elementar. E assim foi com os modelos R18 Turbo, Fuego Turbo e R5 Turbo no alvorecer dos anos 1980.

Renault 18 Turbo  - Divulgação  - Divulgação
Renault 18 Turbo
Imagem: Divulgação

O primeiro tentava transmitir alguma esportividade com faixas laterais denunciando a versão sobrealimentada e um discreto spolier traseiro, mas seu objetivo era ser um sedã executivo compacto com boa dose de performance e conforto e mais acessível do que equivalentes alemães. Inserido na gama Renault hoje, estaria mais para um GT Line do que para um R.S..

Substituto dos modelos R16 e R12 (este um parente distante do Ford Corcel), o R18 foi apresentado no Salão Automóvel de Genebra em 1978 para, dois anos depois, ganhar a versão Turbo, dotada de um 1.6 de quatro cilindros e 110 cv. Em 1983, chegaram 15 cv de potência (0 a 100 km/h em 9,5 segundos e máxima de 195 km/h) e freios a disco no eixo traseiro.

Renault 18 Turbo perf - Divulgação  - Divulgação
Renault 18 Turbo
Imagem: Divulgação

Primeiro Renault produzido em grande escala equipado com turbo, o R18 pode ostentar no currículo ter sido um dos pioneiros na democratização dos motores sobrealimentados, até ali destinados majoritariamente a esportivos (que é o que vemos novamente no mercado atual, sendo o Captur com seu 1.3 turboflex um bom exemplo). Se despediu do mercado europeu em 1989, somando pouco mais de dois milhões de unidades.

Baseado na plataforma do R18, o Fuego foi um cupê que se descolava do estilo da Renault da época. Na versão Turbo, de 1983, tinha motor mais apimentado em comparação ao 18: com mais pressão na turbina e um intercooler, chegava a 132 cv - o que lhe rendia máxima de 210 km/h. Foi o primeiro carro produzido em massa a ser projetado em um túnel de vento e o primeiro a ter controles do rádio no volante.

Renault Fuego Turbo - Divulgação  - Divulgação
Renault Fuego Turbo
Imagem: Divulgação

Era a resposta da Renault para concorrentes como Opel Manta, Volkswagen Scirocco, Toyota Celica and Ford Capri. Curiosidade: as belas linhas têm a assinatura de Robert Opron, o designer por trás dos conterrâneos Citroën SM e CX. Tal como o R18 é raro e, portanto, cobiçado por colecionadores.

Renault R5 Turbo - Divulgação  - Divulgação
Renault R5 Turbo
Imagem: Divulgação

Não tanto quanto o R5 Turbo, no entanto. Alçado ao status de lenda do World Rally Championship, era o oposto do R18 e do Fuego. Em 1980, a Renault faz o impensável sobre a plataforma do urbano 5: joga o motor 1.4 de 160 cv da dianteira para entre as costas do motorista e o eixo traseiro, que também passara a ser o das rodas motrizes.

De repente, um simples transporte prático e econômico virou um carro endeusado por entusiastas, hoje cobiçado por colecionadores cientes de que restam poucos por aí - e que jamais fabricarão algo igual.

Renault R5 Turbo - Divulgação  - Divulgação
Renault R5 Turbo
Imagem: Divulgação

Se o R18 era um tanto modesto diante dos rivais, o Safrane Biturbo foi mais audacioso ao peitar a trinca alemã. Além de luxo na cabine e um design que combinava esportividade e elegância, o topo de linha da gama se apoiava no motor 3.0 V6 biturbo, de 270 cv, e na tração integral para se impor como sedã executivo. Contudo, não foi o bastante para obter sucesso: entre 1993 e 1996 foram produzidos apenas 800 exemplares.

Renault Safrane Biturbo - Divulgação  - Divulgação
Renault Safrane Biturbo
Imagem: Divulgação

Avançando no tempo para 2013, a Renault ensaiou comercializar no Brasil o Megane R.S.- que, à época, custaria cerca de R$ 160 mil por aqui.

Renault Megane R.S.  - Divulgação  - Divulgação
Renault Megane R.S.
Imagem: Divulgação

Motor 2,0 turbo de 265 cv e 36,7 kgfm de torque, transmissão manual de seis marchas, freios Brembo, rodas de 19 polegadas e o interessante Renault Sport Monitor - programa que exibe num monitor instalado no painel informações sobre desempenho do motor, pressão do turbo, atuação dos freios, indicação das acelerações lateral e longitudinal, cronômetro e performance de 0 a 100 km/h - eram suas principais credenciais.

Renault Megane R.S.  - Divulgação  - Divulgação
Renault Megane R.S.
Imagem: Divulgação

A Renault nunca comercializou o Megane R.S. por aqui, mas trouxe três exemplares para testar o mercado (e a opinião dos jornalistas, todos unânimes pela importação do esportivo).

Pena: o hatch é um dos mais belos entre seus pares, tem direção direta, câmbios de engates firmes e ao mesmo tempo confortáveis para uso cotidiano, anda muito e ainda por cima gozaria da exclusividade perante Volkswagen Golf GTI e Honda Civic Si.

Renault Megane R.S.  - Divulgação  - Divulgação
Renault Megane R.S.
Imagem: Divulgação

Lançado em 2004, o Megane R.S. é fruto da divisão Renault Sport, por ora a responsável pela divisão de esportivos da marca. Hatch médio para casais descolados, na versão esportiva deve ser levado a sério: em 2011 estabeleceu um novo recorde para o circuito de 21 km de Nordschliefe, em Nürburgring (Alemanha), com o tempo de 8 minutos, 7 segundos e 97 milésimos.

Carimbo de futuro clássico nele.