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Mora nos Clássicos

Agora reduzida a importadora, Ford produziu até VW antes de fechar fábricas

Rodrigo Mora

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigomobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

Colunista do UOL

11/01/2021 18h44

(SÃO PAULO) - A Ford começou sua trajetória no Brasil montando, com peças vindas dos EUA, o modelo T em um galpão de dois andares no centro de São Paulo, em 1919. A atividade fabril se expandiu até ser inaugurada em 1953 a famosa fábrica do Ipiranga, de onde saíam caminhões e o luxuoso Galaxie.

Marco na trajetória industrial - agora encerrada - da Ford do Brasil foi a compra da Willys-Overland, em 1967. Planta histórica e símbolo da industrialização da região ABC, fora erguida pela compatriota em 1952. Ali foram fabricados Jeep CJ-5, Rural, Aero-Willys, Itamaraty, Interlagos, Dauphine e Gordini.

De lá o primeiro Ford saiu em 1968: herança do Projeto M, um compacto desenvolvido pela Willys com base no Renault 12, o Corcel estreou em setembro, apenas com carroceria de quatro portas e na versão Standard. Bem-sucedido ao entregar o porte e a economia que a classe média buscava, o Corcel chegou à 100.000ª unidade produzida em 1971.

No início de 1973 o Maverick se junta ao Corcel em São Bernardo do Campo. Era a reação da Ford ao Chevrolet Opala. Um motor seis-em-linha de 3.016 cm3 e 112 cv arrastava a versão de entrada, enquanto um V8 de 4.950 cm3 e 197 cv dava algum brilho ao GT - único com freios a disco na frente.

Se o primeiro Corcel teve pouca intervenção da Ford, o Corcell II - lançado em novembro de 1977 - foi projetado aqui, inspirando-se visualmente em modelos como Taunus, Cortina e Granada, carros médios da Ford alemã e britânica. Com o fim do Maverick, a Ford escalou o Del Rey para tentar combater o sucesso do Opala. Foi em maio de 1981 que o modelo chegou ao mercado, baseado na plataforma do Corcel II, com carroceria de duas e quatro portas e motores a gasolina ou a álcool.

Escort, o primeiro carro mundial

No ano seguinte ao lançamento da Pampa, revelada em 1982, a Ford apresentou o Escort, seu primeiro automóvel mundial, que estreara três anos antes nos EUA e na Europa. Sua produção local obrigou a Ford a modernizar equipamentos, maquinários e processos da planta de São Bernardo, cuja capacidade de produção saltou de 160 mil para 220 mil unidades por ano.

O último Escort nacional (que mais tarde adotaria cidadania argentina) é apresentado no XVII Salão do Automóvel, em novembro de 1992, como linha 1993, mais uma vez alinhado ao exemplar europeu. Em setembro de 1993 a Ford, enfim, entra no segmento dos carros "mil" com o Escort Hobby, equipado com o motor de 997 cm3 e 52 cv já encontrado sob o capô do Gol 1000.

Autolatina e Fiesta

Corria dezembro de 1989 quando a Ford apresentou o Verona, primeiro lançamento na fase Autolatina, a união entre Ford e Volkswagen (embora sua concepção fosse anterior ao acordo). Utilizava a plataforma do Escort e deu origem ao VW Apollo, em maio de 1990, esse sim o primeiro produto fruto da união (que não foi muito longe, saindo de cena em novembro de 1992).

Da costela do novo Escort saíram Logus (fevereiro de 1993) e Pointer (dezembro de 1993). Esses modelos cabiam à Ford produzir; Versailles (1991) e Royale (1992), clones de Santana e Quantum, saíam da planta da Volkswagen, a poucos quilômetros dali, também na Anchieta.

Criada para estabelecer uma sinergia entre as marcas e reduzir custos, a união acabou em setembro de 1994. Com o fim da Autolatina, a Ford anunciou um dos maiores investimentos da sua história no Brasil, de US$ 2,6 bilhões.

Em maio de 1996, o Fiesta, que desde 1995 era importado da Espanha, virou então cidadão brasileiro, lançado com três e cinco portas, duas versões de acabamento e motores 1.0 (53 cv), 1.3 (60 cv) e o Zetec 1.4 16 válvulas, de 89 cv. Foi o segundo grande pico de modernização da fábrica, exigindo reorganização das linhas de produção e investimento em mais equipamentos.

Em 2001, a empresa inaugurou o Complexo Industrial Ford Nordeste, em Camaçari, na Bahia, responsável pela nova geração do Fiesta e do EcoSport - e mais tarde pelo Ka.

Agora, ao anunciar o encerramento da produção de veículos no Brasil, se reduz a importadora de veículos de luxo: restarão por aqui Mustang, Ranger, Edge e Territory, que ganharão a companhia de Mustang Mach 1 e Bronco.