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Mora nos Clássicos

Viagem de trator antigo mistura desafio com romantismo "voando" a 15 km/h

Rodrigo Mora

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigomobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

Colunista do UOL

16/10/2020 09h00

(SÃO PAULO) - Dizem que a fé move montanhas. No último sábado, ela moveu um grupo de tratoristas a sair de São Carlos rumo a Torrinha em uma viagem que, contando a escala em Brotas (todas no interior de São Paulo), durou oito horas. De carro ou moto, fariam em cerca de uma.

Isso porque decidiram se aventurar sobre tratores antigos: um Lanz Bulldog 1951 (de origem alemã), dois Ursus 1959 (poloneses), um Deutz DM 55 1964 e dois Massey-Ferguson 65X 1975 (brasileiros). Daí não passarem dos 15 km/h.

Entretanto, a velocidade baixa era inversamente proporcional ao desafio de controlar um bichão de uma tonelada e sem qualquer recurso eletrônico.

Trator clássico perfil - (Imagem: José Vignoli/arquivo pessoal) - (Imagem: José Vignoli/arquivo pessoal)
Imagem: (Imagem: José Vignoli/arquivo pessoal)

"Tem que ter uma concentração muito grande. A velocidade pode ser baixa, mas você vai sentado lá no alto, a direção tem folga, o acelerador é manual e as marchas, secas. Além disso, os Lanz Bulldog e os Ursus têm um único cilindro, por isso apelidados de 'cabeça quente'. Isso quer dizer que se você não souber controlar sua força numa subida, ele pode parar e começar a girar ao contrário e, de repente, o trator dá ré. É muito cansativo", pondera José Vignoli, entusiasta que se aventurou em um dos Massey.

Tratores clássicos viagem  - (Imagem: José Vignoli/arquivo pessoal) - (Imagem: José Vignoli/arquivo pessoal)
Imagem: (Imagem: José Vignoli/arquivo pessoal)

Criados para rodar calmamente sobre a planície das fazendas, alguns tratores acabam se encontrando em situações estranhas à sua essência. Em certo momento, os tratoristas tiveram que se arriscar em uma das serras de Torrinha. "Subimos o morro com pedras rolando, trator empinando e derrapando. Não vamos repetir essa experiência, mas foi maluco", relembra Vignoli.

Tratores clássicos vignoli - (Imagem: José Vignoli/arquivo pessoal) - (Imagem: José Vignoli/arquivo pessoal)
O colecionador José Vignoli encarou mais de 200 km de trator no último final de semana
Imagem: (Imagem: José Vignoli/arquivo pessoal)

"Parece fácil, mas não é. Não pode ir alguém que queira bancar o esperto, o engraçadinho. Tem que ter humildade, porque é perigoso, e espírito de grupo, porque tudo é uma surpresa", completa.

Trator clássico verde  - (Imagem: José Vignoli/arquivo pessoal) - (Imagem: José Vignoli/arquivo pessoal)
Imagem: (Imagem: José Vignoli/arquivo pessoal)

Por outro lado, há o prazer de curtir a máquina que adoram apreciando paisagens e sendo recebidos calorosamente nos lugares. No total, rodaram mais de 200 km, o equivalente a um terço do caminho que anualmente desbravam até Aparecida do Norte - a gênese das viagens de trator.

Trator clássico João Trator - (Imagem: José Vignoli/arquivo pessoal)  - (Imagem: José Vignoli/arquivo pessoal)
Passeio saiu da João Trator, em São Carlos, no interior de SP
Imagem: (Imagem: José Vignoli/arquivo pessoal)

Capitaneados pelo bastante católico João dos Anjos Duarte, o João "Trator" - dono de uma oficina de restauração de tratores em São Carlos -, o pessoal do Clube Paulista de Tratores monta em suas máquinas, novas ou antigas, rumo à meca do catolicismo nacional em uma viagem que, faça chuva ou faça sol, acontece desde 2016.

A exceção foi neste ano, quando só dois tratores fizeram a viagem por conta da pandemia. Para manter o grupo unido, o jeito foi fazer um passeio mais curto, só pra não enferrujar.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL