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Coisa de Meninos Nada

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Flush x aditivo: qual a melhor opção para limpar a 'água' do seu carro

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Thais Roland

Thais Roland é técnica em Manutenção Automotiva e apaixonada pela graxa. Com seu canal no YouTube 'Coisa de Meninos Nada', busca informar, orientar e dar suporte em relação a dúvidas e neuras sobre o mundo dos carros

Colunista do UOL

18/01/2022 04h00

Há alguns temas que ressurgem por aqui de tempos em tempos e que gosto de dar novas roupagens, em vez de só citar vídeos antigos, porque a discussão vale a pena.

A matéria da semana passada que falou sobre flush rendeu um comentário bem peculiar. Parte foi respondido direto ao autor, pois não fazia sentido trazer aqui. Mas um trecho me inspirou para elaborar um conteúdo para vocês.

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Nosso leitor Marcello mencionou que o aditivo do radiador também pode soltar sujeira, que ele é detergente e que "limpará" o sistema.

Tenho que fazer duas pequenas correções: o aditivo não é detergente, mas sim tem propriedades disso, é uma das características do aditivo, ele tem várias outras.

Pode parecer um detalhe bobo, mas é importante. O mesmo vale para o óleo lubrificante. Ele também não é detergente, tem aditivos detergentes. E outra, que a água nova do radiador não vai ficar suja em pouco tempo se você estiver usando aditivo.

No vídeo anterior disse que não via sentido em fazer flush em um carro com as manutenções em dia, pois não teria o que limpar. Era seguir o plano de manutenções e pronto.

Então hoje tenho uma coisa para mostrar para vocês. O que você vê na imagem acima são pregos mergulhados em aditivo de radiador pronto para uso, ou seja, aditivo diluído em água desmineralizada. Isso está comigo há três anos e meio. Fui checar hoje, no meu Instagram. E não vemos absolutamente nenhum sinal de corrosão neles. Estão em perfeito estado.

Para esse fabricante aqui, o recomendado é trocar o aditivo a cada quatro anos, mas tem aditivos que precisam ser substituídos em intervalos mais curtos.

Falei na semana passada do outro extremo, de sistemas muito comprometidos. Tenho outra coisa para mostrar para vocês, que não é do meu Maverick.

São os mesmos pregos, dos mesmos três anos e meio, só que mergulhados em água de torneira. Esse frasco estava intocado por, pelo menos, uns dois meses. Tirei-o da caixa com todo o cuidado do mundo para não chacoalhar e mostrar pra vocês a água bem limpa, tirando os pregos de dentro.

Entenderam o que eu disse, na semana passada, sobre a corrosão poder avançar rápido e chegar a um ponto onde o que está segurando o vazamento é o acúmulo de ferrugem? Isso é bem sério mesmo.

O aditivo pode, por ter propriedades detergentes, promover sozinho limpeza, desprender essa sujeira e acabar revelando vazamentos. A questão é que um procedimento de flush fará isso muito mais rápido.

Tem produtos de flush que você coloca no seu sistema e roda com o carro por alguns quilômetros para que tenha efeito. Outros você coloca no sistema, deixa o motor funcionando por alguns minutos e ele já promove a limpeza. Conseguem perceber como eles são agressivos?

Então os vazamentos aparecerão imediatamente. Já a limpeza do aditivo pode ser mais gradativa e os vazamentos aparecerem aos poucos e mais discretamente, o que pode ser muito ruim também, pois você pode demorar a perceber e acabar com um superaquecimento no motor.

Mas, de novo, isso acontecerá se você rodou muito tempo com o carro só com água no radiador, tem um nível de corrosão muito avançado e o aditivo entrará no sistema - e vai desprender sujeira, gradativamente até o ponto de promover um vazamento. Se seu carro está com a manutenção em dia, não há com o que se preocupar.

Por isso eu continuo firme na minha opinião de que o flush, no sistema de arrefecimento, pode ser válido sim, mas com muito, muito critério mesmo. Para mim, se componentes estão sujos (impregnados de ferrugem ou corroídos) ao ponto de precisarem ser substituídos, então o sistema precisa de uma desmontagem completa e limpeza tradicional, não tem jeito.

Mas, novamente, é importante deixar claro que essa é a minha opinião pessoal e postura profissional. Como eu já ressaltei em outros vídeos, entendo que tem profissional que gosta dos procedimentos de flush e só considero muito importante que o produto seja completamente removido do sistema antes de ser reabastecido com aditivo e colocado em funcionamento outra vez por causa, justamente, da agressividade do flush.

E se é pra usar, não custa reforçar também que é essencial ler com muita atenção as instruções do rótulo e, em caso de dúvidas, entrar em contato com o fabricante, justamente por causa dessas diferenças entre produtos.

Pronto! Acho que agora eu falei tudo o que eu queria falar sobre flush no sistema de arrefecimento, mas se vocês ainda ficaram com questões aí, mandem bala nos comentários.

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