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Benê Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Renault Captur: versão Bose dá sobrevida ao SUV enquanto turbo não chega

Benê Gomes

Jornalista, produtor e roteirista, atua no setor automotivo desde 2001. É idealizador e diretor do programa Auto+, exibido pela RedeTV. Também dirige e apresenta o programa Momento Vox, no ar pela Band, e é colunista da rádio Transcontinental FM de São Paulo

Colunista do UOL

21/03/2021 04h00

Posicionado como o mais sofisticado da linha de SUVs da Renault no Brasil, o Captur vive a expectativa de ganhar uma merecida renovação, onde um dos destaques será o novo motor turbinado. Enquanto isso não acontece, segue perdendo fôlego no mercado nacional com sua última grande novidade, a versão Bose, lançada em 2019.

Como fica fácil imaginar, com tudo que aconteceu no mundo depois que a OMS - Organização Mundial da Saúde - decretou a pandemia do Coronavírus, a Renault também foi obrigada a rever planos.

Assim, o lançamento do Captur com o novo motor 1.3 turbo, que deveria acontecer até julho deste ano, ficou para o segundo semestre. Ainda assim, isso deve acontecer lá em setembro, mas do jeito que as coisas andam, tudo pode mudar outra vez.

De qualquer forma, já é possível confirmar o movimento de retirada do Captur atual do mercado, isso está oficializado no site da marca, que só tem versão Bose à venda.

Nascido como série especial, o Captur Bose tem alguns detalhes diferenciados do lado de fora - como a plaquinha que identifica a versão - mas o real destaque externo é a pintura em dois tons, com teto e retrovisores pintados em cores diferentes do restante da carroceria. Além disso, traz cromados na grade dianteira e luz diurna de led na faixa inferior do para-choque.

Mas a razão de ser desta versão é o sistema de som mais elaborado e assinado pela Bose, marca de referência no segmento. O conjunto é formado por dois tweeters na parte dianteira, alto-falantes mais potentes nas quatro portas e um subwoofer no porta-malas.

Legal é que esse subwoofer foi instalado na lateral, fica escondido sob o acabamento de plástico e não rouba espaço do bom porta-malas de 437 litros. Interessante também é a velha conhecida chave do tipo cartão da Renault, que permite que as travas de portas sejam acionadas automaticamente assim que o motorista se afasta do carro, além de permitir que o motor seja acionado por um botão no painel.

Motor 2.0 flex também já era

É isso mesmo, assim como sumiram todas as outras versões de acabamento do Captur, nesse processo de retirada do SUV do mercado, o que também não se vê mais é a versão Bose com o antigo motor 2.0 flex de 148 cavalos de potência e que era acompanhado do câmbio automático de quatro marchas.

A transmissão não deixa saudade, mas o motor maior faz falta no Captur, mesmo se tratando de um propulsor mais antigo. Agora ele só é vendido com o conjunto formado pelo bom motor 1.6 flex SCe de 120 cavalos e 16,2 Kgfm de torque, acompanhado exclusivamente pelo câmbio automático do tipo CVT.

Esse conjunto cumpre bem seu papel dentro da cidade, situação onde normalmente ficamos mais atentos ao consumo do que na agilidade em arrancadas ou retomadas de velocidade. Mas quando levamos o Captur para a estrada, fica claro o quanto o motor 1.6 sente o peso do carro, que é bem lento nas respostas a cada pisada mais funda no acelerador.

Em alguns momentos, mesmo andando sozinho, a sensação é que você está com carga no porta-malas ou tem outras pessoas ao seu lado. Nessa hora, melhor observar as outras boas características que o Captur não perdeu, como o desenho elegante e que ainda não envelheceu.

Depois, porque oferece aquilo que a maioria das pessoas que procuram um SUV querem encontrar: a posição elevada para dirigir. Pra mim, chega a ser exagerado e imagino que incomode bastante que tem mais de 1,80 metro de altura. Mas seguindo com pontos positivos, é um carro bastante confortável, tem acerto de suspensão bem equilibrado e isolamento acústico de qualidade também.

Pela boa altura em relação ao solo e as rodas de 17 polegadas, consegue tirar de letra as lombadas e valetas tão comuns em nossas ruas. É bem servido ainda de equipamentos, com quatro aibags, controles eletrônicos de tração e estabilidade, assistente de partida em rampa, sensores de chuva e de estacionamento, entre outros.

Mais simples que o Duster?

Sim, o Captur, SUV mais sofisticado da linha de Renault no Brasil, praticamente perdeu esse trono para o modelo logo abaixo dele. Tudo bem que o Captur brasileiro já utilizava a mesma plataforma do Duster, mas não é essa a questão.

O ponto é que, no ano passado, o Duster recebeu atualização e, vejam só, desde então passou a contar com alguns modernos itens que o Captur ainda não tem, como assistente de farol alto, alerta de ponto cego ou o sistema Multiview com quatro câmeras e que dá um bom auxílio nas manobras de estacionamento. Isso sem falar que o Duster é mais barato.

Outro forte motivo para que a Renault se esforce para lançar o novo Captur com motor turbo no segundo semestre, afinal, mais do que a 'briga" dentro de casa, seu elegante SUV compacto precisa de muito fôlego para acompanhar os outros concorrentes diretos que já estão bem atualizados.

Renault Captur Bose 1.6 SCe X-tronic CVT: R$ 113.990,00

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL