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Por que os testes de colisão devem ser referência para quem compra um carro

Benê Gomes

Jornalista, produtor e roteirista, atua no setor automotivo desde 2001. É idealizador e diretor do programa Auto+, exibido pela RedeTV. Também dirige e apresenta o programa Momento Vox, no ar pela Band, e é colunista da rádio Transcontinental FM de São Paulo

Colunista do UOL

04/10/2020 04h00

Como a gente sabe, até pouco tempo atrás, a preocupação com o nível de segurança dos automóveis passava longe da lista de prioridades de quem pretendia comprar um carro. Cenário que nos obriga a pensar diferente agora, em tempos de automóveis muito modernos e, detalhe, que andam muito mais rápido.

Mas essa tarefa até que ficou leve para nós consumidores, pois as fabricantes aplicam diferentes e rigorosos testes durante o desenvolvimento de seus carros e divulgam essas informações, inclusive em suas campanhas publicitárias para tirar o devido proveito como fator de estímulo para as vendas.

Além das fabricantes, contamos ainda com o trabalho de instituições independentes muito sérias - como é o caso do Latin NCAP, que atua na região América Latina e Caribe - e que executam testes de impacto em veículos novos e divulgam o ranking do mais seguros.

0 a 5 estrelas

Já é bem popular no mercado falar que determinado carro é "5 estrelas no teste de colisão", algo muito estimulado pelas próprias fabricantes com seus modelos bem pontuados nos testes do Latin NCAP.

Essa pontuação é obtida por meio de testes que seguem um padrão de legislação e critérios de consumidores, onde os veículos são colocados à prova recebendo impactos frontal e lateral em velocidade de 64 Km/h; conforme o desempenho, são aplicadas notas representadas pelo número de estrelas, que vão de 0 a 5.

Aparentemente simples, os valores das estrelas traduzem a capacidade que um determinado automóvel tem - em caso de um acidente - para absorver o impacto e garantir proteção aos passageiros. Como diz Antonio Carnielli Jr. - Ger. Executivo de Desenvolvimento de Produto da VW e que comanda o Laboratório de Segurança Veicular da fabricante, "ninguém compra um carro pensando que vai bater; mas a partir do momento que um acidente acontece, e isso é imprevisível, se o carro envolvido tem cinco estrelas, a probabilidade de não acontecer nada muito grave é enorme!".

Conforme explica Carnielli, "em caso de uma colisão, o motorista de um carro classificado com apenas 01 estrela certamente sofrerá traumas profundos, como perfuração no tórax e deverá entrar em coma; no modelo com 02 a 03 estrelas, o cenário alivia um pouco, mas ainda provocará traumas sérios, como luxação e fratura na costela, entre outros. Já no caso do automóvel 05 estrelas, provavelmente o motorista ou o passageiro, se for o caso, sairá andando, apenas com uma tontura ou coisa assim."

Testes determinam também índice de reparabilidade

Os testes de colisão são fundamentais também para mais um ponto a ser considerado no momento de analisar um modelo: o índice de reparabilidade.

Esse trabalho é feito pelo CESVI - Centro de Experimentação Viária - que realiza um teste específico de colisão simulando aquelas pequenas colisões comuns no trânsito, e depois cruza os resultados com as informações do custo de uma cesta básica de peças e da mão de obra do reparo com base nas tabelas fornecidas pela rede autorizada das marcas. O resultado é a definição de um ranking com os modelos que oferecem o menor custo de reparação.

Ou seja, além do encanto com a beleza, os acessórios ou o valor de mercado, os resultados obtidos nos testes de colisão são fundamentais para determinar qual o melhor carro para colocar em sua garagem.