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Benê Gomes


Muito além do preto e cinza: como é definida a cor que seu carro terá

Benê Gomes

Jornalista, produtor e roteirista, atua no setor automotivo desde 2001. É idealizador e diretor do programa Auto+, exibido pela RedeTV. Também dirige e apresenta o programa Momento Vox, no ar pela Band, e é colunista da rádio Transcontinental FM de São Paulo

Colaboração para o UOL

01/12/2019 04h00

As cores são componentes fundamentais em nossa vida, são referência para diferentes situações e certamente trazem mais beleza e alegria para o nosso dia a dia. Pois é assim também com os automóveis, que têm na tonalidade estampada em sua carroceria um ponto decisivo para firmar a personalidade e o estilo.

O legal é que, como acontece com a moda, a cada temporada surgem novas tendências para as cores dos nossos carros. Mas como isso acontece? Tudo começa com muito estudo e pesquisa para atender os objetivos traçados para o novo modelo, trabalho que é realizado em conjunto por profissionais das fábricas de tintas e de automóveis.

Só para você ter uma ideia, conforme explica Andre de Palma, Gerente de Tintas Automotivas da BASF, atualmente existem mais de 2.500 tonalidades de cores, o que já representa um desafio e tanto para quem precisa definir a cor de um carro.

Como é de se imaginar, nesse processo os profissionais buscam as mais diferentes referências, mas tudo parte do desenho do carro e do perfil do público que se pretende atingir. E nesse molho entra muita coisa: moda, comportamento, gastronomia, esporte, política e tudo que tenha relação com nossos hábitos e aspirações.

Do lado da fabricante de tinta, existe um trabalho constante de criação de novas opções de cores - cerca de 65 por ano - as quais são repassadas para os projetistas da fabricante de automóveis. Esse material é uma das importantes ferramentas de apoio no processo de criação do novo carro e é utilizado a médio e longo prazo, já que um projeto desse tipo começa anos antes do veículo chegar efetivamente às lojas.

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Imagem: Divulgação

Identifique os tons de cada estilo

Caso queira aprofundar seus conhecimentos sobre estilo de automóveis, preste atenção nesses detalhes, como explica De Palma, da BASF. Um carro grande e luxuoso, normalmente utiliza cores mais escuras, mais sombrias até. E por um motivo: são essas tonalidades quem permitem criar um efeito sutil para evidenciar a luxuosidade.

Já os invocados esportivos, aqui muito fácil de perceber, sempre carregam cores mais vibrantes para deixar clara a proposta de esportividade e de aventura. Não se trata de uma ciência exata, mas na prática, dificilmente as tradicionais cores associadas a um modelo de luxo vão se encaixar naquele com proposta esportiva.

Fim do preto e prata?

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Mas como o assunto é tendência de cores para os nossos automóveis, o que esperar do futuro? Será que dá pra sonhar com um mundo mais colorido para os nossos carros e escapar dos previsíveis tons de preto, prata e agora também do branco que dominam nossas ruas?

Segundo Andre de Palma, dá para esperar sim o ressurgimento de modelos mais coloridos, assim como tínhamos nos anos 70; não por acaso, um período de grande efervescência cultural e que certamente influenciou a definição das cores dos automóveis da época.

A diferença é que agora vivemos a era da tecnologia, onde os tons de cinza com toques mais azulados devem ganhar força, assim como os ligados à natureza, como o marrom e aquele novo tom de laranja, bem próximo da cor de terra, opções que até já vemos em novos carros por aí.

Mas De Palma lembra que na América Latina o clima tropical - ponto determinante para o nosso temperamento também - segue influenciando nossa preferência por cores mais quentes. Prova disso é que a cor vermelha continua como a mais apreciada na região, seguida pelo azul.

"Ambas devem seguir prestigiadas, mas o que vai acontecer daqui pra frente é que esses tons de vermelho e azul terão novas variantes, tanto para as mais escuras como para as mais vibrantes. Então, dá para esperar mais alegria sim", comentou.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Benê Gomes