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Coronavírus: paralisadas, montadoras deixam de produzir 200 mil veículos

Omar Freitas/Agência RBS/Folhapress
Imagem: Omar Freitas/Agência RBS/Folhapress
Leandro Alves

Neste espaço a equipe de AutoData, sob a coordenação do diretor de redação Leandro Alves, trará os bastidores da indústria automotiva, que são de extrema importância para os negócios e o futuro do setor no Brasil e no mundo. Seu próximo carro pode passar primeiro por aqui. Antes mesmo dele existir! Conheça nosso trabalho em www.autodata.com.br

Colunista do UOL

27/03/2020 04h00

200 mil veículos não produzidos: esta é a projeção para a América do Sul feita por uma consultoria que circula junto às fabricantes de veículos e à qual AutoData tem acesso. A estimativa engloba a paralisação por causa do coronavírus e leva em conta o volume produzido em fevereiro - e não é pouco.

Somente o Brasil produziu no mês passado 204,2 mil unidades, segundo a Anfavea. Ou seja: a paralisação das fábricas na região em períodos que podem variar de dez a dezenove dias, dependendo da decisão já anunciada pelas empresas, elimina quase um mês da nossa produção.

A Argentina, outro polo produtivo relevante na região, produziu apenas 26,1 mil veículos em fevereiro, segundo a Adefa, sua associação dos fabricantes.

Esse baque veio justamente em março, quando estava programada a aceleração das linhas com a esperança de que a economia iniciaria uma curva ascendente e os negócios voltariam a crescer. Por enquanto esses planos estão adiados.

E não é para menos. AutoData teve acesso ao relatório das vendas diárias no mercado nacional nos últimos dias e o tombo é assustador. Até a quarta-feira, 18 de março, o ritmo manteve-se consistente em 10,2 mil unidades negociadas. No dia seguinte o primeiro sinal do que estava por vir: as vendas na quinta-feira fecharam em 7,9 mil unidades.

Na quarta-feira desta semana, 25, com o movimento contundente das pessoas de se recolherem às suas casas, e com os serviços não essenciais fechados nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro - os dois mercados com maior volume de vendas de veículos no País -, todas as empresas que atuam no varejo brasileiro não foram capazes de negociar oitocentos veículos. Oi-to-cen-tos!

Na próxima semana a Fenabrave, que reúne os concessionários, deve apresentar os números alarmantes de vendas totais em março. A Anfavea, em 6 de abril, fará comunicado para a imprensa por streaming para divulgar os números oficiais da indústria.

Um Brasil. Nos Estados Unidos o fundo do poço é muito mais embaixo. As projeções da consultoria JD Power consideram que em dois meses possa haver uma redução de 2 milhões a 2,5 milhões de unidades na produção local. É quase a projeção de vendas totais no Brasil em 2020. Que será revisada para baixo, obviamente.

Menos 3 milhões. Claro que o tamanho do mercado estadunidense turbina os números na comparção com o Brasil. Mesmo assim é impressionante a projeções da JD Power, que calculou que em doze semanas, ou três meses, o impacto do coronavírus deverá atingir em cheio os negócios. São três cenários: impacto considerado baixo [do coronavírus na sociedade estadunuidense] reduziria em 800 mil unidades o volume de veículos negociados no período. A projeção de médio impacto calculou uma redução das vendas em torno de 1,7 milhão de unidades. No pior cenário os Estados Unidos deixarão de vender 3 milhões de unidades de março a julho.

E 10 milhões a menos. Outra consultoria, a IHS Markit, reduziu sua projeção de vendas no mercado global: 78,8 milhões de veículos leves, queda de 12% na comparação com 2019. E 10 milhões de veículos/ano vendidos a menos do que inicialmente projetado.

Ajuda ao combate. Enquanto não produzem carros as montadoras buscam ajudar o sistema de saúde no combate ao covid-19. A Volkswagen formou frota para transportar profissionais de saúde nas cidades onde possui fábrica, além de doar máscaras, que seriam usadas na linha de produção. A GM lidera uma ação que busca usar as estruturas fabris brasileiras para consertar respiradores, enquanto a PSA usará impressoras 3D de sua fábrica em Porto Real, RJ, para produzir máscaras plásticas.

* Colaboraram André Barros, Bruno de Oliveira e Caio Bednarski

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.