Grupos de mensagens ajudam foliões a não entrar em ciladas nos blocos do RJ

A sede por um bloco é tanta que milhares de cariocas se hidratam de informações em grupos de mensagens no WhatsApp e Telegram. São inúmeros desconhecidos que se unem e se ajudam para enviar as localizações, trajetos e status dos blocos que vão às ruas do Rio de Janeiro, antes e durante os dias de Momo.

O que se sabe

O grupo AboutCarnaval, por exemplo, tem mais de 7.300 pessoas. Nos finais de semana pré-folia era um tal de "manda a localização" para cá, "o bloco tá correndo solto" para lá. E todos são nutridos e abastecem o grupo com informações.

"O grupo nasceu no início do Carnaval de 2023, com o intuito de auxiliar os foliões com informações úteis e verdadeiras e também auxiliar os ambulantes com o local correto dos blocos", conta Yale Barros, 31, um dos administradores do grupo.

O produtor audiovisual Joaquim Lima, 25, está em um grupo menor, com 133 pessoas, mas a quantidade, segundo ele, não importa. Na sua opinião, a "graça" desses espaços é estar bem informado, com gente que entende e faz os blocos acontecerem. "É um grupo bem legal porque tem bastante gente que é do próprio Carnaval, que está na cultura de rua e toca e/ou é pernalta", conta ele.

Em geral, os grupos de mensagens funcionam para o compartilhamento de informações de blocos que não estão nas listas oficiais dos órgãos públicos e dificilmente saem na imprensa. O jornalista e pesquisador de Carnaval, Tiago Ribeiro, explica:

Esses grupos existem justamente para divulgar a programação dos blocos não oficiais, que não contam com a divulgação da Riotur e jornais. Esses blocos questionam o regramento da prefeitura que trata bloco como evento e não manifestação cultural com especificidades próprias.
Tiago Ribeiro, jornalista

Frequentador assíduo dos blocos do Rio, ele contou ao Splash por que os blocos não oficiais fazem sucesso nos grupos de mensagens:

A maioria dos blocos surge de forma despretensiosa: uma reunião de amigos, vizinhos, uma turma no bar, do time de futebol. Não sai com pretensão de grande nível de organização. Por isso, inclusive as fanfarras (blocos acústicos, sem uso de equipamentos eletrônicos) tem se popularizado cada vez mais.
Thiago Ribeiro, jornalista

Os grupos se tornam também um lugar de socialização e encontros. Fora deles, inclusive. "Em um grupo que conhecia só parte das pessoas, já ganhei ingresso de festa de Carnaval de um membro que desistiu. E quando a gente acaba encontrando alguém do grupo, ao vivo, pela primeira vez, já rola um papo e tal, facilita a troca de ideia", diz Ribeiro.

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O trabalho como supervisor de vendas é dividido com o de administrador do grupo, por Yale Barros. E ele está sempre atento às mensagens e à realidade de uma grande cidade, como o Rio de Janeiro. Ele tomou uma decisão que contrariou uma parte dos membros: fechar o grupo a partir das 17h.

Pensamos também na segurança de todos. Adoramos os blocos noturnos, eles são lindos. Mas a falta de segurança na parte da noite veio se intensificando nos últimos carnavais e também nessa época do ano o grupo costuma ter bastante pessoas entrando. Para evitar alguma informação errada, que direcione os foliões para algum lugar que não esteja tendo bloco ou até mesmo que esteja deserto, adotamos a medida.
Yale Barros, administrador do AboutCarnaval

Ribeiro concorda que os grupos ajudam [e muito] os foliões a não entrar em ciladas. "Nos grupos se compartilha a localização e facilita muito. E ainda ajudam a confirmar as informações díspares que surgem de onde tá o bloco", conta. A ideia é dar "a informação certa, na hora certa e com a localização certa".

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