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Recife e Olinda


Recifenses não perdoam, e o Galo Gigante vira piada

Mateus Araújo

Colaboração para o UOL, no Recife

24/02/2017 13h07

Ele já cantou, já girou e até segurou uma sombrinha de frevo com o bico, mas, neste ano, é o centro de uma polêmica. Símbolo majestoso do Carnaval da capital pernambucana, o Galo Gigante, alegoria instalada na Ponte Duarte Coelho, no centro, não tem agradado alguns foliões recifenses, que não perdoam e fazem do bicho uma piada: "É o galo da crise", brinca o fotógrafo Isnaldo Batista de Souza. 

Há cinco anos, Batista faz foto instantânea das pessoas ao lado da estátua do Galo. Ele garante que o gigante "embarangou". "O povo até não quer fazer foto com ele", conta o comerciante. "Dizem que ele está feio demais. Parece um garnisé [um tipo de galinha]", sorri.

Com 30 metros de altura e 15 toneladas de estrutura, o Galo Gigante de 2017 ganhou uma decoração feita de grafite, assinada pelo artista e jornalista pernambucano Flávio Barra. "Não vejo problema em ser grafitado, mas falta brilho no boneco. Carnaval é brilho, ele tá apagado", opina a dona de casa Solange Maia.

O apego do recifense pelo maior símbolo do Carnaval da cidade é grande. São muitas as pessoas que vêm ver de perto o Galo, como é o caso da doméstica Cleonice Maria. Às 11h desta sexta, ela já estava lá aos pés da alegoria para fazer uma foto. "Venho todos os anos. É a certeza que o Carnaval começou. Mas, este ano, quiseram renovar e terminaram errando", reclama.

Já para o empresário Danilo Antonio, que veio do interior de Pernambuco para curtir a folia na capital, o gigante "saiu do tradicional e foi modernizado". Mesmo com as polêmicas e as críticas, garante Antonio, a beleza do Galo é sem igual. "Essas reclamações são muito 'mimimi'", repreende.

Mudanças

O arquiteto Carlos Augusto Lira, que assina o projeto de decoração do Carnaval do Recife há 16 anos, explica que é natural os foliões criticarem o Galo Gigante enquanto está sendo montado.

A previsão da prefeitura era de que a estátua estivesse pronta no início da manhã, mas, às 11h, quando a reportagem do UOL esteve no local, ainda faltavam acabamentos da estrutura, que devem ser finalizados até o início da tarde.

Ainda segundo Lira, as polêmicas em torno do Galo Gigante deste ano estão ligadas também à substituição do artista Sávio Araújo --responsável por confeccionar o boneco nos últimos anos-- pelo grafiteiro Flávio Barra. "Ao ser trocado, o artista anterior criou problemas, disse nos jornais locais que a estrutura do galo podia cair, fez terrorismo", lembra o arquiteto.

O Galo Gigante reina na ponte Duarte Coelho até a quarta-feira de cinzas, quando é desmontado.