Topo

Recife e Olinda


Bloco de Olinda homenageia homem "cafuçu": "divertido e muito gostoso"

Mateus Araújo

Colaboração para o UOL, em Olinda

26/02/2017 17h36

Em Olinda, o domingo de Carnaval é dia de louvar e, para quem gosta, deleitar-se com os cafuçus, no bloco I Love Cafusú. São foliões que esbanjam virilidade e um jeito peculiar de sedução

O bloco nasceu em 2004, a partir de uma fantasia criada pela figurinista Cris Garrido. "Fiz uma fantasia em protesto contra aqueles caras que se dizem modernos, mas são machistas. E o cafuçu é um homem que não é machista", explica.

A premissa básica da ode do bloco é ao homem "divertido e muito gostoso", acrescenta a produtora Luisa Accetti, uma das fundadoras da agremiação.

De camisa aberta, exibindo peito peludo, com óculos de sol espelhados, correntes douradas e boné, os homens fazem a festa das ladeiras da cidade alta. Festa deles, de outros homens e também das mulheres, as chamadas rariús. "É bom explicar uma coisa: rariú é a mulher cafuçu. Ela vai cumprimentar o boy e diz 'how are you', mas ele entende 'rariú'", acrescenta Luisa.

O UOL foi acompanhar a festa, na manhã deste domingo (26), animada por uma orquestra de frevo, e saiu à procura dos homens que se assumem cafuçu, para entender o que, afinal, é esse tipo masculino louvado na folia pernambucana.

 

 

  • Beto Figueroa/UOL

    "Gosto de bagunça"

    "Eu gosto é de bagunça. Um cafuçu é assim: gosta das pessoas se soltando; um cara que curte tudo, curte o que vier", fala Daniel Macarrão, motorista de Uber

  • Beto Figueroa/UOL

    "Cafuçu gay"

    "Primeiramente, tenho muito testosterona. Sou um cafuçu gay, porque cafuçu pode tudo. Gosto de homem, mas tenho pegada de cafuçu. Gosto de pegar na 'xinxa' e dar um cheiro no cangote", diz Adriano Freitas, produtor de arte

  • Beto Figueroa/UOL

    Flores e bombons

    "Cafuçu é a minha vida. A gente manda flores, bombom e diz 'I love you', ou seja 'eu te amo'", fala Alfredo Silva, o Alfredão, segurança

  • Beto Figueroa/UOL

    Nada de rótulos

    "Cafuçu é desprendido de rótulos. Amo todo tipo de mulher. E minhas marcas são a corrente de outro, que mostra que eu cheguei, e a camisa desabotoada", afirma Rafael Mattos, profissional de marketing

  • Beto Figueroa/UOL

    "Tem de ter pegada"

    "Cafuçu tem de ter pegada. Cafuçu gosta de beijar na boca, pegar por trás e sair se arrepiando. Cafuçu é tudo: homem, mulher, viado", diz o DJ AD Ferreira (na foto, com o produtor Otávio Bontempo, à direita)