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Recife e Olinda


Abertura do Carnaval do Recife homenageia Naná e celebra cultura negra

Mateus Araújo

Colaboração para o UOL, no Recife

24/02/2017 23h40

A noite de abertura do carnaval do Recife, no Marco Zero, nesta sexta (24) foi uma celebração à ancestralidade africana, através de uma homenagem ao percussionista Naná Vasconcelos.

A apresentação, que reuniu num mesmo palco, os cantores Lenine e Virgínia Rodrigues e o coral feminino Voz Nagô, acompanhados da percussão de 620 integrantes de grupos de maracatu da cidade, marcou com emoção o início dos festejos na capital pernambucana.

“Naná deixou um encaminhamento do trabalho de representar a cultura negra. Esta cerimônia de abertura, com as nações de maracatu, foi uma criação dele, e nós temos a responsabilidade de levar adiante”, diz Nalva Silva, uma das integrantes do Coral Nagô, grupo criado por Vasconcelos em 2009.

A cerimônia, que começou com um cortejo pelas ruas do Bairro do Recife, culminou no palco do Marco Zero, com Lenine e Virgínia cantando músicas próprias e outras de autoria de Naná Vasconcelos -- como “Nizinga”, canção que celebra a força da mulher negra. 

Marlon Costa/Futura Press/Estadão Conteúdo
Imagem: Marlon Costa/Futura Press/Estadão Conteúdo

“Naná estabeleceu um respeito entre as nações de maracatu ao ponto de grupo adversários se visitarem, criando um respeito que supera a rivalidade ancestral”, lembra Lenine, que foi o último convidado de Vasconcelos a participar da abertura do Carnaval do Recife, em 2016.

“Estar aqui hoje tem também um pouco de dor, ao mexer com a lembrança muito recente. Me lembro do nosso cortejo do ano passado, ele debilitado e segurando no meu braço. Foi um dos momentos mais sublimes da minha vida.”

"Estar aqui hoje tem também um pouco de dor", comentou Lenine ao lembrar de Naná Vasconcelos - Cuca Matos/JC Imagem/Estadão Conteúdo
"Estar aqui hoje tem também um pouco de dor", comentou Lenine ao lembrar de Naná Vasconcelos
Imagem: Cuca Matos/JC Imagem/Estadão Conteúdo