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Congelamento de óvulo: tem idade melhor? Quanto tempo dura? Convênio cobre?

Colaboração para VivaBem

06/05/2022 10h55

Hoje em dia, fala-se mais sobre congelamento de óvulos já que muitas mulheres têm adiado a maternidade por questões profissionais e também ao ficar à espera de um parceiro ideal. Esse é o tema do terceiro episódio da terceira temporada do Conexão VivaBem. O programa contou com a participação de Matheus Roque, especialista em reprodução humana, que tirou diversas dúvidas sobre o assunto, além da atriz Paloma Bernardi, que passou pelo procedimento.

Existe um limite de idade para a mulher engravidar?

A partir dos 35 anos a mulher começa a ter uma queda significativa nas chances de engravidar naturalmente. Não há um limite de idade para ela engravidar, mas biologicamente, quanto mais a mulher adiar a tentativa de gravidez, menores as chances de ela engravidar, maiores os riscos de aborto e de o bebê ter doenças genéticas.

Qual a melhor idade para congelar óvulos?

Entre 30 e 35 anos é uma excelente idade para o congelamento, embora isso não signifique que há uma idade máxima ou idade limite para o procedimento. Quanto antes se pensar no assunto, melhor.

Segundo o médico, é melhor uma mulher que tenha óvulos congelados aos 40 anos de idade do que ela tentar engravidar aos 41, 42, 43, ou precisar de uma fertilização in vitro lá na frente e não ter mais óvulos, ou no caso de ela ainda ter, esses óvulos já envelheceram e não têm uma qualidade para proporcionar uma gestação saudável.

"As mulheres estão cada vez mais jovens e lindas, mas a gente não tem na reprodução ainda o botox, aquela parte da estética. O que nós temos é o congelamento, que possibilita dar autonomia à mulher para que quando ela estiver preparada para esse momento mágico que é a maternidade, ela possa partir com mais segurança e com uma chance maior", comenta o médico.

Há algum preparo?

Sim, a primeira etapa é o período de estimulação ovariana, em que a mulher toma hormônios injetáveis. Dois dias depois, é feito o procedimento para coleta dos óvulos, para aspirar os óvulos do ovário. Geralmente, em uma, duas semanas, no máximo, a paciente vai menstruar e os hormônios voltarão ao normal.

Quantos óvulos podem ser congelados?

Teoricamente, quanto mais óvulos forem congelados, maior o potencial de uma gravidez no futuro, caso a mulher precise utilizar esses óvulos. Matheus explica que não é porque a paciente fez o procedimento que ela é obrigada a usar aqueles óvulos ou pensar nele como um único caminho.

"Se ela não engravidou naturalmente, independentemente do motivo, e precisar de um tratamento de fertilização in vitro, os óvulos que foram congelados vão dar uma possibilidade muito maior do que os óvulos que ela poderia ter no futuro."

É possível criar mais óvulos?

Não, embora sejam usados hormônios no tratamento para estimular todo o potencial que a mulher terá no ciclo, não é possível criar mais óvulos, independentemente se o procedimento for pelo congelamento ou pela fertilização in vitro.

"O que nós conseguimos é aproveitar baseado na reserva ovariana (estoque de óvulos) que aquela mulher teria naquele mês e que iria desperdiçar", explica o especialista em reprodução humana.

Quanto tempo dura os óvulos no laboratório?

Não existe um prazo de validade a partir do momento que os óvulos são congelados. Eles podem ser utilizados em qualquer momento, em seis meses, após 1, 5,10 anos.

Segundo Roque, a idade da mulher não vai ter mais influência no resultado ou nas chances de engravidar. "O importante é a qualidade daquele óvulo no momento do congelamento."

O congelamento de óvulos é uma garantia de que a mulher engravidará depois?

Não, o congelamento de óvulos potencializa as chances, mas não garante uma gravidez. Ele potencializa no sentido de possibilitar que a mulher terá óvulos, porque pode ser que lá frente ela não tenha. Ou seja, o procedimento dá a possibilidade de ela de ter o seu próprio material genético para usar no futuro. De acordo com o médico, já houve problemas no mundo inteiro em relação a essa expectativa.

"Apesar de todos os avanços da reprodução assistida e das técnicas dos tratamentos, infelizmente a gente está muito longe de poder oferecer para aquela mulher ou casal a garantia de ter o bebê. Essas pessoas não estão ali simplesmente para fazerem um tratamento, mas para realizar um grande sonho e algo mágico. Infelizmente, estamos longe disso, o que conseguimos é potencializar os resultados", diz.

O médico esclarece ainda que não necessariamente todos os óvulos congelados serão fertilizados, vão formar embriões e nem todos os embriões vão estar aptos a formar realmente um bebê. "Existe uma escalada com diversos passos até a chegada de um bebê em casa."

Existem riscos com o procedimento?

Hoje em dia os riscos e as complicações são baixos. No período de estimulação ovariana, pode ocorrer uma oscilação na parte emocional, a TPM (tensão pré-menstrual) ser mais intensa e surgirem sintomas como dor de cabeça, retenção de líquido, inchaço na mama e cólica.

"Acredito que a maneira como a mulher entra no tratamento, o astral dela, isso com certeza mudará completamente a resposta e o jeito que ela verá os efeitos", opina Roque.

O plano de saúde cobre a técnica de congelamento de óvulo?

Não, no Brasil, os planos de saúde não cobrem as técnicas de congelamento de óvulos e nem da fertilização in vitro. "Acho um absurdo, 15% dos casais enfrentam a infertilidade e vão precisar de um tratamento, é uma das doenças mais comuns em todo o mundo e, infelizmente, os planos de saúde não têm obrigação de cobrir os procedimentos", diz o especialista.

Quais os custos para esse tipo de procedimento?

Grande parte do custo está relacionado às medicações que são usadas para a estimulação ovariana, além dos custos da clínica e do laboratório.

Posteriormente, a paciente precisa pagar uma taxa de manutenção, que pode ser mensal, semestral ou anual, para manter os óvulos congelados.

"É como se fosse um seguro. Você vai pagando ao longo da vida, mas não sabe se vai precisar usar ou mesmo se vai querer usar", afirma o médico.

Congelamento de óvulos é alternativa para manter a fertilidade antes de iniciar um tratamento contra o câncer?

Toda mulher com diagnóstico de câncer que vai passar pelo tratamento oncológico poderá ter a indicação de fazer um congelamento de óvulos antes de iniciá-lo, é o que chamamos de preservação oncológica de fertilidade.

Isso porque a quimioterapia pode afetar a reserva ovariana da mulher. Além disso, dependendo do tipo de tratamento e da dosagem dos medicamentos, pode ser que a paciente entre em menopausa antes do tempo.