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Laura Neiva compartilha luta contra epilepsia; entenda como a doença age

Reprodução/Instagram
Imagem: Reprodução/Instagram

Do VivaBem, em São Paulo

25/05/2020 12h33

A atriz Laura Neiva contou, por vídeo em seu Instagram, como descobriu a epilepsia e sobre sua dificuldade em aceitar o tratamento com medicamentos. "Eu tinha vergonha, achava impossível que meu corpo não desse conta de lidar com isso sozinho e que eu ia ficar dependente de um remédio", desabafou a atriz.

Por interromper o uso das drogas, Laura acabou sofrendo crises. "Acabei deixando de tomar o remédio. As crises foram piorando, teve alguns acidentes, até que aconteceu uma situação grave e percebi que o remédio estava ali para me ajudar e me salvar. Desde então tenho consciência dos riscos que posso colocar à minha vida", completou.

O que é a epilepsia?

A doença é como se fosse um curto-circuito do cérebro, segundo Saulo Nader, neurologista do Hospital Israelita Albert Einstein. "Imagina que você tem um liquidificador que entra em curto. Ele desliga e para de funcionar. Com o cérebro é a mesma coisa, se ele entra em curto, desliga e liga de novo. Felizmente, nosso órgão não queima como o eletrodoméstico", diz. Esse "curto" é a convulsão, que dura poucos minutos. Aos poucos, o cérebro reinicia suas funções.

Para o diagnóstico correto, o especialista pede, além da descrição do ocorrido, exames de ressonância magnética, eletroencefalograma.

Quais os riscos da epilepsia?

O maior problema em torno da doença é no momento da crise convulsiva, quando é colocada em risco a vida do indivíduo diagnosticado e outros ao seu redor. Crises quando se está nadando, dirigindo ou pilotando algum avião, por exemplo, são perigosas.

Além disso, em teoria, o cérebro não é prejudicado após essas crises, a não ser em crises prolongadas, chamadas de estado mal epiléptico, que duram mais de cinco minutos. Nelas, o cérebro tem risco de morte ou de perda de função. "Nesses casos, há sequelas no QI, memória ou movimento, mas ocorre na minoria das vezes."

Outra questão que envolve a doença é seu estigma, que atingiu também a atriz. "Por muito tempo eu tinha vergonha de dizer que eu tinha uma doença", diz Laura no vídeo.

"Quando você fala que tem epilepsia, todo mundo pensa na crise generalizada, fica com medo, preocupado. As pessoas que têm epilepsia são vítimas de preconceito, então resolvem não contar para amigos, familiares ou no trabalho, porque sabem que serão julgadas pela doença", diz Nader.

Mas o médico ressalta que, em 80% dos casos, o indivíduo tem um controle ótimo da doença e uma vida inteiramente normal. A refratária, que a dificuldade de tratar até mesmo com o remédio, é minoria.

Tratamento costuma ser para o resto da vida

O foco da convulsão é como se fossem fios desencapados. O remédio, então, é a fita isolante. "Ele estabiliza a condução elétrica do cérebro e não vai deixar que o curto ocorra", diz o neurologista. Os medicamentos trabalham a condução elétrica na bainha de mielina dos neurônios.

Segundo Nader, o mais comum que o indivíduo com epilepsia tome o remédio pelo resto da vida. Mas existem exceções. "Se a pessoa segue o tratamento por três ou cinco anos e não teve mais nenhuma crise, o médico pode tirar o medicamento".

*Com informações da reportagem de Gabriela Ingrid, publicada em 06/02/2020.

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