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Suco de batata cura gastrite?

Check Up suco de batata
Imagem: Priscila Barbosa/UOL VivaBem

Renata Turbiani

Colaboração para o VivaBem

01/01/2020 04h00

A batata é um dos alimentos mais versáteis que existe. Pode ser consumida frita, cozida, assada e ao vapor, e é usada no preparo de diversos pratos, como tortas, massas e purês. Outra forma de utilização, e que tem atraído a atenção das pessoas, seja porque viram na internet ou porque um conhecido indicou, é como suco, para tratar gastrite. Mas será que é recomendado? E resolve?

De acordo com os especialistas consultados pelo VivaBem, o líquido extraído do tubérculo não tem o poder de curar a doença, no entanto, pode ajudar a aliviar momentaneamente os sintomas. O fato é que, por ser alcalina, a batata neutraliza a acidez do estômago e diminui o desconforto, atuando como uma espécie de antiácido.

Ela também é rica em vitamina C, o que lhe confere ação anti-inflamatória e, como a gastrite é a inflamação aguda ou crônica da mucosa que reveste as paredes internas do estômago, tomar o preparado, para alguns indivíduos, contribui para a melhora superficial do quadro.

Mesmo sendo uma alternativa natural, o suco de batata, normalmente feito com a espécie inglesa crua, não substitui o tratamento receitado pelo médico, em hipótese alguma. Ele serve apenas como um adjuvante e, ainda assim, só deve ser ingerido sob a supervisão do especialista.

Sintomas e causas da gastrite

Na lista de sintomas da gastrite estão dor, queimação (azia), náusea, vômito, indigestão e diminuição do apetite. Dentre as causas, a mais comum —70% dos casos, segundo a FBG (Federação Brasileira de Gastroenterologia)— é a presença da Helicobacter pylori, bactéria que se instala abaixo da camada de muco do órgão e libera uma enzima que muda o pH das áreas próximas.

Outros fatores que desencadeiam o problema são dieta inadequada, rica em alimentos gordurosos, condimentados e ácidos, tabagismo, consumo excessivo de álcool e uso prolongado e sem controle de alguns medicamentos, sobretudo ácido acetilsalicílico e anti-inflamatórios.

Um ponto que está muito relacionado a essa enfermidade, mesmo não sendo o seu causador, é o estresse. O que acontece é que em situações de grande tensão, ansiedade e nervosismo, o organismo libera uma quantidade maior dos hormônios cortisol e adrenalina, e isso faz com que mais ácido seja produzido no estômago, piorando a irritação.

Vale destacar que, quando está estressada, a pessoa também fica mais sensível —em todos os aspectos—, e aí os efeitos da doença se tornam mais intensos e frequentes.

Diagnóstico e tratamento

Sentir dores ou algum desconforto estomacal às vezes não é sinônimo de gastrite. A preocupação se dá apenas quando esses sinais são persistentes. Nesses casos, deve-se procurar um médico gastroenterologista para o correto diagnóstico, feito com base na avaliação clínica e em exames (endoscopia, com ou sem biópsia).

O tratamento é prescrito de acordo com a causa. Por exemplo, se for a bactéria Helicobacter pylori, a indicação é o uso de antibiótico. Nas demais situações, normalmente, são os bloqueadores da bomba protônica, que combatem a produção de ácido e abrangem agentes como omeprazol, lanzoprazol e pantoprazol.

Também se faz necessária uma mudança no dia a dia, o que inclui comer devagar, para secretar menos ácido, e evitar, em especial na fase aguda, alimentos de difícil digestão e irritantes da mucosa gástrica (frituras, condimentos, pimentas, bebidas com cafeína, alcoólicas e gaseificadas, queijos amarelos, bolachas amanteigadas, açúcar, embutidos, enlatados, conservas e frutas e vegetais cítricos e ácidos são alguns).

Junto a isso, é importante não mascar chiclete, não chupar bala, não pular as refeições, parar de fumar, não beber enquanto come, não ingerir alimentos muito gelados e nem muito quentes, não dormir com o estômago cheio e praticar atividade física regularmente.

E é fundamental seguir a terapia corretamente, tanto a medicamentosa quanto a comportamental, para evitar complicações, como hemorragia, úlcera gástrica e até câncer de estômago.

Fontes: Carlos Frederico Porto Alegre, professor da pós-graduação em gastroenterologia na PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro) e da disciplina de gastroenterologia do curso de medicina da Universidade Estácio de Sá; Ismael Maguilnik, gastroenterologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professor do curso de medicina da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul); Ricardo Correa Barbuti, médico-assistente do Departamento de Gastroenterologia do HCFMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo) e médico-chefe do Ambulatório de Gastroenterologia do HCFMUSP, e Valéria Goulart, nutróloga da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia).

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