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Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor


Sangramento nasal nem sempre tem relação com tempo seco; veja outras causas

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Imagem: iStock

Marcelo Testoni

Colaboração para o VivaBem

06/12/2019 04h00

Quando falamos em sangramento nasal, é comum associar o problema ao tempo quente e seco. Realmente, a baixa umidade do ar provoca o ressecamento das vias aéreas e é responsável por grande parte dos casos de rompimento dos vasinhos nasais. Porém, doenças, traumas e hábitos ruins também podem estar por trás da condição, mesmo quando a umidade do ar está alta, acima de 60%.

Existem dois tipos de epistaxe ou hemorragia nasal. A anterior ao nariz, que é a mais comum e ocorre à frente dele, onde é grande a concentração de vasos sanguíneos frágeis, e a posterior ao nariz, mais no fundo dele e com efeitos mais sérios, pois nessa região ficam artérias grandes que se relacionam com o restante da face e que ao se romperem pulsam e jorram tanto sangue que a pessoa, por falta dele, pode precisar de uma transfusão.

"Na epistaxe anterior, o sangue sai pelas narinas e depois de alguns minutos para espontaneamente. Já na posterior, sente-se o sangue escorrer por dentro da garganta de maneira mais intensa, causando desconfortos e mal-estar", explica Cícero Matsuyama, otorrinolaringologista do Hospital Cema, em São Paulo.

Doenças, traumas e hábitos ruins

Independente de sexo ou idade, qualquer um está sujeito a ter um sangramento nasal por fratura; esforço excessivo ao assoar o nariz; exposição prolongada ao tempo seco ou ao ar-condicionado; deformidades anatômicas (como desvio de septo, que deixa as mucosas nasais mais finas e ressecadas e os vasos mais expostos, podendo causar sangramento); inalação acidental ou constante de produtos químicos; inflamações secundárias a infecções do trato respiratório por doenças de origem viral ou bacteriana, além de processos alérgicos.

Em se tratando de crianças, 30% das que têm entre 2 e 5 anos e 56% entre 6 e 10 anos estão propensas a terem sangramentos nasais, ao menos, uma vez por ano. É que na infância, além de haver muitos vasinhos em formação dentro do nariz, também é grande o risco deles se romperem por inflamações respiratórias causadas por gripes, sinusites e rinites, além de traumas por quedas e brincadeiras e introdução de dedos e objetos estranhos nas narinas.

Na fase adulta, outras causas, além das já citadas, incluem hipertensão arterial descontrolada, insuficiência cardíaca, tumores cancerígenos e doenças que comprometem a coagulação do sangue, como hemofilia, leucemia, insuficiências hepática e renal e linfomas.

Sangramentos relacionados a alterações sanguíneas podem ocorrer ainda por uso diário ou doses elevadas de anti-inflamatórios, como aspirina, e de outros medicamentos que aumentem a circulação, ou por alcoolismo severo, que provoca deficiência de vitamina K, responsável pela coagulação.

Por falar em excessos e dependências, usuários de drogas inalantes, como cocaína, também estão suscetíveis a sofrerem lesões nas mucosas, que podem criar crostas, infeccionar e sangrar. "Outras substâncias que oferecem risco às narinas são os descongestionantes nasais, que não devem ser usados por crianças e adultos por mais de cinco dias. Tanto os de uso local como de uso oral apresentam reações adversas que predispõem a ruptura de vasos sanguíneos" explica Cristiane Adami, médica otorrinolaringologista do Hospital Paulista, em São Paulo.

Como conter o sangramento?

Se o sangramento ocorrer na parte anterior do nariz, ou seja, próximo da ponta dele, deve se inclinar um pouco a cabeça para frente, para que o sangue saia totalmente pela narina e não seja engolido, evitando engasgos.

Nesse momento, também é recomendado pressionar o nariz com uma pedra de gelo envolvida em uma toalha, pois assim a temperatura local diminui, e estancar o vaso rompido com um pedaço de algodão. Adami acrescenta que se a pessoa quiser pode pingar um pouco de remédio vasoconstritor no vasinho para que ele se contraia e feche.

Cícero Matsuyama aconselha que, ao se ter um sangramento nasal desse tipo pela primeira vez, a pessoa procure um médico especialista em otorrinolaringologia em vez de um clínico geral, devido à necessidade de se fazer uma avaliação e um diagnóstico com instrumentos especiais e precisos para visualização da cavidade nasal. Depois é só tratar a causa.

As mais simples, como processos inflamatórios ou alérgicos, podem ser controladas apenas com uso de medicação, hidratação nasal com solução fisiológica e mudança de hábitos, como usar máscara ao lidar com substâncias químicas.

Porém, quando há suspeita de trauma ou sangramento acompanhado de sintomas, como aumento da frequência cardíaca, sensação de desmaio, cansaço e pressão baixa, a pessoa deve ir direto ao pronto-socorro. Se for constatada uma emergência, ao mesmo tempo em que se tenta conter o sangramento devem ser verificados os sinais vitais, para que se a pressão estiver fora do normal possa ser estabilizada, até mesmo para poder operar, se for necessário.

Objetos estranhos introduzidos nas narinas são retirados com pinças e depois as eventuais lesões tratadas com medicamentos. Também podem ser pinçados vasos que se romperam ou até mesmo cauterizá-los elétrica e quimicamente. "Outros métodos para conter sangramentos nasais incluem inserir tampões nas narinas, fazer embolizações e até ligaduras arteriais. Depois, com o paciente estabilizado e fora de risco, o passo seguinte é investigar a causa desse problema e tratá-lo", afirma José Ricardo Testa, médico otorrino do Hospital 9 de Julho, em São Paulo.

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