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Tomar cerveja evita pedra nos rins?

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Imagem: Priscila Barbosa/VivaBem

Renata Turbiani

Colaboração para o UOL VivaBem

30/01/2019 04h00

Por ser diurética, há quem sempre defenda que tomar cerveja ajuda a evitar a formação de cálculo renal (a famosa pedra no rim). Pois saiba que isso não é conversa de bar e realmente tem comprovação científica.

Um estudo publicado no Clinical Journal of American Society of Nephrology acompanhou 194 mil pessoas durante oito anos e descobriu que aqueles que consumiram uma lata de cerveja por dia apresentaram risco 41% menor de ter pedra no rim. A redução na chance de desenvolver o problema também foi observada em quem consumiu moderadamente vinho (33%), café (26%), suco de laranja (12%) e chá (11%). Já quem tomou refrigerantes mostrou um aumento de até 33% em ter cálculos. 

Apesar do benefício da cerveja, os médicos não indicam ingerir a bebida para prevenir pedras nos rins. Eles alertam que não existe uma dose de álcool segura para a saúde. O excesso da substância pode gerar câncer, AVC, depressão, perda de memória, cirrose, entre outros problemas, além de, inclusive, piorar o quadro de cálculo renal. 

Por que cerveja não é indicada para evitar pedra no rim?

Os especialistas listam basicamente duas razões para não apostar na cerveja como uma "protetora dos rins". A primeira é que a bebida, assim como os demais produtos alcoólicos, inibe a produção de vasopressina, hormônio antidiurético que regula o volume de urina. Quando o nível dessa substância cai, fazemos mais xixi e, com isso, eliminamos mais água --e junto com ela sais minerais --, favorecendo a desidratação e, consequentemente, a formação de pedras nos rins.

O segundo ponto é que a "gelada" contém purina, elemento que, ao ser consumido em grandes quantidades, aumenta as taxas de ácido úrico no sangue e também colabora para o desenvolvimento do cálculo renal.

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Como é formado o cálculo renal?

Mais conhecido como pedra no rim, o cálculo renal é formado pelo acúmulo de cristais de cálcio, ácido úrico, oxalato (um sal) ou cistina (um aminoácido) dentro dos rins ou nos canais urinários (ureteres, bexiga e uretra). Se há um desequilíbrio, ou seja, maior quantidade desses elementos do que de líquidos (urina) no aparelho urinário, a sua dissolução é dificultada.

Os cálculos pequenos e localizados nos rins quase sempre são assintomáticos. A temida cólica, normalmente acompanhada de enjoo e vômito, só ocorre se eles obstruírem o ureter. A presença de sangue na urina é comum, e a complicação mais frequente é a infecção urinária.

Quais as causas?

Dentre as principais causas do problema, que atinge três vezes mais os homens do que as mulheres, especialmente os com idade entre 20 e 30 anos, estão baixa ingestão de água, consumo excessivo de sódio e proteína, predisposição genética e distúrbios metabólicos.

Altas temperaturas --pois favorecem a transpiração e a desidratação -- obesidade, sedentarismo e problemas de saúde como hipertensão, hiperparatireoidismo (produção exagerada do hormônio PTH, aumentando os níveis de cálcio no sangue) e Doença de Crohn são outros fatores que contribuem.

Como prevenir?

A prevenção do problema está, sim, no copo, mas de água e não de cerveja. O mais importante é manter uma ingestão adequada de líquidos (sem álcool e/ou açúcar): a recomendação diária é de 30 ml por quilo de peso corporal. Por exemplo: uma pessoa de 70 quilos precisa beber 2,1 litros de água por dia.

Também é fundamental praticar exercícios regularmente, mudar os hábitos alimentares, evitando o excesso de bebidas alcoólicas e refrigerantes, além de maneirar no consumo de sódio --a OMS recomenda o consumo de 2 g ao dia, mas algumas pesquisas apontam que é seguro ingerir até 5 g -- e não exagerar na ingestão de proteínas. A quantidade varia conforme o nível de atividade física de cada pessoa, mas a recomendação geralmente é de 0,8 g a 2 g do nutriente por quilo de peso corporal. Ou seja, uma pessoa com 70 kg deve comer até 140 g de proteína por dia. 

Fontes: Alex Meller, urologista, médico-assistente da disciplina de urologia da Escola Paulista de Medicina (EPM) da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e especialista em cálculo renal da Clínica Unix; e Marcelo Mazza, presidente da SBN (Sociedade Brasileira de Nefrologia).

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