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Anticorpos para variante sul-africana do coronavírus protegem outras cepas

Anticorpos para variante sul-africana do coronavírus protegem outras cepas - Pixabay
Anticorpos para variante sul-africana do coronavírus protegem outras cepas Imagem: Pixabay

03/03/2021 22h36

Estudos realizados por cientistas da África do Sul sugerem que os anticorpos gerados para combater a variante do coronavírus descoberta no país africano (501Y.V2) também protegem contra variantes anteriores e, provavelmente, contra aquelas que estão surgindo em outros lugares.

A descoberta, baseada na análise de plasma, é uma notícia especialmente positiva, pois nos permite pensar, de acordo com especialistas sul-africanos nesta quarta-feira, que uma vacina criada especificamente contra a variante 501Y.V2 poderia ser suficiente para fornecer proteção cruzada contra covid-19.

"O plasma recolhido de pessoas infectadas com 501Y.V2 tem uma boa atividade neutralizadora (contra a própria variante) e também contra vírus de primeira onda e potencialmente contra outras variantes preocupantes", anunciou o professor brasileiro Túlio de Oliveira, durante seminário virtual organizado pelo governo da África do Sul.

Os anticorpos gerados naturalmente pelo corpo humano para lidar com a variante dominante na África do Sul têm dado até agora bons resultados contra a mutação encontrada no Brasil e contra os tipos de coronavírus que circulavam no início da pandemia.

"Projetar uma vacina com essa variante pode fornecer proteção cruzada contra outras variantes, pode deixar o vírus sem capacidade de manobra. Para nós, isso é incrível", comemorou Alex Sigal, do Instituto Africano de Pesquisa em Saúde, na mesma reunião virtual.

Os especialistas sul-africanos também enfatizaram que a maioria das grandes empresas farmacêuticas que lideram a vacinação, como Moderna, Pfizer, AstraZeneca e Johnson & Johnson, já estão trabalhando em soluções específicas para a variante descoberta na África do Sul.

Em particular, aquelas que poderiam estar prontas mais cedo são as vacinas baseadas em RNA mensageiro (Moderna e Pfizer).

Até o momento, a variante 501Y.V2 foi detectada em 48 países ao redor do mundo.

Foi identificado pela primeira vez em dezembro do ano passado por cientistas da África do Sul e, embora não seja mais grave do que o SARS-CoV-2 inicial, é 50% mais contagioso.

No entanto, o grande problema com o 501Y.V2 é que ele é mais resistente às vacinas projetadas até agora.

Esse fator obrigou a África do Sul a modificar seus planos de vacinação no mês passado e a descartar, por exemplo, o uso da vacina AstraZeneca, depois que estudos preliminares mostraram eficácia muito limitada contra a nova variante (previne apenas 22% dos casos leves e moderados e sua eficácia contra condições graves é desconhecida).

A África do Sul, de longe, é o país mais afetado pela Covid-19 em todo o continente africano, com 1.514.815 casos acumulados e 50.271 mortes.

Depois de uma forte segunda onda registrada no Natal, a África do Sul conseguiu controlar as infecções novamente, mas a nova variante causa quase todas as infecções.

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