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Paola Machado

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Síndrome do intestino irritável: o que fazer e quais alimentos evitar

Na fase aguda da síndrome, é melhor evitar leite e mel - iStock
Na fase aguda da síndrome, é melhor evitar leite e mel Imagem: iStock
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Paola Machado

Paola Machado é formada em educação física, mestre em ciências da saúde (foco em fisiologia do exercício e imunologia) e doutora em ciências da saúde (foco em fisiopatologia da obesidade e fisiologia da nutrição) pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Atualmente, atua como pesquisadora, desenvolvendo trabalhos científicos sobre exercícios, nutrição e saúde. CREF: 080213-G | SP

Colunista do UOL

30/11/2021 04h00

Você sente frequentemente dor, distensão abdominal, muitos gases, sensação de evacuação incompleta e períodos de alternância entre diarreia e dificuldade para evacuar? Se a sua resposta foi sim, você pode ter a síndrome do intestino irritável.

Consideramos esta condição como uma doença funcional, sem manifestações estruturais ou em seus exames de sangue ou de imagem. Por conta disto, o diagnóstico pode ser por vezes desafiador e deve ser feito por um médico, preferencialmente da área de gastroenterologia.

O ponto mais intrigante é que este conjunto de manifestações (conhecido como síndrome), ainda não tem uma causa definida. Muitos profissionais atribuem o seu desenvolvimento ao estresse, a alimentação desregrada e carregada de ultraprocessados, sem a presença de frutas, verduras e legumes ou ainda por conta de uma hipersensibilidade intestinal e alteração no equilíbrio da nossa flora intestinal, conhecido como disbiose —provavelmente a associação destas várias possibilidades seja a causa mais assertiva.

Os sintomas aqui descritos podem estar presentes por meses, prejudicando a qualidade de vida e bem-estar de quem os sente, mas saiba que estas queixas não são específicas desta síndrome e que algumas pessoas podem até apresentar desconfortos parecidos com uma gastrite, por isto é tão importante procurar ajuda de uma equipe. Quando deixamos pra lá, a situação pode piorar e evoluir com sangramento intestinal, perda de peso, fraqueza, desidratação e até quadros mais graves de desnutrição.

Quando bem assistido, você certamente sentirá melhora de forma rápida e tenha a certeza de que a mudança em sua alimentação terá uma grande importância no retorno deste bem-estar. Falando em tratamento nutricional, é preciso compreender que teremos dois momentos com diferentes objetivos em sua dieta, veja só:

Quando todos estes sintomas estão intensificados e a todo vapor...

Evite alimentos como leite e derivados, feijões, mel, brócolis, couve-flor, muita cebola e alho no preparo, pois podem intensificar a fermentação e os desconfortos durante a fase aguda da síndrome intestino irritável. Estes carboidratos, conhecidos como FODMAP (oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e pólios fermentáveis), causam dor abdominal, diarreia, constipação, inchaço e aguçam os sintomas da síndrome do intestino irritável.

Tabela Paola Machado - Paola Machado - Paola Machado
Imagem: Paola Machado

Na literatura científica, em momentos de crise a restrição destes alimentos, além dos ultraprocessados como biscoitos, salgadinhos, balas, docinhos e demais alimentos que se encaixem nesta classificação, é uma atitude altamente eficaz. Associe esta conduta com uma boa hidratação e prática de atividades que controle o seu estresse (exercício físico, meditação entre outros), que certamente os resultados virão.

Ao sair da fase aguda, com a síndrome controlada, o objetivo será trabalhar bons hábitos alimentares de maneira geral, prevenindo a ocorrência dos mesmos efeitos da fase conhecida como aguda. Nesse momento, algumas atitudes alimentares e de rotina serão essenciais, anote aí:

  • Durma bem! Nada como um sono reparador para aliviar a carga de estresse e reduzir a liberação de substâncias estimulantes que podem disparar a síndrome;
  • Beba chás digestivos e relaxantes como camomila, erva doce, passiflora, mulungu, preferencialmente 30 minutos antes das refeições;
  • Hidrate-se adequadamente com água. Tenha como ponto de partida o consumo mínimo diário de 1,5 litro;
  • Priorize o consumo de frutas, verduras, legumes, grãos integrais e leguminosas (feijão, lentilha, grão-de-bico, soja, fava, ervilha) pois estes alimentos auxiliam na melhora e manutenção da flora intestinal;
  • Pratique a higiene mental! Exercite-se, medite, sorria, seja otimista e feliz. Libere endorfina e recarregue as energias com bons sentimentos e vibrações;
  • Controle o consumo de sal, condimentos fortes e corantes;
  • Consuma moderadamente carne vermelha (bovina e suína); estudos apontam que o consumo semanal destes alimentos não deve ultrapassar 500 gramas por semana --isto corresponde a aproximadamente 3 bifes médios;
  • Capriche nas oleaginosas e azeite: contém componentes anti-inflamatórios e muito positivos não só para a nossa saúde intestinal.

Na dúvida, busque ajuda profissional para o diagnóstico, e para alívio de sintomas, procure um nutricionista. Tenha em mente que uma vida em equilíbrio tem a capacidade de prevenir todas as doenças. Invista em você.

*Colaboração da nutricionista comportamental Samantha Rhein (Unifesp)

Referências:

http://www.sbmdn.org.br/

https://www.asbran.org.br/

https://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/29541/1/TatianaFSBastos.pdf

https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document/infografico-cancer-intestino-25-11-2021_0.pdf

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL