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Câncer de mama: técnicas ajudam a elevar a autoestima das mulheres

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Imagem: iStock
Fernando Maluf

Diretor associado do Centro Oncológico da BP - Beneficência Portuguesa de São Paulo, membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein e fundador do Instituto Vencer o Câncer (IVOC). É formado em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, onde hoje é Livre Docente.

Colaboração para o VivaBem

18/10/2021 04h00

A Iarc( International Agency for Research on Cancer), órgão ligado à OMS (Organização Mundial da Saúde), divulgou, no início do ano, que o câncer de mama se tornou a neoplasia mais comum no planeta. Uma doença predominantemente feminina, em que o diagnóstico precoce é fundamental para garantir uma maior chance de cura. Para o Brasil, o Inca (Instituto Nacional de Câncer) estima 66.280 casos novos da doença em 2021 —o tumor ocupa a primeira posição em mortalidade por câncer entre as brasileiras.

A mulher que observa o próprio corpo está mais atenta aos sinais de alerta que ele traz. Se o autoexame já deixou de ser indicado para identificar e prevenir o câncer de mama por não substituir o exame clínico, é uma forma importante de autocuidado e autoconhecimento. Para o rastreamento da doença, o indicado é a realização da mamografia após os 40 anos.

É este cuidado que garante, após o diagnóstico, melhores desfechos para a mulher que reconhece a importância de estar bem antes, durante e depois do tratamento. Segundo o Inca, cerca de 13% dos casos de câncer de mama em 2020 no Brasil (aproximadamente 8 mil) poderiam ser evitados pela redução de fatores de risco relacionados ao estilo de vida, em especial, da inatividade física. Mas a atenção precisa estar equilibrada entre as emoções e o físico. Muitas vezes, não é fácil lidar com os impactos das terapias, os efeitos colaterais, e ainda ter uma boa alimentação, praticar exercícios, manter a vida social, deixar a autoestima lá em cima.

São diversas as pacientes com câncer que não se reconhecem no espelho. São mudanças na pele, nos cabelos, no corpo. Um efeito negativo sobre a saúde mental que pode chegar a atrapalhar a adesão ao tratamento, por exemplo. Mas, atualmente, uma série de técnicas, produtos e serviços, realizada por profissionais de saúde de diversas áreas, traz opções para o bem-estar das pacientes oncológicas.

Não tenho dúvidas de que o maior temor das mulheres é a perda de cabelo. Hoje, já existem mecanismos que conseguem preservar os fios em diversos casos, dependendo do tipo de quimioterapia utilizada. O resfriamento capilar promove uma vasoconstrição no couro cabeludo, dificultando a entrada da quimioterapia nos folículos capilares, o que minimiza a queda dos cabelos. Além da touca de resfriamento, que em alguns casos previne a queda, há próteses com cada vez mais qualidade. Ainda não há estudos realizados sobre benefícios ou malefícios em relação à LEDterapia, que ainda não é recomendada às pacientes.

Técnicas como a dermopigmentação conseguem devolver a expressão das sobrancelhas e completar a reconstrução da mama, com o desenho da aréola e bicos dos seios. As sequelas da radioterapia na pele podem ser amenizadas com produtos especiais indicados às pacientes oncológicas.

Enquanto a medicina caminha em busca da cura, aprendemos que, ao longo da estrada, precisamos de um trabalho melhor e diferenciado para amenizar as dores físicas e emocionais.

Neste mês de Outubro Rosa, o Instituto Vencer o Câncer ajudou a tirar do papel um projeto da paciente Tatiana Diniz, chamado Espelho Meu. Nele, são apresentadas ações para elevar a autoestima de pacientes com câncer, para que tenham forças durante o tratamento e não sintam vergonha ou constrangimento com sua aparência. Tati não se reconheceu no reflexo do espelho e resolveu divulgar as inovações e o trabalho de profissionais qualificados, que fazem a diferença na vida de quem passa pelo tratamento.

Os primeiros vídeos do Espelho Meu já estão disponíveis no canal do YouTube do Instituto Vencer o Câncer.

Fernando Maluf é diretor associado do Centro Oncológico da BP - Beneficência Portuguesa de São Paulo, membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein e fundador do Instituto Vencer o Câncer (IVOC). É formado em medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, onde hoje é Livre Docente.

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