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Guilherme Giorelli

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

'Chá em cápsulas' para emagrecer: quais os riscos de usar esses produtos

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Guilherme Giorelli

Guilherme Giorelli é nutrólogo e médico do esporte e exercício. Fellow do International College for Advancement of Nutrology e com mestrado em vitamina D, ele organiza eventos científicos, além de ministrar aulas e palestras. Atualmente é diretor do SMEERJ (Sociedade de Medicina Esportiva e do Exercicio do Rio de Janeiro). Seu dia a dia, porém, é o atendimento de pacientes em sua clínica, que buscam cuidar da saúde por meio da alimentação e do exercício.

Colunista do VivaBem

04/02/2022 17h56

Uma mulher de 42 anos morreu, na madrugada desta quinta-feira (3), em São Paulo, após ter sido diagnosticada com uma hepatite fulminante. O motivo seria o consumo decorrente de um composto de "ervas para emagrecimento".

O produto —que se diz "natural"— é vendido em cápsulas e, na composição, continha ervas como chá verde, carqueja e mata verde, substâncias hepatotóxicas (que em excesso podem causar danos ao fígado).

Como problemas com esses produtos são recorrentes, resolvi conversar com a médica Elza Mello, nutróloga e gastropediatra, para explicar quais os riscos desse tipo de suplemento, principalmente os que prometem resultados milagrosos. De acordo com a professora da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), tanto as bebidas quando as cápsulas podem fazer mal ao organismo, principalmente ao fígado.

"Muitos desses produtos possuem substâncias que a gente ainda não conhece e não sabe o efeito no corpo, especialmente das crianças e dos idosos. E também depende da dose (que em cápsulas costuma ser altas). Além disso, às vezes, o chá está contaminado com outras substâncias que podem causar lesões", explica.

Sobre as ervas vendidas em cápsulas, Mello explica que o grande problema é que elas utilizam doses farmacológicas. "Em altas quantidades, mesmo se for cápsula com o extrato de um alimento ou, por exemplo, com cafeína, podemos ter doses farmacológicas que deixam a pessoa mais animada ou com o coração batendo muito mais rápido."

Ela reforçou que, em algumas situações, a pessoa desenvolve doenças no fígado, órgão responsável por filtrar o sangue, metabolizar substâncias (nutrientes, álcool e medicamentos, por exemplo) e eliminar as toxinas. "Alguns componentes tóxicos podem ficar no fígado, causando lesões e machucados. Então, é preciso ter muito cuidado."

Ela lembrou ainda que, há 20 anos, existia um chá que "resolvia tudo", mas com o tempo, perceberam que ele causava cirrose e, por isso, foi descontinuado.

Perguntei também à médica se o fato de ser um produto "natural" significa que ele é mais saudável do que outros alimentos. "Um chá pode ser natural, mas só se ele vem de uma boa fonte, se é purificado, e aí teremos mais segurança alimentar. O que é diferente de comprar na rua, ou em locais a granel, que pode ter mais riscos de contaminações", afirma.