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Michelle Obama lança novo livro, fala de vida na Casa Branca e detona Trump

Talita Fernandes

Colaboração para Universa, em Washington/DC, Estados Unidos

18/11/2022 07h00

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Foi na última terça, dia 15, feriado aqui no Brasil. Quase duas mil pessoas foram ao Warner Theater, a menos de um quilômetro da Casa Branca, na região central de Washington, DC, capital dos Estados Unidos, para ouvir Michelle falar de seu livro. Lançado simultaneamente em 27 países, no Brasil a obra é publicada pelo selo Objetiva, do Grupo Companhia das Letras.

Nem mesmo a chuva intensa e a queda brusca de temperatura (de 20°C para 4°C) intimidaram a multidão que, antes das 19h, horário marcado para abertura do teatro, fazia fila do lado de fora. O letreiro na fachada do Warner Theatre anunciava: "Michelle Obama 15/11-17/11 ESGOTADO".

Fachada do Warner Theatre anuncia o evento com Michelle Obama - Talita Fernandes - Talita Fernandes
Fachada do Warner Theatre, em Washington DC anuncia o evento com Michelle Obama
Imagem: Talita Fernandes

Michelle, de 58 anos, primeira mulher negra a ser primeira-dama dos Estados Unidos, era aguardada como celebridade. Antes de ela subir ao palco, a audiência fazia selfies no teatro. Um telão exibia a hashtag #TheLightWeCarry, título original do livro, em inglês.

Além do livro autografado pela autora, os organizadores da turnê prepararam um kit completo para os "groupies". Estavam à venda bonés, moletons, camisetas, gorros, croppeds, chaveiros e até ecobags com o nome de Michelle ou algumas das frases de seu livro: "Você cai, se levanta e segue em frente" ou "Permaneça esperançoso", além do nome da ex-primeira dama e as iniciais do livro em inglês, TLWC.

Tudo isso acontecia enquanto Michelle se preparava nas coxias do teatro ao lado de Ellen DeGeneres, famosa comediante americana de quem se tornou amiga. (A cerca de 1.600 quilômetros dali, o ex-presidente Donald Trump fazia os últimos ajustes para anunciar sua candidatura à Casa Branca em 2024.)

Ao subir ao palco, DeGeneres recorre a uma espécie de banquinho para apoiar os pés da poltrona roxa aveludada na qual se senta de frente para a amiga, deixando claro que ela é muito menor do que a ex-primeira-dama. O 1,80 metro de Michelle, fato que ela cita com frequência em seu livro e em suas falas, é um dos quebra-gelos do bate-papo. À plateia que a assiste ansiosa e animada, Michelle vai destrinchando os principais pontos do livro a partir da entrevista de DeGeneres.

Michelle revisita as dificuldades e os preconceitos que enfrentou na vida com bom humor. Ela conta que, por muito tempo, rejeitou coisas que faziam parte de sua família, como a habilidade de costurar, tricotar e consertar coisas.

"Tricotar estava em meu DNA. Todo mundo na minha família, minha mãe, minha avó, todos meus avós eram costureiros, porque era como você podia se sustentar quando se era pobre e preto", afirmou, arrancando aplausos da plateia. "Eu odiava o fato de todo mundo fazer tudo. Eu só queria roupas normais das lojas", lembra, falando que a avó se oferecia para costurar qualquer peça que a neta desejasse, quando tudo o que ela queria eram calças jeans toda furada, como outros jovens usavam. A plateia gargalha.

Sobre Trump: "Se alguém perguntasse, eu diria: não votem neste cara"

Em Nossa Luz Interior: Superação em Tempos Incertos, Michelle repete que sentiu dor ao ver Trump eleito, algo que já havia revelado em Minha História (2018), sua primeira obra. "Fui franca quanto à dor que senti ao sair da Casa Branca — um lar que aprendemos a amar — e ver o legado do trabalho duro de meu marido como presidente nas mãos de um sucessor imprudente e indiferente", escreveu.

Para a plateia, Michelle foi mais clara ao culpabilizar a inação e as falas de Trump diante dos fatos e das mortes provocadas pela Covid-19. Ela fez isso sem nomear diretamente o republicano. "Para nós isso foi particularmente doloroso porque a gente sabia que isso aconteceria. Se alguém de vocês perguntasse, eu diria: não votem neste cara [arranca fortes aplausos e é ovacionada]. Ser presidente é um trabalho sério: suas palavras têm importância e podem causar um monte de destruição. Lembrem isso."

Michelle afirmou que documentos e relatórios já indicavam que uma pandemia batia à porta.

"Uma das coisas com que Barack estava mais preocupado era a possibilidade de uma pandemia acontecer. Tínhamos evidências de que uma estava por vir."

"Não interessa quem é o presidente quando tudo vai bem, mas, no minuto em que há um desastre, uma catástrofe, quando algo realmente dá errado, você precisa de uma voz clara e visão e alguém que tem respeito. É perigoso", disse.

No livro, ela conta que, nas primeiras semanas da pandemia, fez como todos os americanos e saiu comprando online de papel higiênico a jogos de tabuleiro. Ela conta que os Obamas estavam mais preparados para viver uma pandemia porque, o período na Casa Branca, os ensinou a viver em uma bolha.

Um dos momentos mais hilários da conversa com DeGeneres e com a plateia — que durou 90 minutos — foi Michelle contando como conseguiu fazer amigos mesmo vivendo na Casa Branca. A comediante perguntou se não era difícil para ela confiar em pessoas para se tornar amiga, dada a posição que ocupava. Já Michelle responde agradecendo a paciência de quem aceitou sua amizade mesmo tendo de atender ao rigoroso protocolo de segurança da Casa Branca, que passava por varreduras com direito a cão farejador antes de uma simples visita a uma das filhas do casal Obama — Malia e Sasha — para um simples playdate.

Michelle ressaltou a importância de ter amigos para manter a normalidade da vida. No livro, de forma carinhosa, ela chama o grupo de amigas de "Minha mesa de jantar", onde se senta para dividir angústias, desejos, experiências e conquistas em torno de uma mesa com comidas e bebidas.

Nossa Luz Interior, de Michelle Obama - Divulgação - Divulgação
Nossa Luz Interior, segundo livro de Michelle Obama
Imagem: Divulgação

Nossa Luz Interior: Superação em Tempos Incertos

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