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Terapia no perfil do Tinder: sexy mesmo é ter equilíbrio emocional

Catharina acredita que, sem terapia, as pessoas têm mais dificuldades em lidar com as frustrações - Acervo pessoal
Catharina acredita que, sem terapia, as pessoas têm mais dificuldades em lidar com as frustrações Imagem: Acervo pessoal

Ana Bardella

De Universa, em São Paulo

02/09/2022 04h00

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Dica pra quem continua a apostar em foto na academia ou atitude contemplativa em meio à natureza no aplicativo de encontros: sexy mesmo é exibir cuidado com o equilíbrio emocional

Entre 2021 e 2022, o Tinder do Brasil, aplicativo que promove encontros, registrou um aumento de 22% na menção da palavra "terapia" nos textos de apresentação dos usuários, chamados de bio. Outro levantamento da empresa revelou que o uso da palavra "emocional" cresceu 200% nas bios de todo o mundo entre janeiro e setembro de 2021. E nesse mesmo período, que coincide com o tempo louco da pandemia, a expressão "saúde mental" também apareceu quatro vezes mais nas apresentações.

A repórter Ana Bardella conversou com a Catharina, a Rayssa e a Letícia pra entender o que muda no relacionamento quando o outro também acredita que vale a pena ter ajuda profissional pra cuidar da cabeça. Spoiler: saber diferenciar o que é problema individual ou do casal é um dos principais bônus de quem frequenta as sessões.

"Terapia ajuda a decidir o que trazer para a mesa e o que resolver no quarto, sozinho"

Catharina acredita que, sem terapia, as pessoas têm mais dificuldades em lidar com as frustrações - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Catharina acredita que, sem terapia, as pessoas têm mais dificuldades em lidar com as frustrações
Imagem: Acervo pessoal

Catharina Conte é atriz e diretora, tem 31 anos e mora em São Paulo. Ela iniciou na terapia com apenas 13 anos. "Eu sentia muitas angústias, medos, mas não tinha subsídio psicológico para poder entender tudo isso", relembra. De lá para cá, ela continuou marcando regularmente as consultas.

Quando o assunto é vida amorosa, ela garante que não deixaria de sair com alguém porque a pessoa não faz terapia —mas confessa que, se a intenção for desenvolver uma relação séria, pensaria duas vezes. "Costumo sair com as pessoas aceitando o que elas podem me dar. Mas percebo que em um namoro, é muito importante que os dois façam terapia, para quando os problemas começam a aparecer. Eu estou trabalhando meus pontos fracos e gosto da ideia de que a pessoa também está", diz.

"O que a gente pensa quando está quieto, sozinho, é determinante para as nossas ações. É importante ter um auxílio nesse caminho: organizar os pensamentos e escutar a perspectiva de alguém de fora. Isso impacta na forma como lidamos com as pressões da vida, sejam elas financeiras, de trabalho ou de amizade", opina. Já no amor, ela percebe que a terapia ajuda a separar as próprias questões das do parceiro.

"É mais fácil a pessoa ser grossa ou te desrespeitar porque não consegue administrar o que está sentindo, a própria frustração. A terapia ajuda as duas partes a se comunicarem e, principalmente, a entender os motivos da raiva e o que fazer com ela. Se é melhor levar para a mesa do jantar ou resolver em silêncio, no quarto", opina.

"Quem não faz terapia corre mais risco de jogar nos outros seus próprios problemas"

Rayssa já deixou de ficar com uma pessoa que desdenhou da psicoterapia: "Disse que era coisa de gente louca" - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Rayssa já deixou de ficar com uma pessoa que desdenhou do acompanhamento profissional
Imagem: Acervo pessoal

Rayssa Carvalho é produtora cultural, tem 31 anos e mora em São Luís (MA). Ela terminou uma relação de sete anos e, desde então, passou a fazer sessões de terapia. Por causa disso, também começou a dar prioridade aos parceiros que valorizam o autoconhecimento. "Não deixo de ficar com alguém porque a pessoa não faz terapia, mas se percebo que o rolo está ficando mais sério, levo esse fator muito em conta", afirma.

Ela relembra quando ficou com um rapaz em uma festa e eles passaram a se encontrar depois. "Logo me dei conta de comportamentos nocivos. Perguntei se ele já tinha pensado em fazer terapia e ele respondeu que não, que isso é 'coisa de doido'. Acabei perdendo o interesse", conta. Na sua visão, quem nunca recebeu auxílio profissional para lidar com as questões mentais tende a culpar o outro por questões que deveriam ser de sua própria responsabilidade.

Apesar disso, ela sabe que não é garantia de sucesso. "Já tive experiências ruins com quem faz terapia também. Eu não via tanta evolução e decidi me afastar", recorda. No seu ponto de vista, só comparecer nas sessões não é o suficiente. É preciso estar aberto para as reflexões e mudanças que o especialista propõe.

"Levamos as questões para as nossas psicólogas e elas nos ajudam a resolver"

Letícia faz terapia há quatro anos e o namorado Italo há seis - Acervo pessoal - Acervo pessoal
Letícia faz terapia há quatro anos e o namorado Italo há seis
Imagem: Acervo pessoal

Letícia Soares tem 26 anos, é redatora e mora em Cascavel (PR). Ela faz terapia há quatro anos e está há seis meses com o namorado, Italo. Um dos principais diferenciais em se relacionar com alguém que também conta com um acompanhamento profissional da saúde mental, segundo ela, é saber se comunicar.

"Entendo que quem faz busca autoconhecimento, entender de onde vem os próprios problemas e traumas. Não tem aquela visão 'eu sou assim e quem quiser me aceitar, vai ter que me engolir'. Até porque, na prática, não é dessa forma que funciona uma relação. É preciso aprender a dialogar e a expressar os nossos sentimentos", afirma.

Como exemplo, ela cita desentendimentos que já teve com o namorado. "Episódios de insegurança acontecem. Alguns deles, despertam gatilhos. Mas depois que cada um leva o tema para a sua psicóloga, conseguimos aprofundar melhor o que está acontecendo e chegar até uma solução. É um impulso para crescer, evoluir enquanto pessoa e, consequentemente, deixar a relação mais saudável", pontua.