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Após ver pai em posto de saúde, ela criou plataforma para ajudar pacientes

Paula Piazzi, criadora da plataforma Saúde Pra Já - Divulgação
Paula Piazzi, criadora da plataforma Saúde Pra Já Imagem: Divulgação

Caroline Marino

Colaboração para Universa

31/01/2022 04h00

Mesmo com uma jornada de sucesso no mundo corporativo, com passagens em empresas como OLX, e o medo de deixar um emprego estável, a carioca Paula Piazi, 34, resolveu mudar a rota de sua vida profissional. "Se eu não conseguisse gerar algo para as pessoas, não estaria satisfeita. Isso me incomodava", diz. "Foi difícil tomar essa decisão, pois não venho de uma família de empreendedores e meus pais, que são médicos, sempre reforçaram a importância de apostar em caminhos mais seguros. Mas resolvi arriscar, pois não via mais sentido no que fazia", conta. Paula começou, então, a pesquisar o mercado e os setores que tinha interesse.

A motivação para escolher a área da saúde veio dos problemas que sempre viu observando o pai, médico, que atuou em postos de saúde. "Às vezes, ficava com ele no trabalho e via as pessoas esperando por muitas horas, sem saber para onde ir e se sentindo desamparadas. Era tudo muito triste", diz. Assim nasceu, em setembro de 2020, o Saúde Pra Já, uma plataforma gratuita que conecta pacientes a serviços de saúde e facilita ao paciente encontrar preços mais acessíveis.

A atuação é por todo o Rio de Janeiro, incluindo Niterói, Maricá, Rio das Ostras e Campos. Atualmente, há mais de 21 mil usuários na plataforma, aproximadamente 7.700 pedidos gerados e 19 parceiros com 27 unidades de atendimento que oferecem 174 serviços, como a Leve Saúde e a Life Medicina.

Pesquisa apronfudada foi essencial para o negócio

O primeiro passo para tirar o sonho do papel foi pesquisar o setor de saúde no Brasil e no mundo. Com os dados em mãos, Paula foi a campo testar as hipóteses e fazer entrevistas em alguns postos de saúde.

Percebeu que, na maioria dos locais, havia problemas a serem resolvidos e começou a estruturar o negócio. Para isso, usou o networking para encontrar os parceiros que precisava e fechou uma parceria com um colega da área de tecnologia para desenvolver o método conhecido como Produto Mínimo Viável (MVP, do Inglês Minimum Viable Product), muito comum no mundo das startups.

Nele, o investimento inicial é mais baixo — apenas referente aos recursos necessários para testar o projeto — e é possível obter um ciclo de feedback que orienta o desenvolvimento futuro. E Paula colocou a mão na massa. "Eu mesma estruturei o banco de dados, algo que não sabia fazer, mas que busquei cursos para aprender", lembra.

Complexo do Alemão foi escolhido como local de teste

A primeira versão saiu e a dupla foi realizando vários ajustes e testes de usabilidade. Uma estratégia importante foi fazer testes de uso da plataforma dentro de realidades onde havia um público-alvo e ouvir as pessoas para entender onde deveriam melhorar.

"Fomos, por exemplo, ao Complexo do Alemão para ver as pessoas usarem o site e entender as dificuldades que existiam. Depois, fizemos as adequações necessárias", diz.

Atualmente, o usuário pode fazer a busca usando filtros como cidade, bairro, clínica e especialidade, e os resultados são ordenados pelo menor preço. Ao achar o que precisa, é possível ainda ver mais detalhes sobre o serviço, como prazo para conseguir o laudo do exame, se há algum tipo de desconto e o valor. A plataforma também permite que o usuário entre em contato com a clínica por telefone ou WhatsApp. "O cliente não paga nada para usar o site. Recebemos apenas uma comissão do estabelecimento pelo serviço prestado", afirma.

Agora, Paula está em busca de investidores para alavancar o negócio e expandir para outras cidades. "Já fiz algumas reuniões e, a cada conversa, trabalho para melhorar a apresentação com os feedbacks recebidos", diz. Segundo ela, esse é um processo normal, que ajuda a deixar o discurso alinhado com as expectativas do mercado.

"É natural receber vários 'nãos' até o sim chegar", ressalta. O importante é estar aberta a ouvir e fazer as mudanças necessárias."

Para ela empreender é ter disposição e coragem para persistir: "Problemas surgem o tempo inteiro e quanto menos você ficar frustrado com o que não deu certo, melhor. O foco deve ser sempre se dedicar a como resolver o problema", completa.

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