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Ela já duvidou do próprio produto e hoje fatura R$30 mi com cadeira gamer

Bruna Rodrigues, fundadora da empresa Elements - Divulgação
Bruna Rodrigues, fundadora da empresa Elements Imagem: Divulgação

Caroline Marino

Colaboração para Universa

27/01/2022 04h00

A empresária Bruna Rodrigues, 32, sabe bem da importância do networking para o sucesso de um negócio. Desde o início da Elements, que comercializa cadeiras gamer e premium, criada em 2016, ela contou com sua habilidade de relacionamento e com a experiência de 12 anos no mercado de tecnologia para fazer a empresa deslanchar. "O networking é extremamente importante. Sempre que pude, fui a feiras e fazia visitas aos clientes, pois acredito nesse contato tête-à-tête, pessoalmente, não só por WhatsApp ou telefone. Faz muita diferença", diz.

Segundo ela, nada melhor do que a pessoa olhar no seu olho para sentir confiança. "Isso nunca vai mudar. Pode aparecer a tecnologia que for", afirma. Mas ela teve de se posicionar para ser ouvida. "Sempre tive que dar minha cara a tapa e, por ser mulher, me deparei com muitos desafios lá atrás, como ter que ir em uma apresentação com oito homens e precisar me esforçar mais para ser ouvida", afirma.

"Sempre fui muito brincalhona e risonha, e não deixei isso se apagar. O segredo é saber se posicionar dentro das suas habilidades e personalidade", afirma. Porém, em alguns momentos, pelo mercado no qual ingressou ter predominância masculina, até ela se questionou se realmente sabia o que estava promovendo e se o produto era de fato o que prometia. Mas, segundo Bruna, com esforço contínuo de aprimoramento no aprendizado e o feedback das pessoas, as dúvidas sanavam rapidamente e ela se apropriava de seu discurso.

Criar um diferencial é o mais importante

Começar a empresa do zero e sem investimento não é uma tarefa fácil, então, Bruna e seu sócio, Rafael Dutra, sabiam que precisavam criar algo diferente do que já havia no mercado de cadeiras premium. Eles ficaram um ano estruturando a empresa antes de ir ao mercado buscar investidores.

"Queríamos entregar o intangível, uma experiência que o consumidor não esperaria ao comprar uma cadeira, pois sabemos que a qualidade é uma obrigação, e é preciso ir além para se diferenciar", conta. Com muita pesquisa e estudo, a dupla chegou ao storytelling. O conceito se aplica desde o nome da empresa, que remete aos elementos da natureza, até todo o processo de divulgação e criação dos produtos. "História vende, e decidimos levar isso aos clientes", afirma.

Assim, eles reuniram profissionais como Lauro Kociuba, escritor e roteirista de fantasias, e Rafael Pinheiro, quadrinista, além de historiadores, ilustradores e editores, para desenvolver histórias em quadrinhos para a Elements. Além disso, a empresa conta com o livro "Desencontros".

Todo cliente que compra uma cadeira, que custa entre R$1 mil a R$2,5 mil, recebe um livro, um pergaminho e um baú de tesouro acorrentado com um cristal dentro. "Tudo está ligado às nossas histórias e ao produto. O cristal, por exemplo, leva a um portal que é o mundo Arquenom, que também é o nome de um de nossos produtos", diz. O projeto deu tão certo que a empresa ganhou o prêmio Cubo de Ouro em 2021 como melhor história geek. E já há lançamentos previstos para junho deste ano, que devem custar entre R$5 mil e R$10 mil.

Posicionamento atraiu investidores

Com toda a estratégia da empresa estruturada, ela e o sócio foram buscar os primeiros investidores. "Estava tudo pronto. Só faltava o dinheiro", lembra. Entre as conversas que tiveram, um amigo e empreendor decidiu investir R$ 115 mil, e as primeiras cadeiras foram produzidas. "O propósito era genuíno, envolvia o bem-estar das pessoas, além de história, pertencimento, qualidade e os princípios de vida, que é o grande propósito que passamos com as histórias da Elements. Isso foi essencial para o aporte", afirma Bruna. Com isso, novos contatos surgiram e o negócio começou a deslanchar.

Home office na pandemia fez faturamento decolar

A Terabyte, empresa de Romulo Simioni especializada em produtos gamers, foi quem fez toda a distribuição das cadeiras no início. No primeiro ano de operação, o negócio faturou R$203 mil, e em 2020, saltou para R$10 milhões.

Em 2021, outro salto: o faturamento foi de R$30 milhões. Um dos motivos por trás do crescimento foi a adoção das empresas ao home office, com muitas pessoas investindo em cadeiras mais ergonômicas. "Entre junho de 2020 e junho de 2021, a Elements cresceu 300%", afirma.

A empresa também iniciou recentemente uma operação no Canadá. "Vamos investir R$ 2 milhões no processo de internacionalização, com expectativa de faturar R$ 7 milhões em dois anos", adianta Bruna.

Inovação não pode parar

O maior desafio da empresa é garantir que está em constante evolução. De acordo com ela, além do desafio geral que todo empreendedor passa no cotidiano, com pessoas, processos, finanças e análise, é importante ter certeza de que a empresa está em constante evolução. "Trabalhamos para sempre criar e trazer tendências para nossos clientes", afirma.

Segundo ela, a ideia é colocar em prática as inovações, fugindo do que, por exemplo, já está acontecendo e dando certo. "Evoluir dói, tira a gente do eixo e da zona de conforto, mexe com a cabeça, com a vaidade, com o que a gente já acredita ser verdade, mas é isso que faz uma empresa se manter no mercado", completa.

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