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'Entre ser mãe e executiva, escolhi os dois', diz líder de RH do Facebook

Caroline Marino

Colaboração para Universa

04/10/2021 04h00

"Se você não coloca família e filhos na equação, é impossível empreender", disse Mafoane Odara, líder em recursos humanos para América Latina no Facebook, que atribui o sucesso de sua carreira a uma rede de apoio construída ao longo de sua vida como executiva. Segundo ela, é essencial as mulheres aprenderem a pedir ajuda e terem em mente que algumas coisas são inegociáveis quando se trata de trabalho. Para ela, sem colocar família e filhos na equação, é impossível empreender ou ter uma carreira de sucesso.

A executiva participou do painel REDE DE APOIO: CRIANDO PONTES PARA MULHERES, da edição 2021 do Universa Talks Empreendedorismo. Comandado pela colunista de Universa UOL Brenda Fucuta, o painel contou ainda com a participação de Marina Voz, fundadora da Scooto, uma empresa de atendimento humanizado ao cliente, e Amanda Momente, cofundadora da Wondersize Moda Esportiva.

As três falaram sobre a importância da rede de apoio para empreender. "O momento em que decidi empreender veio junto com a maternidade e minha mãe foi fundamental para esse processo. Construí minha empresa, que hoje tem 100 funcionários, com a missão de ter um suporte pessoal no ambiente de trabalho. Todas as pessoas que fizeram a empresa crescer foram redes de apoio", disse Marina.

Brenda Fucuta conversa com as empreendedoras Mafoane Odara, Marina Vaz e Amanda Momente no Universa Talks Empreendedorismo 2021 - Mariana Pekin/UOL - Mariana Pekin/UOL
Brenda Fucuta conversa com as empreendedoras Mafoane Odara, Marina Vaz e Amanda Momente no Universa Talks Empreendedorismo 2021
Imagem: Mariana Pekin/UOL

Amanda contou que também contou com a ajuda dos pais para deslanchar seu negócio. "Meu filho morou dois anos com eles. Fui muito julgada e criticada, mas foi o caminho possível. Hoje, mesmo em meio ao caos, posso ser mãe e empresária", afirmou.

Colaboração é a chave para ter sucesso

"Toda minha história passa por um processo de colaboração. Meus pais foram para o continente africano durante a guerra civil para ajudar na reconstrução, e eu sempre entendi que a colaboração é fundamental. No Facebook essa é a base. A empresa nasceu para construir construções significativas: e é nisso que acredito", disse Mafoane. Mas, segundo ela, é necessário que as redes de apoio extrapolem as famílias e estejam presentes nas estruturas das empresas que já existem ou que serão criadas.

"A industrialização pregou um modelo no qual todos tinham que ser iguais. Isso não existe mais, cada um tem suas necessidades. Já evoluímos para um modelo de cultura de engajamento, com a busca pelo equilíbrio com a vida social, mas eu desejo uma cultura de significado, na qual as empresas, sejam grandes ou pequenas, sejam coerentes e façam aquilo que dizem que são; onde a missão e os valores sejam inegociáveis", afirmou. Para ela, esse novo modelo de cultura traz segurança e as redes de apoio ganham ainda mais importância.

Na visão de Amanda, um dos caminhos para uma empresa prosperar é apostar nas fortalezas já existentes de todos - dos donos aos funcionários. "Somos educados a estudar uma matéria na qual não somos bons, quando deveríamos usar nosso tempo para aprimorar nossos pontos fortes", diz. E para os pilares que precisamos desenvolver, buscar pessoas que nos complementem em nossas redes. A executiva afirmou que esse é um caminho escolhido na gestão de sua empresa. "Colocamos as pessoas para fazer as coisas que são muito boas e nos sentimos à vontade para acionar nossa rede para os pontos que ainda não estamos seguras", destacou.

Para Marina Voz, o melhor modelo de gestão de pessoas é o horizontal, ou seja, aquele sem hierarquia. "Trata-se de um modelo em que todos estão na mesma posição e estamos sempre dispostos a ajudar um ao outro. Se alguém precisa de algo, todo o resto da equipe se coloca à disposição", contou. Marina ressaltou, ainda, a importância das redes de apoio para ajudar na carga horária das mulheres que atuam como empreendedoras. "Carregamos muitas coisas nas costas e pedir ajuda é o único caminho para dar conta de tudo".

Rede de apoio pode fazer o negócio deslanchar

Amanda contou que quando entrou no universo das startups, foi a muitos eventos e os ambientes eram totalmente masculinos. Assim, ser ouvida era muito difícil. Quando entrou na Rede Mulher Empreendedora tudo começou a mudar. "Foi principalmente por meio da conversa e do diálogo com outras mulheres que consegui descobrir no que era boa ou não", afirmou Amanda.

Ao lado de sua sócia, Mariana Oliveira, elas passaram por um programa de aceleração da RME e viram a empresa deslanchar. Foi uma maratona de palestras e mentoria, e a dupla consegui profissionalizar a empresa, estruturar um plano de negócios e pensar em caminhos para crescer. A Wonder Size, hoje, está presente em 17 lojas da Centauro, que é a maior rede multicanal de produtos esportivos da América Latina. E, recentemente, passou por uma aceleração na Endeavor.

Universa Talks Empreendedorismo

Veja o que rolou no evento:

PAINEL 1: MAPA DA MINA: OS PRIMEIROS PASSOS PARA FAZER ACONTECER
Com participação de Adriana Barbosa, à frente da Feira Preta, Stephanie Fleury Rassi, criadora da DinDin, e Ludmila Hastenreiter, fundadora da Empoderamento Contábil. Mediação de Cris Guterres.

PAINEL 2: EMPRESÁRIAS NEGRAS: A TRADIÇÃO QUE VIRA NEGÓCIO
Com participação de Gabriela Chaves, economista, fundadora da NoFront Empoderamento Feminino, Michelle Fernandes, fundadora da Boutique de Krioula, e Caroline Moreira, fundadora e CEO da startup Negras Plurais. Mediação de Xan Ravelli, colunista Universa.

PAINEL 3: SÍNDROME DA IMPOSTORA: A VOZ QUE NOS PARALISA
Com participação de Juliana De Mari, jornalista e fundadora da Prosa Coaching, Dani Arrais, jornalista e criadora do #falaqueeunãoteescutoimpostora e Monique Evelle, consultora de inovação e estrategista criativa, fundadora da Inventivos. Mediação de Débora Miranda, editora-chefe de Universa.

PAINEL 4: O PRAZER É TODO DELAS: O MERCADO ERÓTICO EM ASCENSÃO
Com participação de Izabela Starling, à frente da Panty Nova, loja de produtos eróticos
Chris Marcello, fundadora da Sophie Sensual Feelings, empresa de cosméticos sensuais, e Marília Ponte, fundadora da Lilith Sextech. Mediação de Barbara dos Anjos Lima, editora de Universa.

PAINEL 5: REDES DE APOIO: CRIANDO PONTES PARA AS MULHERES
Com participação de Mafoane Odara, líder em recursos humanos para América Latina no Facebook, Marina Vaz, fundadora da Scooto e Amanda Momente, cofundadora da Wondersize Moda Esportiva. Mediação de Brenda Fucuta, colunista de Universa.