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Sem nunca ter feito chocolate, ela abriu fábrica sustentável no Pantanal

Beatriz Branco, de 33 anos, criou há 4 a Angí Chocolate do Pantanal - Divulgação
Beatriz Branco, de 33 anos, criou há 4 a Angí Chocolate do Pantanal Imagem: Divulgação

Mariana Gonzalez

De Universa

29/08/2021 04h00

A designer Beatriz Branco, de 33 anos, planejava ter uma loja de móveis, mas acabou abrindo uma fábrica de chocolates, sem nunca ter feito uma barra sequer na vida. A empreitada começou em 2017 e "foi um caos", como ela mesma conta, mas deu certo: hoje, a Angí Chocolate do Pantanal, marca que produz o alimento desde o cacau até a embalagem, envia produtos para todo o Brasil e aumentou o faturamento em 152% desde sua criação.

"A vida me surpreendeu muito. Costumo dizer que foi o chocolate que me escolheu", conta.

Tudo começou enquanto Beatriz fazia um curso de empreendedorismo no Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), cuja proposta era que os alunos criassem um modelo de negócios que não se relacionasse com suas áreas de expertise — ela, que sonhava em produzir móveis, decidiu fazer a tarefa acadêmica na área dos alimentos, e escolheu o chocolate.

"Pensei: 'Comida sempre vende'. E o chocolate é universal, as pessoas consomem no mundo todo. Se você compra uma cadeira, ela fica com você a vida inteira. O chocolate não: se você gosta, quer repetir, compartilhar, dar de presente".

A ideia era de criar um produto que usasse ingredientes nativos do Pantanal e que fosse inclusivo, que pudesse ser consumido por todas as pessoas, por isso a escolha por desenvolver um produto vegano.

“A vida me surpreendeu muito. Costumo dizer que foi o chocolate que me escolheu”, conta Beatriz Branco - Divulgação - Divulgação
“A vida me surpreendeu muito. Costumo dizer que foi o chocolate que me escolheu”, conta Beatriz Branco
Imagem: Divulgação

Beatriz criou embalagem e logotipo — que permanece o mesmo — já nos primeiros dias de curso, e publicou o resultado em perfis no Facebook e Instagram, já que parte do trabalho era divulgar o negócio. Em quatro dias, ela recebeu 300 encomendas de um chocolate que não existia.

Sinal para continuar

"Eu nunca tinha feito chocolate, nunca tinha sequer derretido uma barra para fazer um bolo, nada. Tive que aprender vendo vídeos de tutorial na internet, no começo dava tudo errado, foi um caos. Eu fazia tudo numa assadeira comum, cortava a mão e embalava em papel alumínio, que eu também cortava a mão, com o logo da Angí", lembra Beatriz. "Para quem é leigo, o gosto era bom, mas o chocolate derretia muito rápido, porque eu não tinha a técnica".

Ela passou três meses produzindo seus chocolates de forma "rudimentar", como lembra, porque ainda encarava a prática como um hobby, até que inscreveu seu projeto em um edital para novos empreendedores, promovido pela prefeitura de Campo Grande, e passou. "Me inscrevi pensando: 'Se eu passar, é um sinal para continuar. Se não passar, eu paro'".

Com isso, teve direito a uma cozinha industrial com toda a estrutura necessária para aumentar a produção, que poderia usar por três anos pagando um valor baixíssimo de aluguel. Decidida a se profissionalizar, a designer viajou para São Paulo, conheceu outras fábricas de chocolate que produzem no formato "bean to bar" — ou seja, do cacau in natura até a barra já embalada — e investiu em novos equipamentos.

Bia Branco Angi Chocolates - Divulgação - Divulgação
A Angí produz, além de chocolates, chás e pasta de castanhas, tudo co ingredientes típicos do Pantanal
Imagem: Divulgação

Neste período, enquanto buscava conhecer mais sobre as técnicas de produção, se aproximou de produtores locais, do interior do estado, com quem desenvolveu uma relação essencial para os negócios.

"Eu pegava meu carro sozinha e ia para o meio do nada, bater palma na porta dos produtores para conversar. Percebi que a maioria das lideranças dessas comunidades eram mulheres e comecei a conhecer o trabalho delas, aprender sobre a colheita das frutas que eu uso no meu chocolate, ouvir histórias da região", lembra.

Ela continua: "Fui criando uma relação com essas comunidades, que se tornaram meus fornecedores, e hoje compro ingredientes de 12 comunidades", o que ajuda na economia e no desenvolvimento local, explica.

Sustentabilidade

Segundo Beatriz, a Angí é a única fábrica de Mato Grosso do Sul que produz chocolates de ponta a ponta, e uma das únicas empresas da região que usa ingredientes da biodiversidade local.

"Meu trabalho com o chocolate foi tomando outras proporções. Hoje, além de fabricar o chocolate, fazemos um trabalho de capacitação nas comunidades parceiras e divulgamos o produto local para outros lugares de todo o Brasil", fala Beatriz.

A Angí é a única fábrica do Mato Grosso do Sul que produz chocolates de ponta a ponta - Divulgação - Divulgação
A Angí é a única fábrica do Mato Grosso do Sul que produz chocolates de ponta a ponta
Imagem: Divulgação

Em 2020, ela deixou a cozinha industrial e abriu a Casa Angí, que une fábrica e loja, com espaço para receber visitantes locais e turistas — a empresa, que começou com uma só pessoa, hoje tem sete funcionários e aumentou a produção em 60%.

Além de serem feitos com ingredientes orgânicos, produzidos na região e sem itens de origem animal, os produtos fabricados pela Angí — além de barras de chocolate chás e pasta de castanhas — têm embalagem biodegradável. Beatriz também usa luz solar, água captada da chuva e energia sustentável.

"Queremos ser uma empresa toda sustentável, para preservar a nossa região, que é tão rica, e incentivar outras empresas da região a adotarem as mesmas práticas", diz.

Esse conteúdo é resultado da parceria entre Facebook e Universa no projeto #CompreDelas, de incentivo a mulheres empreendedoras.

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