PUBLICIDADE

Topo

Carreira e finanças

Jornalista troca TV Globo pela CNN em meio à pandemia: "Quis me desafiar"

A repórter Marcela Monteiro - Reprodução/Instagram
A repórter Marcela Monteiro Imagem: Reprodução/Instagram

Elisa Supin

Colaboração para Universa

09/06/2020 04h00Atualizada em 09/06/2020 16h15

Nem chegou à metade, e este ano de 2020 já marcou uma reviravolta na vida de todos nós. Para a repórter Marcela Monteiro, 34, além de encarar a pandemia, ela conta com mais um marco: um novo desafio profissional. Marcela deixou, depois de seis anos, o núcleo de entretenimento da TV Globo para encarar o mundo das notícias quentes na recém-criada CNN.

A repórter, que passou por programas como Vídeo Show e É de Casa e até participou de novelas, conversou com Universa sobre sua transição profissional. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista.

Você tinha uma carreira consolidada no entretenimento da TV Globo. O que foi que te fez achar que havia chegado a hora de sair da empresa?

Eu entrei na Globo novinha. Fiz algumas participações em novela, depois fiquei 6 anos no entretenimento. E eu tenho muita gratidão por essa área, mas tenho comigo uma coisa de querer me desafiar sempre. Então eu já estava havia um tempo querendo viver um lado profissional diferente, não falo de uma empresa específica, mas de outras funções, vontade de viver outros lados da profissão. Eu não saí fechando portas, e tenho um carinho imenso pela Globo, mas enxergo que estou em um outro ciclo agora.

Em que momento surgiu o convite da CNN e como foi a tomada de decisão?

Eu não conhecia ninguém lá da CNN, fui conhecendo aos poucos, até que um dia veio o convite. Eu comecei oficialmente em abril, bem no meio da pandemia. Estou muito animada, me esforçando pra fazer o meu melhor, e o retorno do público tem sido muito interessante e positivo. Até esperei que estranhassem, por estarem acostumados a me verem fazendo outra coisa, mas é legal, porque vejo uma torcida muito grande e uma satisfação de me verem de outra forma.

Antes, você se dedicava a programas como Vídeo Show e É de Casa, agora você está na linha de da cobertura de uma pandemia. Como foi essa, justamente em um cenário tão desafiador como o que vivemos?

São vários os desafios. Sinto, como profissional e jornalista, que as pessoas esperam saber notícias boas em meio ao caos. E temos a função de trazer uma notícia rápida e bem apurada, em meio a um monte de fake news. Esse é um desafio muito grande. É duro falar sobre centenas de pessoas esperando um leito, mortes acontecendo, empresas fechando, com indícios de irregularidades por parte de governo. Às vezes é duro pra mim, como ser humano. No domingo de Dia das Mães, eu estava de plantão. Eu queria poder falar coisas melhores e menos difíceis naquele domingo, mas estava ali atualizando o número de mortes.

Como é hoje a sua rotina?

Eu não tenho um horário fixo, posso entrar mais cedo ou mais tarde, essa programação [da escala de trabalho] sai na noite anterior. A CNN tem a característica de ser muito [transmissão] ao vivo, então, é difícil determinar o assunto sobre o qual vou falar. Existe uma previsão, mas de repente tudo muda.

Maquiagem, cabelo e roupa, eu faço rápido mesmo, e aproveito a maior parte do tempo para estudar o assunto que vou cobrir

Estou sempre lendo, lendo, lendo. Eu acordo já entrado em todos os sites, faço uma geral para saber tudo que está acontecendo. Também temos um aplicativo de conversa que eu olho assim que acordo. E vou para o trabalho ouvindo rádio, notícia. Eu busco estar atualizada o tempo todo porque existe uma gama muito grande de assuntos que posso abordar no trabalho, então o segredo é estar a mais informada possível.

A imprensa vem sendo alvo de ataques, inclusive fisicamente, por quem muitas vezes vê o jornalismo profissional como inimigo. Você já passou por isso?

Como eu estou na rua praticamente todo dia, a gente ouve coisas que não gostaria, tem gente que passa de carro, abaixa a janela e grita, xinga. Eu sinto essa polarização, as pessoas estão muito violentas. É triste, porque isso só acirra os ânimos. A imprensa acaba sendo o foco principal, mas acho que isso representa uma sociedade um pouco doente. O ser humano está precisando de amor, por mais cafona que possa ser.

Como você tem enfrentado a tensão da quarentena?

Alguns não dão tanto valor para a cultura e para a arte no cotidiano e acho que a pandemia trouxe a consciência da importância das expressões artísticas. Imagina passar a pandemia sem uma série pra ver, um livro pra ler, uma música pra ouvir, imagina você dentro de casa 24 horas por dia, sete dias por semana, entre quatro paredes. Sempre fui uma grande consumidora de entretenimento. Eu coloco meditação e relaxamento antes de dormir, durmo assim, me acalma muito.

Conta para gente que séries você tem assistido nesse período?

Olha, é até difícil indicar porque eu sou louca por séries, vejo muitas. Acho que Modern Family é ótima, leve paro momento. Você relaxa, dá risada, acho maravilhosa. Também voltei a assistir How I Met Your Mother, que é boba, simples, leve.

Você namora o arquiteto Renan Caruso. Como está a dinâmica da relação durante a pandemia?

Namoro há 3 anos e essa relação sempre foi a distância. Ele mora em Campinas e a gente já vivia em ponte aérea, ele vinha mais pra cá [Rio de Janeiro] do que eu pra lá. Agora, a gente ficou bastante tempo sem se ver, mas ele conseguiu vir em um final de semana. Foi a primeira vez que a gente ficou mais de dois meses sem se ver, mas sobrevivemos [risos].

Como tem sido trabalhar com "hard news"?

O mais legal do "hard news" é poder estar ao vivo e me redescobrir, o mais chato é quando cai o ao vivo [risos]. Você apurou, correu, correu, e aí a transmissão cai. No entretenimento, o mais legal foi que eu conheci muita gente diferente, de quem era fã. Viajei muito, fui para muitos lugares que eu não conheceria de outra forma. Já estive em um set observando um diretor organizando uma equipe. No entretenimento, o lado chato é o mesmo: os ao vivos também caem.

Que dica você daria para quem quer mudar os rumos da carreira?

Eu vou falar o clichê que eu sempre uso pra mim: "Se der medo, vai com medo mesmo". A gente não sabe se vai dar certo, a gente não controla quase nada, mas para mim seria muito mais frustrante não tentar alguma coisa, não ousar, por receio. Se você tem a clareza de um objetivo maior, de onde você quer chegar, vai, acredita e faz. Se por um acaso no final do caminho não for como você planejou, você vai ter aprendido alguma coisa. Os medos vêm mas não podem te travar.

O não saber o resultado não pode travar a gente de tomar decisões que podem mudar a nossa vida. Ficar estagnado pra mim é o pior dos mundos.

Carreira e finanças