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Ela teve a ideia de personalizar feijões e fatura R$ 350 mil ao ano

A empresária paulistana Talita Baléche viu nos grãos a oportunidade de ganhar dinheiro - Arquivo pessoal
A empresária paulistana Talita Baléche viu nos grãos a oportunidade de ganhar dinheiro Imagem: Arquivo pessoal

Marcelo Testoni

Colaboração para Universa

30/04/2019 04h00

A empresária paulistana Talita Baléche, 38, viu em grãos de feijão a oportunidade de ganhar dinheiro e, de quebra, montar um negócio. Foi após trabalhar como gerente de produto em uma editora que lança fascículos acompanhados de itens colecionáveis, em especial miniaturas, que Talita teve a ideia de abrir a empresa Planta Mágica, voltada para a venda de enfeites, brindes e lembrancinhas com proposta ecológica.

"Juntei a experiência ao prazer que já tinha de buscar coisinhas diferentes e inovadoras e acabei usando minha criatividade em desenvolver produtos para plantio, mas com conceito e design para atrair quem gosta de ter pequenas e delicadas plantas em casa, profissionais de decoração e empresas", explica Talita, que é empresária desde 2010.

Negócio com ajudinha da natureza

Talita dedicou um ano inteiro a pesquisas e realizações de testes, começando com a personalização a laser dos grãos de feijão com nomes, palavras, logotipos e desenhos simples e que viraram um dos destaques de sua empresa.

"Em se tratando dos feijões, que depois da fase de grão germinam como um brotinho 'tatuado', eu tinha visto algo similar em sites chineses, mas nada que pudesse ser personalizado para o cliente. As mensagens já vinham prontas e, muitas vezes, as sementes germinavam sem nada marcado nelas", comenta.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Para saber se esse produto realmente daria certo, Talita foi cautelosa e investiu de início, aproximadamente, R$ 2 mil em compra de amostras similares que vieram da China, testes de fabricação e de maquinário específico para o trabalho e, por fim, produção terceirizada das primeiras sementes, cerca de 100, que foram vendidas para "sentir a clientela".

"Esse investimento foi somente o começo, que me permitiu iniciar a fabricação e venda dos produtos. Depois, com o retorno dos primeiros anos, é que pude me estruturar e investir mais para comprar meu próprio maquinário, materiais de embalagem, aumentar a minha própria fabricação e abrir a empresa com direito a site, anúncios, divulgação e estoque. É algo contínuo e que nunca para. No primeiro ano, não retirei nenhum tipo de rendimento, pois reinvestia tudo na empresa. Depois, comecei a fazer retiradas modestas, mas sempre de forma consciente", diz Talita, que também teve e ainda faz a captação de novos clientes.

Depois do feijão, o ovo mágico

Hoje, a empresa Planta Mágica oferece diversos produtos. Com a repercussão positiva do feijão personalizado, a empresária pôde lançar outros itens. "São recipientes, como vasos temáticos, vasos magnéticos que 'flutuam', vasinhos em forma de bichinhos, em forma de bonequinhos, em que as plantinhas crescem como se fossem cabelo de bonecos etc. Depois do feijão, que tem o mesmo nome da empresa, consegui lançar outro carro-chefe, o Ovo Mágico, que é o mais procurado na época da Páscoa", informa Talita, explicando que o produto é feito de cerâmica, mas imita um ovo de verdade.

"Deve-se quebrar a parte de cima dele com uma colher, como se fosse um ovo poché, e regar. Em poucos dias, uma plantinha germinará, que pode ser manjericão, pimenta, lavanda, camomila, hortelã ou morango", complementa.

Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Prós e contras de quem empreende

Atualmente, as vendas são 100% online, via site ou contato por e-mail. Segundo Talita, sua empresa continua operando de forma enxuta, mas com muitos parceiros e terceirização de serviços, de forma que ainda consegue seguir sem funcionários, o que para a empreendedora também tem certas vantagens, como poder trabalhar sozinha e de casa quando quiser ou mesmo não ter que dedicar tempo demais em dar treinamentos --um desafio que sabe que terá de encarar no futuro, se pretende crescer.

Em termos de faturamento, atualmente a empresa dela rende em torno de R$ 350 mil ao ano, dos quais são reinvestidos, no mínimo, R$ 200 mil ao ano.

"Empreender é algo que requer muita dedicação e esforço. O empresário brasileiro tem de ser, acima de tudo, resiliente, pois são muitos desafios e as coisas podem não acontecer como planejado. Além disso, o investimento financeiro é muito alto e o emocional maior ainda. Mas a recompensa é muito válida: trabalha-se com mais senso de propósito, reporta-se a si mesmo (e a seus clientes), e podem-se aplicar seus próprios valores na empresa", conclui Talita.

Mapa da mina