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Advogada larga carreira e fatura R$ 3 milhões com sorvete e petit gateau

Camila Felix é a proprietária da The Shaky, que vende sobremesas personalizadas - Léo Barrilari/The Shaky/Divulgação
Camila Felix é a proprietária da The Shaky, que vende sobremesas personalizadas Imagem: Léo Barrilari/The Shaky/Divulgação

Carolina Prado e Simone Cunha

Colaboração para Universa

01/03/2019 04h00

Quando Camila Felix, 31 anos, decidiu investir na área de Direito, não imaginou que sua carreira pudesse durar tão pouco tempo. Ainda na faculdade, ela prestou concurso e conseguiu estágio no Fórum de sua cidade, Lins, no interior de São Paulo. Porém, nem mesmo a estabilidade a seduziu. "Não estava satisfeita com o meu trabalho, mas não podia largá-lo. Precisava conciliar com outra possibilidade de renda que me desse mais prazer", conta. 

Na época, ela e o marido, que é dentista, decidiram investir em outro tipo de negócio e, desde então, começaram a poupar. Eles não tinham nada muito específico em mente, mas sabiam que a área da alimentação poderia ser uma possibilidade. Começaram a participar de feiras, realizar pesquisas e foi assim que surgiu o interesse pelo sorvete.

"Não queria apenas abrir mais uma sorveteria, mas oferecer uma proposta personalizada, em que o cliente pudesse montar a sua sobremesa", diz Camila. Dessa ideia inicial nasceu a marca The Shaky, que comercializa bebidas batidas com sorvete e petit gateau na caneca. Hoje, ela produz 600 mil litros de sorvete por mês, conta com 10 unidades espalhadas por São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás, além de duas unidades no Paraguai. 

Para 2019, uma das metas é investir ainda mais na expansão da marca e conseguir consolidar a internacionalização. Ano passado, o faturamento foi de R$ 3 milhões, mas Camila aposta no potencial do negócio e estuda possibilidades diferentes de franquias, para atingir públicos variados. Hoje, a franquia conta com dois formatos: quiosque e loja, com modelo de negócio a partir de R$ 150 mil. "Este ano, queremos lançar uma nova proposta e implantar a minifranquia, com um investimento de até R$ 50 mil. O projeto está sendo desenvolvido, por isso, ainda não temos todos os detalhes, mas logo será validado".

Tudo começou com uma ajudinha da avó

A primeira loja foi inaugurada no início de 2014, após um investimento de R$ 100 mil, a soma que ela e o marido haviam conseguido poupar. Porém, o ponto era emprestado: em um espaço de 30 m², cedido pela avó. A inauguração aconteceu em um final de tarde de sexta-feira e, já no primeiro dia, formou fila. E o sucesso continuou. Em quatro meses, Camila já sentiu necessidade de ampliar o local, para conseguir dar conta da demanda. 

"Não esperávamos tanta clientela e, quando o espaço estava sendo reformado, muitos perguntavam sobre a reinauguração. Ali, percebi que havia feito a escolha certa", diz. Outro desafio foi lidar com a sazonalidade do sorvete que, geralmente, vende mais durante o verão. "Sabíamos que seria importante criar um cardápio inovador e competitivo para o período do inverno, e foi assim que nasceu o petit gateau na caneca", conta.

Camila: "Não queria apenas abrir mais uma sorveteria, mas oferecer uma proposta personalizada" - Léo Barrilari/The Shaky/Divulgação
Camila: "Não queria apenas abrir mais uma sorveteria, mas oferecer uma proposta personalizada"
Imagem: Léo Barrilari/The Shaky/Divulgação

Atualmente, nos dias mais frios do ano, a The Shaky mantém um cardápio exclusivo, com produtos específicos como chocolate quente, cappuccino, fondue e o carro-chefe: o petit gateau. Segundo Camila, a sobremesa que é a marca registrada da empresa deu certo e elevou o faturamento em até 30%, em um período em que a tendência seria diminuir por causa da queda das temperaturas. No ano passado, a marca decidiu criar diferentes opções de canecas para o cliente colecionar. E, em maio de 2019, Camila garante que novos modelos serão apresentados, para dar continuidade à proposta, que busca fidelizar os consumidores. 

Ela contou com a assessoria de técnicos especializados em sorvete para realizar pesquisa de tendência no mercado e compreender que tipo de sorvete o cliente realmente desejava. "Essa é uma área em constante movimento, que exige acompanhamento contínuo. Por isso, sempre buscamos novos conceitos de cores e embalagens, e estamos sempre atentos às possibilidades de sabores", explica. 

Expansão orgânica

O resultado da primeira loja em Lins não passou despercebido e, em 2015, já surgiu interesse em franquear a marca, abrindo uma loja em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. "Investimos nessa operação e, a partir daí, vieram outros interessados no negócio, e a ideia de franquear ficou mais evidente", diz Camila. 

Ela confirma que o que deveria ter se tornado apenas um complemento de renda para o casal acabou virando a principal ocupação dos dois, pois ambos abandonaram suas carreiras para dedicar-se à The Shaky.

"Hoje, trabalho em dobro, mas estou muito realizada. Ofereço um produto que está diretamente ligado ao momento de alegria, entretenimento, diversão entre amigos e em família", conta Camila. Ela diz que todo o valor conquistado nesse período vem sendo revertido à própria marca. "O trabalho exige foco, não dá para se empolgar e sair esbanjando. É fundamental continuar estudando o negócio e investir em uma boa gestão, afinal, empreender é um grande desafio", finaliza. 

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