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REPORTAGEM

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Ela usa redes para unir mães: 'Maternidade é solitária, falta acolhimento'

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Ana Angélica Martins Marques

Ana Angélica Martins Marques, a Morango, é mineira de Uberlândia, jornalista, fotógrafa e DJ. É também autora do livro de contos Quebrando o Aquário. Passou pela décima edição do Big Brother Brasil e só foi eliminada porque transformou o temido quarto branco no maior cabaré que você respeita. É vegetariana e cuida de três filhos felinos: Lua, Dylan e Mike.

Colunista de Universa

22/06/2022 04h00

Quando se tornou mãe, a psicopedagoga Beatriz Macedo, de 30 anos, sentiu que precisava fazer escolhas que mudariam completamente sua vida pessoal e profissional. O que ela não sabia ainda é que essas transformações fariam a diferença para milhares de outras mulheres e crianças.

"O nascimento da Íris revolucionou tudo na minha vida. O que mais me marcou foi a mudança das minhas prioridades profissionais e acadêmicas. Troquei a minha pesquisa no mestrado para falar sobre mães, troquei meus projetos no trabalho, troquei o foco das minhas redes e das minhas interações sociais. E eu me sinto muito mais realizada agora."

Foi durante o mestrado em educação, cultura e comunicação na Universidade Estadual do Rio de Janeiro que Beatriz, ainda grávida, percebeu que seu trabalho de inclusão no ensino precisava, essencialmente, contemplar mães como ela.

Bia e o marido, Bruno Hoffmann, estão juntos há três anos - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Bia e o marido, Bruno Hoffmann, estão juntos há três anos
Imagem: Reprodução/Instagram

"Depois que engravidei e passei pelo processo de um mestrado grávida, a escrita de uma dissertação com um bebê recém-nascido, e o pouco apoio da universidade a uma estudante mãe, comecei a pensar: 'Eu trabalho com diversidade e inclusão, mas nunca pensei na inclusão da mulher mãe no ambiente acadêmico'. E ela é quase nula, não existe", expõe.

"A universidade não foi feita para mães e suas crias. O mundo acadêmico não tem empatia, a máquina de produzir não pode entrar em licença maternidade"

Ao entender a dimensão do problema, Beatriz começou usar as redes sociais para acolher mães e lutar por direitos e políticas públicas.

"As redes sociais oportunizaram a democratização do conhecimento de forma rápida e orgânica, e é justamente esse meu propósito, levar informação para o máximo de pessoas possível. Hoje, minha ferramenta é o Instagram e o Twitter, mas almejo um dia conseguir algo em maior escala", projeta a ativista.

No seus perfis no Twitter e no Instagram, onde produz conteúdo sobre maternidade real e consciente, a psicopedagoga tem mais de 15 mil seguidores. Nas publicações, além de análises como especialista, ela também desabafa.

"O ghosting (sumiço) que mais me destruiu, disparado, foi de uma pessoa que era minha amiga há dez anos depois que engravidei. Sumiu, nunca sequer quis saber da minha filha. Foi dureza passar por isso no puerpério"

Para Beatriz, a maternidade é solitária porque ninguém está preparado para acolher uma mãe e seu filho.

"É socialmente aceito você dizer em público que não gosta de criança. Que é a favor de 'tapinha'. Que criança é isso ou aquilo. Na teoria, todo mundo acha a criança, o futuro do planeta, lindo. Na prática, somos segregadas de espaços porque temos uma sociedade que não trata crianças como seres humanos dignos de respeito. Infelizmente."

"Ser mãe é um ato político. Estar mãe em algum lugar incomoda. Amamentar publicamente traz olhares tortos. Não me recolherei. Não nos esconderemos"  - Reprodução / Instagram - Reprodução / Instagram
"Ser mãe é um ato político. Estar mãe em algum lugar incomoda. Amamentar publicamente traz olhares tortos. Não me recolherei. Não nos esconderemos"
Imagem: Reprodução / Instagram

Defensora da educação gentil e acolhedora, a psicopedagoga acredita que o trabalho de conscientização que faz 'é de formiguinha', mas tem sido cada vez mais amplificado.

Na semana passada, por exemplo, uma de suas postagens, "8 coisas que você não faria com um adulto, mas acha ok fazer com criança" teve mais de 100 mil curtidas e compartilhamentos no Twitter.

"8 coisas que você não faria com um adulto, mas acha ok fazer com criança"

1) Obrigá-lo a comer até o último grão do prato
2) Gritar ou bater pra conseguir que o outro faça o que você quer
3) Obrigá-lo a abraçar e beijar outras pessoas
4) Tocar em seu corpo sem permissão
5) Fazer 'brincadeiras' desrespeitosas
6) Ameaçar jogar fora ou esconder seus pertences se ele não fizer uma tarefa
7) Deixá-lo chorando sozinho em um momento de desespero ou tristeza
8) Obrigá-lo a emprestar suas coisas sem reclamar.
"Crianças são pequenos seres humanos e merecem o nosso respeito. Não se impõe limites nem respeito com desrespeito e violência. Nem com medo. Abrace, ame, dê colo, respeite a individualidade do seu filho. O afeto é revolucionário", declara.