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Como buraco na atmosfera de Marte está secando a água do planeta

Marte é conhecido pela falta de água, mas o planeta já teve até um oceano - Reprodução/Labroots
Marte é conhecido pela falta de água, mas o planeta já teve até um oceano Imagem: Reprodução/Labroots

Renan Dionísio

Colaboração para o UOL

29/05/2019 04h00Atualizada em 31/05/2019 09h38

Resumo da notícia

  • Pesquisadores podem ter descoberto o que acabou com a água abundante de Marte
  • Um buraco, que se abre a cada dois anos, pode ter influenciado o processo
  • As tempestades de areia também contribuíram para a drástica diminuição da água

Os "segredos" mais íntimos da atmosfera marciana ainda estão sendo desvendados, mas você deve ter aprendido na escola que uma das principais características de Marte é que seu solo lembra um deserto, não? Alguns estudos indicam que o planeta vermelho já teve uma significativa presença de água, mas os pesquisadores não tinham respostas sobre o que resultou em sua drástica diminuição. Aparentemente, agora eles têm.

Cientistas da Alemanha e da Rússia descobriram a existência de um buraco na atmosfera marciana que abre uma vez a cada dois anos, suga parte da água do planeta e a lança para o espaço. No mesmo processo, a água que sobra é jogada para os polos do planeta. O resultado do estudo foi divulgado no site especializado Live Science.

Como tudo funciona?

Já era de conhecimento dos pesquisadores que existia uma camada de vapor de água na atmosfera de Marte que migrava para os polos. Mas até então, não havia uma justificativa conhecida para a transformação do planeta, que já foi tão rico na substância.

De acordo com os cientistas, existe uma camada na atmosfera marciana intermediária que é muito fria. Isso deveria impedir que o vapor de água passasse para a camada superior durante seu ciclo hidrológico. No entanto, pesquisadores descobriram que a substância encontrou uma forma de passar essa barreira.

Após realizar simulações computacionais, os cientistas observaram que Marte possui dois processos únicos ligados a água:

1 - Na Terra, os verões no hemisfério norte e sul são parecidos quando se pensa na quantidade de calor eles recebem do Sol. No caso de Marte, a sua órbita é mais excêntrica. Ou seja, as distâncias do Sol variam mais do que no caso terrestre. Por isso, os verões não são iguais. O hemisfério sul fica muito mais próximo do Sol e acaba recebendo sempre mais calor no período do que o hemisfério norte.

Dentro desta dinâmica, os cientistas descobriram que um buraco se abria na camada intermediária (a fria) da atmosfera de Marte, entre 60 e 90 quilômetros de altitude, a cada dois anos e permitia que o vapor de água passasse para a camada superior seguindo o seu ciclo (o calor "extra" emitido pelo Sol deve ter ajudado no processo).

Isso poderia ser algo positivo, já que a água mudaria de estado e seguiria o fluxo natural de transformação (gasosa, líquida e sólida). Mas, no lugar da água retornar ao solo do planeta marciano, o buraco "lançava" as moléculas de água para o espaço. Ou seja, a substância era expulsa da atmosfera a cada dois anos.

2 - Outro processo único que acontece no planeta vermelho envolve as gigantes tempestades de areia. Elas bloqueiam a entrada de luz e, consequentemente, esfriam a superfície marciana. Mas a luz que não atinge a superfície do planeta fica presa na atmosfera, aquecendo-a e criando melhores condições de movimentar a água para os polos.

Como isso acontece? Bom, durante as tempestades de areia, pequenas partículas de gelo se formam em torno dos grãos. Tudo fica tão leve que a água (no estado sólido) flutua para a atmosfera com mais facilidade.

Com isso, durante os períodos de tempestade, mais água se move para a atmosfera superior. De acordo com os cientistas, o fenômeno pode mover mais água para a atmosfera superior do que os verões do hemisfério sul.

Assim que a água atravessa a camada intermediária, duas coisas podem acontecer:

  • Parte da água se desloca para os polos e congelam;
  • Raios ultravioletas que ficaram presos na atmosfera podem romper as ligações entre hidrogênio e oxigênio das moléculas de água (H2O), fazendo com que o hidrogênio escape para o espaço e deixe o oxigênio.

Esse processo, repetido diversas vezes por bilhões de anos, pode ter sido o responsável por tornar Marte, antigamente abundante em água, totalmente seco nos dias de hoje.

Errata: o texto foi atualizado
O trecho "O que já dificultaria a permanência da água no planeta" foi retirado do texto por contradizer a explicação sobre o fenômeno do ciclo da água no planeta Marte.

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